De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 16 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo do útero no ano passado. Trata-se do terceiro tumor maligno mais frequente entre a população feminina, ficando atrás apenas dos de mama e colorretal.

De desenvolvimento lento, o câncer de colo do útero demora a dar sinais evidentes da sua presença ainda durante a fase inicial, reforçando a necessidade da autoconsciência corporal feminina, ainda cercada de preconceito e considerada um tabu por muitas pessoas. Por isso, é importante estar se observando com mais atenção e perceber manifestações que até então não existiam.

No caso da saúde da mulher, o corpo dá várias dicas de que há algo errado, como por exemplo, um corrimento mais amarelado avermelhado escuro, com odor forte, que aparece com mais frequência, ardência ou sangramentos durante as relações sexuais.

O médico ginecologista Dr. Moisés Komatsu, da Clínica Climma, de Arujá, frisa que a realização de exames preventivos é de extrema importância para uma vida com a saúde equilibrada. “Quando se trata da saúde da mulher, é preciso redobrar a atenção. Isso porque algumas doenças, sobretudo as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), podem evoluir para diversos tipos de câncer, como o de colo de útero, vagina e vulva”, alerta o especialista.

O HPV (Papiloma Vírus Humano) é um vírus sexualmente transmissível que atinge cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos. Desse total, 38,4% são de alto risco para o desenvolvimento do câncer segundo dados do Ministério da Saúde.

De acordo com o diretor clínico do Centro Oncológico Mogi das Cruzes, Flávio Isaias Rodrigues, “existem mais de 200 tipos de variação do vírus, sendo que o HPV tem pelo menos 13 tipos considerados oncogênicos, que são aqueles com risco de desenvolver câncer”.

O ginecologista Moisés Komatsu explica que o vírus causa lesões muitas vezes discretas, principalmente na região genital interna, frequentemente, no colo do útero, que não são visíveis e se não detectadas e tratadas precocemente podem levar ao câncer e também causar infertilidade na mulher dependendo da gravidade.

“Podemos detectar os sinais indiretos que o HPV causa nas células com um simples exame de Papanicolau, exame de rotina que deve ser feito com a periodicidade preconizada pelas mulheres. Por isso, destaco a importância da prevenção para o diagnóstico precoce a fim de se evitar o desenvolvimento da doença”, frisa o ginecologista.

Vacina como método preventivo

Uma importante aliada na prevenção do HPV é a vacina oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos com idades entre 11 a 13 anos e meninas de 9 a 14 anos. “A vacina é indicada para quem ainda não teve relação sexual e ou contato com a doença, que é transmitida principalmente desse modo”, ressalta o médico. “É importante que os pais não tenham preconceito em levar os seus filhos para se vacinarem por causa da idade porque uma hora iniciarão a vida sexual. Vaciná-los não significa que estará incentivando a praticarem o ato, apenas que estará cuidando da saúde deles”, ressalta o ginecologista.

Orientações

“Para as lesões do HPV de baixo grau orientamos ao paciente descanso, boa alimentação, não beber, não fumar, diminuir o nível de estresse e ter relações preferencialmente com preservativos. Esses cuidados são importantes para a mulher recuperar a sua imunidade e combater a doença e em alguns casos seletos o tratamento instituído e determinado pelo médico assistente deverá ser adotado” diz o ginecologista Moisés Komatsu, que orienta repetir o exame a cada três a seis meses, para o monitoramento do reestabelecimento da saúde conforme o tipo de lesão.

Já a lesão de alto grau, segundo ele, que aparece nos órgãos genitais, em sua grande maioria pede-se intervenção cirúrgica. “Por isso, nunca deixe de visitar um ginecologista regularmente. A prevenção sempre é importante para o tratamento de qualquer tipo de doença”, finaliza.

Fonte: Linha Fina Assessoria de Comunicação

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