Por Luísa Martins/ Valor Econômico

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou bloquear as redes sociais de sete pessoas investigadas por publicarem supostas ‘fake news’ contra integrantes da Corte.

A ação consta da decisão de Moraes que deflagrou a operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira para cumprir mandados em São Paulo, Goiás e Distrito Federal para aprofundar investigações de supostas ofensas a ministros do Supremo.


Relator do inquérito aberto de ofício pelo presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli, Moraes viu “sérios indícios da prática de crimes” como injúria e ameaça. As postagens, segundo ele, continham “graves ofensas” ao Supremo e a seus integrantes, “com conteúdo de ódio e subversão da ordem”.

Os alvos da investigação são o general da reserva Paulo Chagas, ex-candidato ao governo do Distrito Federal (DF); o escrivão de polícia Omar Rocha Fagundes; a ex-candidata a deputada estadual Isabella Trevisani (PRTB-SP) e outras quatro pessoas. Todos deverão prestar depoimento.


Por decisão de Moraes, eles tiveram bloqueadas suas contas no Twitter, Facebook, Instagram e estão impedidos de utilizar o WhatsApp. A PF vasculha os documentos e dados armazenados em computadores, notebooks e dispositivos móveis apreendidos nesta terça. Os posts de Chagas, por exemplo, foram classificados pelo ministro como “propaganda de processos violentos ou ilegais para a alteração da ordem política e social, com grande repercussão entre os seguidores”.

O general teria sugerido, por exemplo, a criação de um “tribunal de exceção” para julgar os magistrados do Supremo ou até mesmo substitui-los”. Chagas publicou no Twitter, em tom de ironia, que havia sido “honrado com a visita da PF” em sua residência.


Em sua conta no Twitter, onde conta 113 mil seguidores, o general Paulo Chagas comentou a operação da PF. Disse ele: “Caros amigos, acabo de ser honrado com a visita da Polícia Federal em minha residência, com mandato de busca e apreensão expedido por ninguém menos do que ministro Alexandre de Moraes. Quanta honra! Lamentei estar fora de Brasília e não poder recebe-los pessoalmente”.

No caso de Omar Fagundes, o post afirmava que o STF era “bolivariano” e estaria “alinhado com narcotraficantes e corruptos do país”.

Já a ex-candidata Isabella Treviani escreveu: “STF Vergonha Nacional! A vez de vocês está chegando”.


Outra publicação rechaçada pelo relator foi a de Ermínio Nadin, que escreveu: “Máfia do STF: empunha papeis e canetas, protege criminosos, cobra propina de proteção de corruptos, manipula a lei, mata pessoas”.
O post de Carlos Antônio se referia ao Supremo como uma “quadrilha” e, segundo Moraes, incentivava a sociedade a se manifestar para “impedir o livre exercício” da Corte.


Moraes considerou que, em todos os casos, houve extrapolação da liberdade de expressão.

As buscas e apreensões relacionadas aos internautas ocorrem um dia depois que Moraes determinou que a revista “Crusoé” e o site “O Antagonista” retirassem do ar, pelo mesmo motivo, uma reportagem que ligava Toffoli ao delator Marcelo Odebrecht.


A matéria, no entanto, não narra nenhuma irregularidade por parte do presidente do STF, informando apenas que, nos bastidores da empreiteira, ele era conhecido como “o amigo do amigo do meu pai”.
A matéria, no entanto, não narra nenhuma irregularidade por parte do presidente do STF, informando apenas que, nos bastidores da empreiteira, ele era conhecido como “o amigo do amigo do meu pai”.

Por Luísa Martins/ Valor Econômico

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