Lixão invade túmulos no cemitério do Cambiri

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O Fala Leitor desta semana visitou a dona de casa, Valdirene Aparecido, 46 anos, do bairro Jardim Figueiredo, que reclama sobre uma falta grave da Prefeitura: os lixões ao lado do cemitério do Cambiri estão desabando nas sepulturas do local.

O cemitério Parque do Cambiri fica localizado em um quarteirão ao lado do aterro sanitário, que realiza a limpeza urbana da cidade. Com a falta de muro no local, todo o lixo deixado neste terreno, tomou conta da única parte que divide o cemitério e o aterro.

Valdirene conta que desde quando seu filho foi sepultado, não existia um muro que separasse o lixo das covas e a quantidade de entulho aumenta cada dia mais. “O cemitério está a deus dará,  é um desrespeito  para as pessoas que estão enterradas aqui, e principalmente, é desumano”, lamenta.

A equipe de reportagem do jornal Cenário Notícias apresentou o caso ao engenheiro ambiental Robson Blum. De acordo com o especialista, o cemitério é uma área de visitação e respeito, e o impacto do aterro sanitário se torna pior, por ser visual, podendo até transmitir doenças aos funcionários e visitantes do cemitério, além da facilidade de contaminar o lençol freático dependendo  da quantidade de resíduos nos túmulos, e dos defuntos em decomposição.

O engenheiro ainda pontua que os impactos causados no local são divididos em três tipos: Meio Físico, quando há geração de gases poluentes, com a produção de líquidos percolados, como o chorume, o Meio Biótico, que remove a cobertura vegetal do local, e o Meio Sócio Econômico, que desvaloriza os locais próximos aos aterros, devido a degradação ambiental em seu entorno.

Valdirene foi pessoalmente à Prefeitura, entrou em contato por telefone diversas vezes, e apenas informaram para ela aguardar o retorno. Semanas depois, foi até a Secretaria de Serviços Urbanos, no dia 18 de julho, e conversou com o secretário de Obras que garantiu a limpeza em uma semana, porém até hoje nenhum serviço foi realizado.

Os visitantes também têm tido dificuldades para ficar no espaço e realizar sepultamentos. O lixão deixa o mau cheiro no local, com mosquitos e animais peçonhentos, além de animais grandes, como bois e cavalos. “Os próprios funcionários do cemitério informaram que nas próximas chuvas de verão todo o lixão tomará conta das covas”, conta a moradora.

Para Robson Blum, o projeto mais adequado seria a execução de uma campanha no município que abrange o tema de Educação Ambiental, e incentive as gerações futuras a mudarem a cultura, fazendo uma politica ambiental  adequada para reduzir e reciclar seus resíduos. “De imediato, a solução temporária é implantar um aterro controlado, onde não se tem nenhuma impermeabilização para proteção do solo, e  execução de muros para cercar o local impedindo a entrada de pessoas e também outra forma de controle para evitar a poluição é monitorar á área e o lençol freático”.

Em nota, a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos afirmou que desconhece a situação, pois nenhuma reclamação dos moradores foi recebida. Porém, uma equipe da Secretaria de Serviços Urbanos irá até o local e fazer o levantamento real da situação.

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