Por Juliane Gallo

Não poderia deixar de compartilhar minha indignação após assistir à reportagem exibida no domingo (3 de maio) pelo “Fantástico” sobre algo que mata tanto quanto a Covid-19 no País: A CORRUPÇÃO, que, há tempos e infelizmente, está enraizada no sistema político brasileiro e que, agora, encontrou o “filão” da pandemia do Coronavírus para se espraiar de vez, por meio de compras sem licitação, de vantagens ilícitas, de desvios, e de aquisição de materiais de Saúde sem utilidade, ou em excesso, ou com superfaturamento.

Enquanto infectados pela Covid-19 morrem na fila de espera por atendimento, compras emergenciais de respiradores e de equipamentos de proteção, como máscaras, por exemplo, abrem brecha para a fraude em várias Prefeituras e Governos de Estado do País. Segundo a matéria exibida pela “TV Globo”, itens estão sendo adquiridos por valores até 1.600% mais caros que os praticados costumeiramente no mercado.

A reportagem do “Fantástico” denunciou até mesmo uma CONSTRUTORA que está, pasmem, vendendo itens de Saúde para o poder público. Aí, pergunto: no Brasil da trambicagem e da vantagem, como conciliar a necessidade da compra urgente para se salvar vidas com a fiscalização, a investigação?

Ao menos, uma boa notícia na matéria de domingo: no Estado de Santa Catarina, desde 18 março deste ano, uma força-tarefa montada pela Procuradoria-Geral de Contas examina tudo quanto é compra feita neste período de pandemia. Até agora, 9.851 documentos municipais foram checados pelo grupo. Deste número, 401 não passaram pelo pente-fino e estão sob nova análise como possíveis celeiros de irregularidades.

Aos políticos que assinam essas mazelas, mas que se escondem por trás de propagandas institucionais que mais parecem “comercial de margarina”, eu desejo todo O PESO DA JUSTIÇA, em todas as instâncias, inclusive na Divina. Afinal, gestores que se aproveitam de calamidade pública para se darem bem ou para favorecerem fornecedores-amigos não merecem misericórdia alguma: são homicidas.

Se por um lado falta o ar para os infectados da Covid-19, sendo que muitos acabam perdendo a batalha para a doença e morrem solitários e sufocados, por outro há falta de vergonha na cara por parte de alguns de nossos governantes. Vocês não merecem estar nos cargos que ocupam! Lugar de criminoso não é em mandato, não é em Prefeitura, não é em Governo do Estado. Lugar de criminoso é na cadeia!

Juliane Gallo é graduada em Direito, especialista em Defesa do Consumidor, pós-graduanda em Direito Público, membro do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Ferraz de Vasconcelos-SP e pré-candidata à prefeita pelo PSDB