Por: Juliane Gallo

Em 25 de maio, o ex-segurança George Floyd, um homem negro, foi morto asfixiado por quatro policiais na cidade de Minneapolis, no estado de Minessota, nos Estados Unidos. A atuação dos policiais foi registrada por pessoas que passavam pelo local no momento e que até tentaram conter a violência em curso. Floyd gritava, clamava e urrava: “me solte, eu não consigo respirar”, mesmo com seus apelos pela vida por quase dez minutos, sua vida foi tirada de modo banal, vil e sem que houvesse direito de defesa.

Em consequência do homicídio de Floyd, manifestações contra o racismo têm ocorrido diariamente em diversas cidades dos Estados Unidos. O movimento “Black Lives Matter” (Vida Negras Importam) ganhou proporções e mobilizou artistas, esportistas, políticos e a sociedade civil, com direito a incêndios, saques e conflitos entre manifestantes e policiais. Inevitável, o toque de recolher foi decretado em Los Angeles e em Nova York, e a Guarda Nacional, acionada para conter o avanço dos protestos.

No Brasil, em 18 de maio, uma semana antes da morte de Floyd, João Pedro, de 14 anos, foi morto dentro de sua casa, no Rio de Janeiro. O garoto foi alvejado com um tiro na barriga, durante ação de policiais no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A família do menino contabilizou mais de 70 marcas de tiros no interior da residência. Tal brutalidade impulsionou os brasileiros a gritarem “Não aceitamos mais isso”; “A vida dos negros importa”.

Em nosso País, onde 55% da população é negra, apenas 5% dos cargos de chefia das maiores empresas são ocupados por negros, segundo o Instituto Ethos, que aponta, também, que a igualdade racial no mercado de trabalho brasileiro vai demorar 150 anos para ser alcançada no Brasil. Podemos e devemos diminuir esse tempo, pois não há tempo para isso.

Já entre as mulheres, que até 2006 tinham que engolir anúncios de vagas de emprego em aberto trazendo “boa aparência” como requisito, menos de 1% dos cargos de chefia são ocupados por pretas ou pardas, segundo o mesmo Ethos.

Na Educação, embora haja avanços pontuais, especialmente com a implementação da política de cotas, ainda há o que ser superado. Em 2018, por exemplo, o analfabetismo na população parda e preta foi de 9,1%, enquanto entre os brancos o número, três vezes menor. Quanto ao rendimento médio mensal, o valor dos brancos chega a ser até 73,9% superior ao de pretos e pardos.

Há vários outros dados que reforçam a emergente necessidade de mudança. Nos cabe a solidariedade em atos e gestos, mais conscientização e a valorização pela busca incansável pela Justiça. Como bem diz o lema da luta dos negros nos Estados Unidos: “Without justice there is no pace” (Sem Justiça não há paz). Que nos inspire.

Juliane Gallo é graduada em Direito, especialista em Defesa do Consumidor, pós-graduanda em Direito Público, membro do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Ferraz de Vasconcelos-SP e pré-candidata à prefeita pelo PSDB.