O CONDEMAT – Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê realizou na noite da última quinta-feira (24/09) o 3º Encontro de Planejamento e Urbanismo, com a participação de gestores municipais, professores, estudantes e representantes de entidades ligadas ao setor. O evento virtual discutiu os desafios do funcionamento das cidades numa era de pandemias, com importantes reflexões sobre a importância do planejamento urbano para mitigar os efeitos das doenças e promover melhor qualidade de vida aos habitantes.

Convidado especial do 3º Encontro de Planejamento e Urbanismo do Alto Tietê, o engenheiro civil Claudio Bernardes, presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP, apresentou estudos, experiências e instigou o debate sobre a construção de um modelo de repensar as cidades sob a ótica das pandemias, já que pelo histórico desse século, outras sucederão a atual Covid-19.

O palestrante lembrou que nos últimos 20 anos, ocorreram outras cinco pandemias: Sars (2003), Gripe Aviária (2005), Gripe Suína (2009), Mers (2012) e Ebola (2013), essa última a mais letal de todas, com índice de 60% de mortalidade, mas nenhuma tão contagiosa como a atual  Covid, que se espalhou pelo mundo todo. E apresentou dados que confirmam a maior transmissão de doenças no ambiente urbano, entre outras coisas, devido a amplitude dos níveis de conectividade, a autonomia dos agentes e a imprevisibilidade das ações como, por exemplo, uma parcela da população que adota as medidas preventivas e outra que não acredita, não utiliza máscara e não faz o isolamento social.

“A grande questão é como mudar o funcionamento das cidades e torná-las mais resilientes às pandemias. Reverter a urbanização não dá, principalmente se pensarmos que 96% da população do Estado de São Paulo vivem em áreas urbanas. O caminho, então, é entender as dificuldades, pensar que nas cidades que funcionam as pessoas são mais felizes e mitigar os efeitos das pandemias. Existem, por exemplo, instrumentos de uso do solo inteligente que permitem as pessoas se deslocarem menos”, ressaltou Bernardes.

Representantes de entidades como a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Mogi das Cruzes (AEAMC) e professores das faculdades de Arquitetura participaram diretamente do debate, que foi transmitido ao vivo pelo facebook (assista em https://www.facebook.com/condemataltotiete/videos/794142374719807), com mais de mil visualizações.

“Conseguimos ter visões diferentes das nossas cidades de tudo que fomos submetidos a viver nesta pandemia, com reflexões sobre a importância de políticas públicas construídas de forma coletiva, a partir do aprendizado com o passado e um olhar para o futuro. Como colocado pelos participantes no evento, não se trata agora de pensar a cidade que queremos e, sim, a cidade que as pessoas necessitam para viver bem. O CONDEMAT tem cumprido seu papel de estimular esse debate e tratar a região de forma integrada”, avaliou o arquiteto Cláudio de Faria Rodrigues, coordenador da Câmara Técnica de Planejamento e Urbanismo do CONDEMAT.

O Encontro de Planejamento e Urbanismo é uma iniciativa da Câmara Técnica, que reúne gestores das 12 cidades consorciadas ao CONDEMAT, para promover o debate de temas importantes para o desenvolvimento da região. Na primeira edição, em 2018, o evento abordou o desenvolvimento integrado sustentável; no ano passado, os desafios do crescimento populacional; e, agora, o funcionamento das cidades numa era de pandemias.

“Ninguém esperava pela pandemia da Covid-19 e são inquestionáveis os impactos que ela causou no mundo. Impactos esses que vão muito além da saúde pública e da economia. Problemas sociais se mostram muito mais latentes e o planejamento das cidades é decisivo para buscar soluções, principalmente numa região com cidades de características tão diferentes como a nossa”, concluiu o presidente do CONDEMAT, prefeito Adriano Leite.