Com o tema Educação Infantil: Desafios e Perspectivas em Tempos de Pandemia, o 1º  Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê chegou ao fim  com uma intensa participação dos professores da região e de todo o Brasil. As cinco sessões virtuais realizadas durante o mês de setembro já tiveram mais de 70 mil visualizações e permanecerão abertas no portal do Fórum (www.forumeducacaoaltotiete.com.br), onde também estão disponíveis materiais de apoio aos professores e experiências desenvolvidas nas escolas municipais.

Promovido pelo CONDEMAT – Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, o Fórum foi uma iniciativa das secretarias de educação de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano e representou uma importante oportunidade formativa aos profissionais da educação infantil num momento de imensos desafios provocados pela atual pandemia.

Especialistas nacionais e internacionais – Sara Barros, Paulo Fochi, Marcela Pardo, Alexsandro Santos, Fernando Mazzilli Louzada, Márcia Gil, Rita Coelho, Zilma Moraes, Emília Cipriano e Maria Malta Campos – trouxeram reflexões importantes sobre as práticas educativas neste momento em que as crianças ainda estão em casa com suas famílias e sobre os desafios que serão enfrentados quando acontecer a volta às atividades presenciais. Ressaltaram a necessidade de garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento dos bebês e crianças pequenas e argumentaram sobre a importância de que o currículo da educação infantil se mantenha centrado nas crianças e não apenas nos conteúdos.

Os debates evidenciaram a necessidade de maior integração entre as políticas públicas de educação, saúde e assistência social e a grande importância de uma intensa aproximação entre as escolas e as famílias. A pandemia atinge a todos, mas produz consequências diferentes num país tão desigual como o Brasil. Essas diferenças precisam ser consideradas e respeitadas por todos, alertaram os especialistas. As situações de isolamento podem estar produzindo um “estresse tóxico” em crianças expostas a violência, subnutrição, conflitos familiares, perdas de entes queridos e falta de contato com outros colegas.

As discussões ainda chamaram a atenção sobre as consequências profundas desses traumas no desenvolvimento infantil e para os perigos da excessiva exposição a telas e atividades mediadas por tecnologias de educação remota. Também teve atenção especial a situação dos professores, duramente afetados pelas perdas e restrições causadas pela crise sanitária e que devem ser ouvidos, apoiados e participar ativamente dos preparativos para quando as escolas reabrirem, segundo os especialistas.

Na região, três cidades (Arujá, Ferraz de Vasconcelos e Santa Isabel) já suspenderam, por meio de decretos, as aulas presenciais neste ano e nas demais também não há previsão de retorno.

“O Fórum trouxe muitas contribuições para as várias redes que compõem o Alto Tietê sobre retorno às aulas presenciais, seja quando for, e o que fazer para acolher as crianças e acompanhar o desenvolvimento futuro na escola. Esse é o nosso cuidado e a nossa intenção”, avaliou o coordenador da Câmara Técnica de Educação do CONDEMAT, professor Leandro Bassini, ao ressaltar como um dos méritos do Fórum a sua construção coletiva e regional, com o envolvimento direto das secretarias municipais de educação.

Nas conclusões dos trabalhos houve unanimidade de opiniões de que o Fórum é um legado permanente para o Alto Tietê. “O Alto Tietê representa uma das redes educacionais mais importantes do Brasil e dá exemplo, pois os municípios não ficaram parados e nem de braços cruzados. Pelo contrário, estão discutindo os desafios e investindo na formação dos professores”, destacou César Calegari, coordenador do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA), responsável pela organização do evento.

O 1º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê contou com  os apoios e parcerias de Unesco, OEI – Organização dos Estados Ibero-Americanos, Undime – União dos Dirigentes Municipais do Estado de São Paulo, Fundação Itaú Social, Fundação Lemann, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Fundação Santilana, Fundação SM, Fundação Vanzolini, Movimento pela Base Nacional Comum Curricular e Uninove.