A liberdade de expressão e o direito de ir e vir estão ameaçados no Brasil, desde o início do retrocesso político causado com a vitória de Jair Bolsonaro na eleição para presidente. Assim que assumiu o poder, embebecido de vaidade e repleto de ignorância, o chefe da Nação escolheu alguns setores da mídia como inimigos, notadamente os grupos Folha de S. Paulo, O Globo e Estadão. Em quase dois anos e meio de mandato, inúmeros ataques foram proferidos por Bolsonaro e seus asseclas a profissionais da Imprensa.

O cercadinho de quase todas as manhãs, no Palácio da Alvorada, é o espaço predileto do presidente para vociferar frases ofensivas – do tipo “cala a boca” – direcionadas a alguns jornalistas de plantão. De lá também aconteceu o gesto de “banana” para outros repórteres. Sem conter sua truculência, Bolsonaro ainda protagonizou uma declaração misógina, machista, sexista sobre a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. “Ela queria um furo. Ela queria ‘dar o furo’ a qualquer preço contra mim”, disse o presidente no mês de fevereiro de 2020. A apelação de Jair Bolsonaro contra a consagrada jornalista foi para diminuir o impacto da verdade levantada por ela sobre um esquema irregular de disparo de mensagens por WhatsApp nas eleições de 2018, o que beneficiou o então candidato Bolsonaro nas eleições daquele ano. Em março de 2021, a 19ª Vara da Justiça de São Paulo condenou o presidente a pagar R$ 20 mil a Patrícia por ter “violado a sua honra, causando-lhe dano moral”.

E as agressões verbais não param. Outro alvo feminino de Bolsonaro foi a jornalista da TV Aratu, na Bahia, Driele Veiga, no último dia 26 de abril, chamando-a de “idiota” por ela ter simplesmente perguntado o motivo dele ter aparecido ao lado do apresentador Sikêra Jr., com uma placa com os dizeres “CPF cancelado”. Naquele momento, mais de 392 mil pessoas no Brasil havia perdido suas vidas para o vírus da Covid-19.

Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) apontam o nosso presidente como o principal agressor de profissionais da Imprensa. O estudo revela que somente no ano de 2020, houve no país 428 casos registrados de violência contra jornalistas, mais do dobro que no ano anterior, com 208 ocorrências. 

A imaturidade, a insensibilidade, a estupidez e o autoritarismo de Jair Bolsonaro não são obras do acaso. Há uma relação direta com um dos “gurus” do ex-presidente americano Donald Trump, o marqueteiro Steve Bannon. De acordo com Bannon, “deve-se dar declarações diárias, polêmicas, mesmo que absurdas e contraditórias, com o único objetivo de disputar espaço no noticiário. Assim sobra menos espaço na imprensa para críticas ao personagem e/ou governo. Quanto mais absurda a declaração, melhor”. Essa então é a prova da fonte do ensinamento copiado pelo presidente brasileiro, e que ele põe em prática todos os dias, seja contra os jornalistas, as empresas de comunicação, os opositores, o PT, Lula, e por aí vai . . .

E toda essa verborragia de Bolsonaro contagia seus mais fanáticos discípulos, aquela turma que o considera “Mito”. Gente que por questão ideológica (se é que há ideologia nisso), acaba tomando partido do presidente e sai às ruas travestidos de verdadeiros milicianos, dispostos também a agredir em nome de seu “amado mestre”. Foi assim que aconteceu no dia 23 de maio passado, com o repórter da CNN Brasil, Pedro Durán, ao cobrir o evento pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro. A turma do presidente o chamou de “lixo”, “vagabundo”, “comunista”, e muitos ainda o ameaçaram de agressão física. Graças à ação de policiais, Durán não sofreu ferimentos.

Assim caminha lamentavelmente a nação, que, se por um lado tem uma parte da Imprensa que enxerga os absurdos praticados por Jair Bolsonaro e sua trupe, tem do outro lado uma mídia chapa branca (puxa-saco) que viu na figura do presidente um parceiro de negócios, além de apoiar suas ideias conservadoras. Podemos aí incluir: a Rádio Jovem Pan e as Tvs Record, SBT e Rede TV, sem contar youtubers que caíram nas graças da agenda de Bolsonaro, sempre passando pano para os erros, dispostos a criticar a oposição e intelectuais que apontam com coragem uma única saída para salvar os brasileiros: o impeachment. Se isso não acontecer, caberá à maioria dos eleitores derrotar em 2022 essa direita-extremista raivosa que tomou o poder e fez do país um espaço autoritário, em plena democracia. 

E não faltam motivos para a derrocada de Bolsonaro. A CPI da Covid em curso no Senado está revelando o quão desastroso tem sido o seu governo para combater o vírus, para administrar a crise sanitária, para cumprir protocolos mínimos, como o simples ato de usar máscaras e não se aglomerar.

Fora Bolsonaro!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB, 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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