Jair Bolsonaro pode estar com os dias contados na Presidência do Brasil. E sua saída tem chance de acontecer antes de 01 de janeiro de 2023 (quando assumirá o futuro presidente), através da aprovação de um impeachment no Congresso Nacional.

No cenário político atual, o presidente perdeu boa parte de sua popularidade com índices de reprovação crescentes. Em pesquisa do Instituto PoderData realizada de 22 a 26 de maio, a rejeição a ele chegou a 59% (o maior nível desde junho de 2020). No Datafolha da primeira quinzena de maio, 54% dos entrevistados também desaprovaram Bolsonaro.

Essa indignação contra o chefe da Nação pôde ser vista nas recentes manifestações. No domingo que passou, dia 29, milhares de pessoas tomaram as ruas das capitais, do Distrito Federal e de inúmeras outras cidades para protestar contra o presidente e sua política no combate ao coronavírus, exigindo mais vacinas e sua saída do cargo. Houve ainda atos em 14 países.  Faixas com os dizeres “Fora Bolsonaro” e “Genocida” eram vistas por todos os lados. E nesses protestos, organizados por movimentos sociais, partidos de oposição, sindicatos e estudantes, a grande maioria usava máscara e se sentiu meio que obrigada a sair às ruas por não aguentar mais a situação dramática vivida no Brasil com a morte de parentes, amigos e vizinhos causada pela Covid-19.

Até então, cabia ao presidente um certo monopólio de aglomerar o seu povo fiel e apaixonado por um conjunto de pautas políticas polêmicas, como a Intervenção Militar, a volta do AI-5, a invasão do STF, o armamento de civis, entre outras pautas sanitárias igualmente confusas, a exemplo da recusa do uso de máscaras e a utilização de medicamentos não comprovados cientificamente para o tratamento precoce da Covid-19. Bolsonaro sempre negou os protocolos mundiais para combater a doença e demorou para tomar decisões, como nos casos das compras de vacinas.

Agora, o jogo parece ter virado e há alguns fatores pra fortalecer essa tese, como avalia tão bem o jornalismo da BBC Brasil que ouviu especialistas no assunto. Para eles, após o 29 de maio, Bolsonaro perde o monopólio das ruas, com a possibilidade de impeachment voltando à mesa. Além disso, os partidos que formam o Centrão podem mudar de lado, deixar de apoiar o governo e seus projetos, devido ao crescimento das pressões populares e à queda de popularidade do presidente, o que compromete seu objetivo de reeleição. E por fim, a CPI da Covid em curso no Senado alcança milhões de pessoas com as transmissões de depoimentos ao vivo e deixa cada vez mais claro o desgoverno de Jair Bolsonaro na cadeira da Presidência.

O presidente então tá numa “sinuca de bico”. Sua estratégia de “toma lá dá cá” com o pessoal do Centrão parece que não vai segurá-lo por muito tempo no cargo. Na verdade, hoje, os parlamentares aliados estão mais propensos a pular fora por dois motivos: a volta dos protestos nas ruas e o desenrolar da CPI que revela as omissões e erros de Bolsonaro nesses tempos de pandemia. 

Outro detalhe: o ex-presidente Lula se fortalece como o principal adversário do atual presidente. Após ter recuperado os direitos políticos, a figura histórica do PT virou “a bola da vez” por receber atualmente mais apoio e reconhecimento de seus primeiros anos na Presidência, onde houve inúmeros avanços na área social. Os dados das últimas pesquisas dão vantagem a Lula sobre Bolsonaro num eventual segundo turno das eleições de 2022.

É melhor “Jair se acostumando”, para não se surpreender. E a onda de protestos não deve parar por aí. As frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, que reúnem diversos movimentos sociais, estudam nova data para uma segunda grande manifestação contra o presidente.

Em paralelo a isso, especialistas em medicina preveem uma terceira variante da pandemia, agravada pela cepa indiana que chegou ao país. Para vencer essa guerra contra a Covid, não haverá saída se não aumentar o número diário de vacinas na população e impedir Jair Bolsonaro de continuar presidente.

FORA BOLSONARO! VACINAS PARA TODOS!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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