Vamos imaginar a seguinte manchete nos jornais: “Brasil vacina maioria de jovens e adultos e população já pode andar nas ruas sem máscara”. Infelizmente isso não é verdade, pois a truculência e a ignorância do governo de Jair Bolsonaro ao recusar a compra de vacinas no segundo semestre do ano passado prejudicaram a luta contra o coronavírus.  

O presidente e seu então ministro da Saúde Eduardo Pazuello deixaram por exemplo de responder a 53 e-mails da empresa norte-americana Pfizer que oferecia 70 milhões de doses – cada dose por 10 dólares. O último e-mail enviado aconteceu em 2 de dezembro de 2020, conforme apurou no Senado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.

E a própria Pfizer vendeu a outras nações a mesma dose pelo dobro do preço ofertado ao nosso país. Em poucos meses, Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia tiverem seus índices da doença e o número de mortes reduzidos significativamente, devido à vacinação em massa. No último dia 05 de junho, o Estado de Nova Iorque registrava 95% de queda no número de casos e nenhuma morte pelo coronavírus.

Soma-se a isso outro fato: em 20 outubro de 2020, Pazuello havia anunciado a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac (desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan). No dia seguinte, 21, Bolsonaro o desautorizou e a compra acabou suspensa. Na época, a disputa política com o governador de São Paulo, João Doria, estava acirrada e a decisão do presidente tinha esse pano de fundo como principal motivo, apesar de sua argumentação de que a Anvisa ainda não havia aprovado a vacina. Teoria que não se sustenta, já que no mesmo semestre daquele ano, o governo fechava negócio para a compra da vacina inglesa da Universidade de Oxford com a Fiocruz, a AstraZeneca. Para o epidemiologista José Cassio de Moraes, “num momento de alta demanda por um produto escasso, a reserva de potencial vacina era uma questão estratégica”. Prova é que os Estados Unidos não consultaram o FDA (Food andDrugAdministration) – a Anvisa deles – antes de comprar as vacinas, sem saber se eram ou não eficazes.

Atualmente, os erros do desgoverno de Jair Bolsonaro no combate à pandemia já ceifaram a vida de mais de 470 mil pessoas em nosso país. Número equivalente a soma do público total de sete estádios de futebol. De acordo com o médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina, ”todos os brasileiros que morrerem a partir de maio têm o endereço de quem os matou: mora no Palácio do Planalto. Se as vacinas tivessem sido compradas e aplicadas, em meados de maio nós teríamos derrubado a mortalidade”. Gonzalo também avalia que sem essas doses e com os atrasos na entrega de insumos em decorrência da demanda mundial e da dependência externa, a cobertura vacinal deve ser concluída somente daqui a seis meses, no mínimo. Em outras palavras, mais gente perderá a vida por conta da burrice do presidente.

E mais: a CPI da Covid investiga a formação de um “gabinete paralelo” ao Ministério da Saúde, formado por um grupo de conselheiros do presidente que defendeu o uso de medicamentos sem eficácia e contra as vacinas. Entre esses negacionistas e obscurantistas estão os médicos Nise Yamaguchi (já sabatinada pelos senadores da CPI) e Osmar Terra, deputado federal e ex-ministro da Cidadania que deverá ser ouvido nos próximos dias. 

Tentando fazer o mea-culpa, no último dia 02 de junho, em rede nacional, Bolsonaro fez um pronunciamento à nação em que ele enfatiza a vacinação e lamenta as mortes por Covid-19. Essa inflexão do presidente da República representa um atraso fatal e doloroso, como avaliam nove dos senadores que compõem a atual CPI, em nota distribuída à Imprensa.

Por tudo isso, só nos resta lamentar a falta de sensibilidade em cuidar de vidas do governo de Jair Bolsonaro. Cabe ao povo brasileiro decidir apoiar o impeachment ou decidir nas urnas a derrota do genocida nas eleições de 2022.

Fora Bolsonaro! Vacinas para todos!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos 

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