A antecipação da vacinação para os profissionais da Educação de estado de São Paulo para iniciar dia 11/06 foi a melhor notícia da semana.

Erra quem entende que foi uma decisão corporativa que será boa apenas aos docentes.

A decisão acertada do governo paulista beneficia profissionais, familiares e os quase 10 milhões de estudantes matriculados na rede estadual, nas redes municipais e particulares. É a decisão racional que permitirá o retorno dos estudantes o mais rápido possível para o convívio no espaço escolar.

Todos que de alguma forma estamos envolvidos com o dia a dia da Educação, seja como profissional ou como familiar, têm percebido de maneira empírica o prejuízo na aprendizagem.

Com a vida dos profissionais em segurança, é urgente que o debate sobre a recuperação das aprendizagens comece o quanto antes. As pesquisas já apontam para o déficit que essa geração terá caso nada seja feito para recuperar esse tempo. Em outras colunas já afirmei e reafirmo. O ano escolar não foi perdido. Os estudantes aprenderam dentro das possibilidades que tinham com esforço grande dos profissionais, das famílias e deles próprios.

Contudo, não podemos ser ingênuos em acreditar que uma aula realizada pelo smartfone ou por vídeos em plataformas de WhatsApp seja capaz de substituir a aula presencial com os docentes. Essa forma serviu como um arranjo para o período de guerra que estamos submetidos. É necessário pensar agora em reconstruir o que ficou para trás.

Para essa reconstrução é essencial que saibamos o tamanho do problema.

  1. 1. O Aumento da desigualdade – A crise educacional atingirá os mais vulneráveis, a pobreza cresce em escala e a condição de permanência dos jovens na escola começa a se deparar com as questões materiais de sobrevivência. A crise econômica é ainda mais cruel com os mais pobres.
  2. 2. A evasão escolar – movidos pela busca da sobrevivência o número de estudantes que abandonam a escola cresce vertiginosamente. Em São Paulo esse indicador chega a 13% de jovens entre 16 e 17 anos de idade. No Maranhão, por exemplo, o indicador bate os 27% de jovens fora da escola. (fonte: IEDE). O dado é estarrecedor.
  3. 3. O déficit de aprendizagem- As pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF já apontam que pode demorar até 13 anos para essa geração recuperar o que ficou para trás. A proficiência em Língua Portuguesa de uma criança que hoje está no 5º ano, com a pandemia se equipara a aprendizagem de uma criança que cursa o 3º Ano. A proficiência em Matemática é ainda mais alarmante com problemas evidentes em multiplicação, divisão e leitura de gráficos ou tabelas.

Além do fundamental da garantia da vida, ao menos esses três pontos apresentados já são motivos suficientes para comemorar e muito o a vacinação dos profissionais e retorno às aulas. A partir dessas questões teremos que construir um plano de recuperação de aprendizagem com muita sensibilidade com todos, com elevado grau de profissionalismo, comprometimento para garantir e ampliar investimentos e muito diálogo.

Precisamos comemorar e pensar como será o dia depois de amanhã. Todos teremos muito trabalho pela frente.

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Inauguraremos a partir da próxima semana que uma série de textos que chamaremos de Diálogos, as colunas serão escritas com a participação de um convidado especial. Teremos a pauta da Educação em diálogo com outras frentes como Juventudes, Ensino Religioso, Gestão Pública e diversos temas com amigos que são referências no campo em que atuam.

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O prof. Diego Moreira é Doutorando e Mestre em Educação pela PUCSP.

É graduado em História e Pedagogia.Atua há mais de 20 anos na Educação, passando por todos os segmentos do ensino. É professor universitário há 13 anos. Já coordenou cursos de graduação e pós-graduação. Atua também como analista e consultor no mercado editorial, escolas, prefeituras e Institutos de Educação.

Dirige a Escola dos Saberes. Faz palestras e consultorias em todo o Brasil.É um dos autores no livro: BNCC na prática e do livro de literatura infantil: Chicó, o corajoso.

É pai da Ana Clara e da Carolina, esposo da Prof. EvelizeZamone. É apaixonado pela Educação.

e-mail:  professordiegomoreira@hotmail.com  / Instagram: @profdiegomoreira

site: www.profdiegomoreira.com.br

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