O compromisso do mercado editorial com a formação docente ainda é algo recente, embora já seja possível reconhecer experiencias exitosas espalhadas pelo Brasil.

Diante do dilema de pensar sobre processos formativos autônomos e descolados de interesses movidos pela perspectiva (apenas) da adoção do livro, as grandes editoras assumem protagonismo em processos complementares de formação em redes públicas e privadas e conseguem ofertar programas formativos, planejamentos consultivos e cursos com especialistas.

O foco deste diálogo não é questionar a expectativa ou a natureza dessa oferta formativa, mas a possibilidade de boas experiências e contribuição que as editoras têm dado no permanente processo de formação. Assumindo um papel de construir pontes entre Universidades, Secretarias de Educação, Organizações do terceiro setor e organizações de classe o mercado editorial ganha relevância ao criar departamentos educacionais que aproximam autores, gestores, professores e estudantes.

A formação permanente dos profissionais do ensino é um grande desafio. As redes estaduais, municipais e privadas precisam constantemente investir nessa continuidade de estudos e pesquisas. Pois a Educação, assim como qualquer outra área do campo acadêmico e profissional necessita permanecer em processos formativos. Nesse sentido é importante que todas as instituições envolvidas no processo assinalem o compromisso com o desenvolvimento do campo e dos profissionais. Com investimentos internos nas suas estruturas e com canais eficientes para contribuir com os gestores e professores.

O amadurecimento do mercado editorial tem apontado que a construção de cursos, a organização de seminários, jornadas e formações mais amplas se tornaram um importante canal de diálogo para a formação permanente dos professores e gestores. Ou seja, o vínculo construído com as redes de ensino, escolas e docentes devem extrapolar a explicação sobre o uso do material didático adotado e apresentar soluções que auxiliem o docente sem retirar seu protagonismo e autonomia. Esse é um ponto importante para refletirmos aqui.

O fomento e o estímulo à pesquisa, a divulgação do conhecimento por meio de portais abertos com conteúdos gratuitos, o incentivo à pluralidade de perspectivas teóricas e conceituais, bem como o avanço em pautas sobre processos de gestão, uso de evidências, diversidade metodológica e uso de ferramentas digitais são parte das temáticas que pertencem a esse universo formativo.

Se numa ponta as editoras devem se profissionalizar nas relações com a escola e com a pesquisa, na outra ponta as redes de ensino e as escolas podem compreender melhor esse funcionamento exigindo mais.

Sendo assim, para as editoras cabe o alinhamento dos materiais com as novas legislações, o diálogo sobre as expectativas dos projetos escolares e a oferta de soluções personalizadas, são alguns exemplos da lição de casa que as editoras devem fazer. Os produtos devem servir aos projetos escolares e não ao contrário.

Por sua vez, as escolas precisam fortalecer seu projeto político pedagógico, retomar suas identidades e histórias e escolher o melhor conjunto de soluções disponíveis. Podendo inclusive optar por nenhuma relação com editora. A grande questão é ter clareza do projeto pedagógico e o que pode ou não contribuir.

No interior das escolas, não podemos esquecer que existem mais dois atores fundamentais: Professores e Pais.

Aos docentes o ideal seria que tivesse a oportunidade de realizar uma análise apurada sobre o material e todas suas ferramentas. Junto aos pares pactuasse a escolha e os limites do uso do material.

Aos pais vale o diálogo com a escola sobre os limites do uso, e a compreensão que material didático não é livro sagrado, ou seja, pode ser utilizado da melhor forma didático metodológica e não como uma amarra sequencial para controlar professores e estudantes.

Todos os adultos envolvidos nessa equação precisam manter canais de diálogo, disposição para investimento e profundo compromisso ético com a Educação.

A faceta editorial para a formação de professores pode ser ainda mais explorada pelas redes de ensino e escolas. As editoras ainda possuem uma longa estrada para continuarem se aperfeiçoando e ofertando mais e melhor programas de formação e conjunto de soluções e as famílias devem estar atentas às escolhas e aos vínculos que se estabelecem para a aprendizagem das crianças.

Não tem caminho simples. Existe sim, uma grande porta para abrir na busca de excelência e permanente construção de saberes. 

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O prof. Diego Moreira é Doutorando e Mestre em Educação pela PUCSP.

É graduado em História e Pedagogia.Atua há mais de 20 anos na Educação, passando por todos os segmentos do ensino. É professor universitário há 13 anos. Já coordenou cursos de graduação e pós-graduação. Atua também como analista e consultor no mercado editorial, escolas, prefeituras e Institutos de Educação.

Dirige a Escola dos Saberes. Faz palestras e consultorias em todo o Brasil.É um dos autores no livro: BNCC na prática e do livro de literatura infantil: Chicó, o corajoso.

É pai da Ana Clara e da Carolina, esposo da Prof. EvelizeZamone. É apaixonado pela Educação.

e-mail:  professordiegomoreira@hotmail.com  / Instagram: @profdiegomoreira

site: www.profdiegomoreira.com.br

Elaine C. Castello

Elaine C. Castello, é mestranda na PUC-SP, com especializações nas áreas de Educação e infância, saúde e gestão de pessoas, é graduada em Pedagogia e formada no magistério do CEFAM. Foi professora universitária e gestora de colégios particulares e confessionais em SP. Possui ampla experiência em formação de professores e gestores. Atualmente é gerente nacional de redes confessionais da FTD Educação e pesquisadora das temáticas de currículo, planejamento e metodologias, com experiencia em escolas do Brasil, Argentina, Chile, Portugal e Itália, tendo como objetivo a formação e o desenvolvimento de professores e coordenadores.

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