Em recentes pesquisas dos institutos Datafolha, Ipec e XP-Ipespe, Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem significativa sobre Jair Messias Bolsonaro, na corrida eleitoral para o cargo de presidente do próximo ano. Com uma diferença de percentuais entre um instituto e outro por conta das datas alternadas em que foram realizadas, fora a margem de erro de 2% para mais ou para menos calculada nesse tipo de levantamento, Lula venceria Bolsonaro e os demais pré-candidatos em quaisquer simulações de primeiro e segundo turnos. Se a disputa eleitoral ocorresse hoje, o líder do PT seria conduzido à cadeira presidencial pela terceira vez.

De acordo com o XP-Ipespe, no segundo turno Lula chega a 45% das intenções de voto; Bolsonaro, 36%. Para o Ipec, Lula vence já no primeiro turno, com 49% contra 23% de Bolsonaro. E no Datafolha, Lula soma no segundo turno 55%; Bolsonaro, 32%. Em ambas pesquisas, outros pré-candidatos foram lembrados: Ciro Gomes, Sérgio Moro, Luiz Henrique Mandetta, João Amoêdo – todos esses com baixo percentual de votos.

Sobre as pesquisas, tenho observado em conversas com amigos e através de leituras de mensagens nas redes sociais, que o presidente Bolsonaro e seus apoiadores têm se posicionado duvidosos sobre os resultados revelados. Na verdade, o desconfiômetro dos bolsonaristas está diretamente ligado ao fato de seu candidato estar perdendo fôlego entre os eleitores.  É o que resta aos negacionistas. E aí não faltam teorias conspiratórias e bobagens na boca desse povo: “Eu nunca fui entrevistado”, dizem alguns. “As pesquisas são compradas pelos apoiadores do PT para favorecer Lula”, avaliam outros.

É preciso então entender de forma didática como são elaboradas as pesquisas eleitorais, com base no site Politize (www.politize.com.br). 1 – Encomenda: A pesquisa é encomendada por um grupo de mídia. Ela é uma ferramenta que auxilia os meios de comunicação na cobertura jornalística; 2 – Escolha dos entrevistados: O instituto de pesquisa seleciona um grupo de pessoas que representem toda a população, como idade, renda, gênero, escolaridade, etc. Este grupo é chamado de amostragem; 3 – Realização das entrevistas: O entrevistador aborda pessoas que possuam as características definidas na amostragem. A entrevista é realizada nos domicílios ou em locais com fluxo de pessoas; 4 – Checagem: Após entrevistas, o instituto de pesquisa entra em contato com 20% dos entrevistados, para conferir se os dados anotados estão corretos; 5 – Resultados: Com a supervisão de um estatístico, os dados são analisados através de vários métodos, até chegar ao resultado final da pesquisa; 6 – Registro: A pesquisa é registrada na Justiça Eleitoral em até cinco dias antes da sua divulgação. No documento devem constar dados como contratante, valor pago, questionário aplicado e métodos utilizados. Pronto, a pesquisa já pode ser divulgada!

E quantas pessoas são entrevistadas? Isto depende de alguns fatores, como o tamanho do município e o quanto a pesquisa terá de margem de erro.

Há também de se considerar que existem institutos sem credibilidade, e por vezes, principalmente em eleições municipais, essas empresas de pesquisas não idôneas acabam informando dados manipulados para favorecer um ou outro candidato a prefeito e seu respectivo grupo. Não é o caso de Datafolha, Ipec (antigo Ibope) e XP-Ipespe analisados neste artigo.

Entendo que os bolsonaristas deveriam se preparar melhor e parar de divulgar fake news ou teorias conspiratórias para desprestigiar os grandes institutos, pelo simples fato deles apontarem uma eventual derrota de Bolsonaro em 2022.

Aliás, o perfil dos negacionistas reflete as ideias sem sentido do próprio presidente. Querem por exemplo urnas com recibo individual impresso dos votos, com o pretexto de que as urnas eletrônicas fabricam resultados (discurso de quem já prevê a derrota). Repetem ainda como papagaios o blábláblá negativo sobre as vacinas, para impor medicações já apontadas como ineficazes no tratamento precoce contra a Covid-19. São contrários ao isolamento social ditado por governadores e prefeitos, no sentido de preservar vidas. Recusam também as investigações da CPI da Pandemia que já revelou a demora na compra de vacinas por parte do governo federal e agora investiga a denúncia de contrato superfaturado na aquisição de vacinas indianas Covaxin. Meus amigos, Jair Bolsonaro saiu da negação da ciência para a negociação das vacinas . . .

Caso o presidente não sofra impeachment, a tendência é dele continuar no cargo “sangrando” até as eleições do ano que vem. Pelo jeito e devido ao crescimento de sua reprovação (49% no Datafolha), é bem provável que as pesquisas atuais já apontem o futuro presidente do Brasil: Lula. Assim, o Brasil ficará livre de péssimos gestores e poderá resgatar um dos raros presidentes que fez muito pela classe trabalhadora, pelos mais pobres, com a valorização do salário mínimo em mais de 70%, com acesso à casa própria popular, com as cotas nas universidades, sempre valorizando diversos programas sociais e de inclusão para diminuir a desigualdade do país. Lula cometeu erros: não fez o enfrentamento contra os grandes bancos e contra as grandes fortunas, para o país ser mais justo na política de juros e os mais ricos pagarem mais impostos do que os mais pobres. O seu retorno à Presidência lhe dará a oportunidade de mexer com esses poderosos.

Em Brasília, na última quarta-feira, 30 de junho, um superpedido de impeachment contra Bolsonaro foi protocolado na Câmara dos Deputados. O documento foi assinado por partidos de esquerda, centro-direita e parlamentares que romperam com o Centrão.

Por aqui, na minha querida Ferraz de Vasconcelos, fico na torcida pelo fim da era Bolsonaro!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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