Na pequena Serrana, cidade do Interior do Estado de São Paulo, o Instituto Butantan realizou um estudo para avaliar a eficácia da vacina Coronavac em populações inteiras. Concluído o projeto, houve queda de 95% no número de mortes por Covid-19, redução de 80% nos casos sintomáticos da doença e diminuição de 86% nas internações hospitalares.

No início das vacinações em Serrana, no mês de abril de 2021, observou-se que o número de casos caiu de 699 (no mês anterior) para 251. No mesmo período, as mortes passaram de 20 para seis, conforme dados divulgados. A imunidade de rebanho foi atingida com 75% dos adultos vacinados. De acordo com a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Institute, “a vacinação em larga escala é capaz de controlar a doença e proteger inclusive aqueles que não foram imunizados”.

A realidade em Serrana se difere de outros municípios da região, entre os quais: Altinópolis, Brodowski, Cajuru e Ribeirão Preto. Nessas localidades foram necessários novos lockdowns para conter o número de mortes e o colapso na área da saúde.

Fora esse tipo de experiência com vacina em larga escala e diminuição de mortes, a realidade do país é bem cruel, pois já chegamos a 529 mil mortes (em 08 de julho). Estamos atrás apenas dos Estados Unidos, onde morreram 605 mil pessoas. Lá, entretanto, ao contrário do Brasil, a porcentagem da população totalmente vacinada contra a Covid soma hoje 47,6%; por aqui, somente 13,2% dos habitantes foram completamente vacinados. E o resultado disso: a média diária de mortes pela doença nos Estados Unidos está em torno de 200 pessoas. No Brasil, a média é de cerca de 1.500 por dia. Isso significa que o número de mortes no solo americano poderá ser superado em breve pelo do nosso país, que vacinou ainda pouca gente.

O presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores negacionistas sempre desconfiaram da eficácia das vacinas com o falso discurso de que não são necessárias devido à medicação precoce (sem comprovação científica) divulgada pelo governo. Lembram-se das caixas de Cloroquina e Hidroxicloroquina nas lives de Bolsonaro; e na resistência dele em comprar vacinas, enquanto outros países saíam na frente imunizando seus povos. Dados do jornal O Globo revelam que o presidente defendeu o uso da cloroquina em 23 discursos até o último mês de maio. Na rede social Facebook, Bolsonaro supera todos os que divulgaram a favor da tal medicação – entre março de 2020 e maio de 2021, considerando os 100 textos com mais interações sobre cloroquina, tanto em português quanto em outras línguas, o presidente do Brasil foi o autor de 42 mensagens (quatro em cada dez).

Lamentavelmente, o discurso negacionista de Bolsonaro sobre as vacinas influencia muito os seus apoiadores. Há inúmeras pessoas que ainda se recusam a tomar as vacinas, pois acreditam que a imunização de rebanho se dá por contato com o vírus, nas ruas, não pelo resultado eficaz proveniente das vacinas.

E a consequência da soma de poucas vacinas e resistência de muitos coloca o Brasil em péssima posição no ranking de vacinação que compara o número de doses com o tamanho da população. Somos apenas a 68ª nação do mundo, enquanto Reino Unido (1ª), Estados Unidos (2ª), Canadá (3ª), Alemanha (4ª), Itália (5ª) ocupam melhores colocações por terem vacinados mais pessoas em proporção ao número de seus habitantes. Hoje, em diversas cidades desses outros países citados, já é possível andar sem máscaras e se aglomerar em eventos como jogos de futebol e shows ao vivo.

A situação também é complicada na comparação entre o número de vacinas e a população na maioria dos municípios brasileiros. A nossa querida Ferraz de Vasconcelos, por exemplo, ocupa apenas a 633ª posição no Vacinômetro do Governo de São Paulo, entre um total de 645 cidades do Estado. Estamos praticamente segurando a lanterninha, com somente 32,6% dos moradores ferrazenses vacinados (soma da 1ª dose com a dose única). E apesar do marketing da prefeita Priscila Gambale, com discurso de eficácia na administração, a realidade é bem diferente, porque menos da metade dos habitantes da cidade tomou as doses.  

Estamos de olho! Vacinas para todos! Fora Bolsonaro! Acorda prefeita!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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