A formação permanente dos profissionais do ensino é um grande desafio. As redes estaduais, municipais e privadas precisam constantemente investir nessa continuidade de estudos e pesquisas. Pois a Educação, assim como qualquer outra área do campo acadêmico e profissional necessita permanecer em processos formativos.

Um ponto importante para destacar é a necessidade de desfazer o mito da formação inadequada dos professores na perspectiva da culpa do indivíduo. Atribuir lacunas de formação ao próprio professor, como se ele fosse o único responsável por se formar.

Como assim? E, não é?

Não, docente não se atribui o título, a pessoa é submetida a ao menos quatro anos de graduação. Aprovado pela Universidade que lhe confere um diploma que o habilita para atuar profissionalmente.

Simplificar essa informação e “culpar” o docente isoladamente é ruim para todos; gestores, profissionais, estudantes e famílias. Há uma linha tênue que precisa ser observada com lucidez que é a diferença entre o constante aprofundamento sobre a profissão e seus conhecimentos e a crescente desvalorização do profissional com a justificativa da formação precária e a consequente responsabilização pelo processo formativo única e exclusivamente do docente.

Ou seja, reconhecer que precisa melhorar a formação não pode ser motivo para desvalorizar o profissional que atua diariamente nas salas de aula espalhadas pelo Brasil. Esse é um ponto central. É preciso olhar para a Universidade, para as redes de ensino e para o indivíduo. Sem perceber todos os envolvidos toda análise ficará míope e não será capaz de propor melhorias. 

Percebido esse primeiro aspecto da formação inicial dos professores realizada pelas Universidades, outro aspecto é o da formação como implantação de política educacional.

Os estados e municípios podem e devem dar continuidade na formação de seus profissionais como forma de implementar as políticas educacionais preconizadas em cada gestão.

Um exemplo dessa questão é o investimento em formação de professores e gestores para a melhoria de indicadores de alfabetização das crianças, ou cursos e seminários para melhorar o ensino de matemática. As secretarias de educação devem ter um diagnóstico claro acerca das principais lacunas formativas para o ciclo de gestão  garantir espaços de escuta dos profissionais para que estes sinalizem suas principais expectativas sobre o que desejam aprofundar saberes, sejam eles teóricos ou práticos.

Bons diagnósticos para formação permanente, espaços de escuta da rede e zelo pelo dinheiro público são pistas importantes.

Os gestores escolares como formadores de professores.

Para que esse processo de formação permanente ocorra com sucesso, outro aspecto fundamental é a assunção de parte do papel formativo pelos gestores escolares. Diretores e Coordenadores precisam assumir uma parcela dessa formação no cotidiano das escolas.

Além da esfera organizacional no âmbito das secretarias, a participação e o reconhecimento dos gestores que dão continuidade na formação docente no interior da escola é um aspecto relevante. Os diretores e coordenadores já realizam inúmeras atividades formativas de natureza administrativa e pedagógica, essa pratica de orientação, continuidade dos debates e aprofundamento conceitual e atitudinal são levadas a cabo no cotidiano das escolas com a participação efetiva dos profissionais da gestão escolar, sendo assim também é importante que contemple a formação dos gestores para que possam dar conta de assumir tarefas formativas. As escolas ainda precisam avançar na pauta de formar gestores que tenham a possibilidade de atuar tecnicamente, administrativamente e pedagogicamente. Sempre lembrando que as questões pedagógicas são o coração da escola.

Os docentes e as oportunidades de  formação.

É fundamental que compreendemos com profundidade as possibilidades reais de formação dos docentes, então um ponto central é que a formação continuada precisa ocorrer em trabalho, pois nem sempre é possível que professores consigam realizar fora de seu horário de trabalho. A partir desse alinhamento a oferta de cursos e programas pode ser desenhada com finalidades objetivas capturadas nos diagnósticos dos municípios. Ou seja, a formação do professor ofertada pelas redes de ensino precisam necessariamente estar conectada com as demandas de avanço e melhorias de aprendizagem dos estudantes. A formação deve ocorrer com clareza de objetivos.

Ainda assim, poucos municípios possuem estimulo de carreira para os docentes que ampliam a formação acadêmica (especializações, mestrados e doutorados), uma pauta importante para estimular a formação docente é a adequação nos planos de carreiras que contemplam progressões por meio de cursos validados em qualidade pelas secretarias de ensino.

Por fim, a formação permanente de professores exige esforços de todos os envolvidos, desde o escalão que dirige as secretarias, os gestores escolares e os docentes. É fundamental que se crie consensos, organize percursos formativos e faça investimento de capital e trabalho para que a formação permanente seja também um braço de avanço na qualidade da educação de cada cidade.

A formação continuada dos professores é hoje um dos principais caminhos para avançar a Educação do Brasil. Com respeito as trajetórias, planejamento orçamentário adequado e bons diagnósticos técnicos é possível melhorar.

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O prof. Diego Moreira é Doutorando e Mestre em Educação pela PUCSP.

É graduado em História e Pedagogia.Atua há mais de 20 anos na Educação, passando por todos os segmentos do ensino. É professor universitário há 13 anos. Já coordenou cursos de graduação e pós-graduação. Atua também como analista e consultor no mercado editorial, escolas, prefeituras e Institutos de Educação.

Dirige a Escola dos Saberes. Faz palestras e consultorias em todo o Brasil.É um dos autores no livro: BNCC na prática e do livro de literatura infantil: Chicó, o corajoso.

Instagram: @profdiegomoreira  site: www.profdiegomoreira.com.br

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Márcia Bernardes, Dirigente Municipal de Educação de Mairiporã-SP, na região metropolitana de São Paulo, é formada em Letras e Pedagogia. Possui especialização em Psicopedagogia, Supervisão Escolar, Gestão na Educação Infantil e especialização em Alfabetização.

Foi Dirigente Municipal de Educação do município de Atibaia-SP por 8 anos (2013/2020), onde é diretora de escola efetiva. Já atuou e atua em diversas frentes e grupos de trabalho relacionados às políticas públicas educacionais no Estado de São Paulo e na esfera federal.

Está em seu segundo mandato como presidente da Undime São Paulo. É professora universitária da UniFAAT Centro Universitário e professora da pós-graduação do Instituto Casagrande.

Instagram: @mbernardes36

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