Por inúmeras vezes, mesmo antes de assumir a Presidência do Brasil, Jair Bolsonaro mostrou ser homofóbico, repleto de preconceitos e protagonista de ódio contra os homossexuais. Postura que serve de espelho para milhões de brasileiros que lamentavelmente pensam e se comportam como o presidente.

Antes de prosseguir sobre o comportamento de Bolsonaro, é importante lembrar a definição da palavra homofobia: “termo utilizado para designar uma espécie de medo irracional diante da homossexualidade ou da pessoa homossexual, colocando este em posição de inferioridade e utilizando-se, muitas vezes, para isso, de violência física e/ou verbal”.

Todo esse conceito faz parte da agenda do presidente, seja através de declarações, seja em suas posturas gestuais, a exemplo das motociatas em que Bolsonaro aparece rodeado de admiradores que o acompanham enfileirados. Observem que os personagens nesses encontros de motos seguem mais ou menos um certo padrão: homens brancos acima dos 50 anos de idade, fãs do ídolo que fala a linguagem deles.  Provavelmente, gente que chega à meia idade com testosterona em queda (como bem disse o jornalista Reinaldo Azevedo) e canaliza essa frustração de seus corpos para tentar demonstrar uma suposta virilidade. São seres autointitulados “machos” que não aceitam outras formas de amor. Patéticos!

E para o delírio de seus “viris seguidores”, as palavras de Jair Bolsonaro sempre estão recheadas de agressividade, de duplo sentido, de anedotas sem a mínima graça, como se fossem proferidas no botequim da esquina. Vejam o que o presidente falou a respeito do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que admitiu numa entrevista sua condição de gay: “Bateu no peito: ‘Eu assumi’. É um cartão de visita para a candidatura dele. Ninguém tem nada contra a vida particular de ninguém, agora querer impor o seu costume, o seu comportamento para os outros”. Além do presidente, seus filhos também têm o hábito de se manifestarem em redes sociais com ataques homofóbicos. Contra o próprio governador Eduardo Leite, o filho 04, Renan Bolsonaro provocou em vídeo recente quando esteve em uma churrascaria: “Vim aqui homenagear a gauchada, depois da entrevista do governador deles, vim comer a carne gaúcha. Estamos juntos, gauchada. Mas não daquele jeito, mas estamos juntos”.

Outro que é alvo do clã Bolsonaro é o senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Pandemia. Durante um culto realizado na cidade de Anápolis, Goiás, Jair Bolsonaro disse sobre integrantes da CPI: “Que CPI é essa? De Renan Calheiros? De Omar Aziz? Daquela pessoa alegre do Amapá (referindo-se ao senador Randolfe Rodrigues)? O mesmo senador também já foi apontado pelo presidente como aquele que “fala fino”.

E a homofobia não para por aí. Ainda quando era deputado federal, Bolsonaro deu uma entrevista em que disse preferir um filho morto do que gay: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim, ele vai ter morrido mesmo”.

O ex-deputado federal Jean Wyllys foi outro alvo do preconceito sexual por parte do presidente, no primeiro ano de seu mandato na Presidência, em 2019. Bolsonaro chamou Wyllys de “menina”, em tom pejorativo.

Jair Bolsonaro segue então a sua cartilha homofóbica, de negar a masculinidade de um homem gay, como se fosse menos homem que um homem hétero. E essas declarações são consideradas crime no Brasil, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou em 13 de junho de 2019 que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero deve ser considerada um crime. A conduta homofóbica passou então a ser punida pela Lei do Racismo (7716/89), que prevê crimes de discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. E mais: o racismo é um crime inafiançável e imprescritível segundo o texto constitucional e pode ser punido com prisão de um a cinco anos e, em alguns casos, existe aplicação de multa.

Desde que era deputado, vários processos contra Bolsonaro por conta de suas declarações homofóbicas já foram analisados pela Justiça. A questão é complexa, porque, mesmo condenado, o presidente se esconde atrás do escudo da imunidade parlamentar. Num dos processos, o STF julgou recurso especial interposto pelo presidente que contesta sua condenação a pagar R$ 150 mil em danos morais coletivos em entrevista ao extinto programa da TV Bandeirantes, CQC, em 2011.

Em todas as suas aparições matinais no cercadinho do Palácio da Alvorada, em Brasília, Jair Bolsonaro está sempre disposto a ir para o ataque: contra homossexuais, contra investigações da CPI da Pandemia, contra parlamentares de oposição, contra o ex-presidente Lula, enfim, contra todos os que têm coragem de apontá-lo como o pior presidente do Brasil.

E dia 24 de julho, sábado, será o Dia de Luta convocado pelas centrais sindicais, às 15 horas, na Avenida Paulista. Vamos todos gritar: Fora Bolsonaro! 

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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