O economista britânico Arnold Toynbee definiu com perfeição como funciona a roda da política: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. Toynbee viveu no século 19, mas o seu pensamento continua atualíssimo.

Outra importante frase política, associada ao que disse Toynbee, é de autoria do dramaturgo alemão Bertolt Brecht: “Que continuemos a nos omitir na política. É tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”.

Analisando esses dois grandes nomes da história, não tem como deixar de fazer um comparativo com o que disseram no passado com a realidade que vivemos no Brasil. O presidente Jair Bolsonaro chegou ao poder exatamente por conta dessa omissão, dessa letargia da grande maioria de seus eleitores. Gente que acreditou na figura de Bolsonaro, como uma espécie de “salvador da pátria”. Na verdade, o presidente é um grande roedor da política. Ficou 28 anos na Câmara dos Deputados sem apresentar um único projeto significativo. Só mamando salários e benesses do cargo.

E o resultado de ter na cadeira presidencial um péssimo político está aí: passamos atualmente por uma das maiores crises econômicas, com alta nos preços dos alimentos, dos combustíveis. A inflação elevada agrava os problemas e o país nunca teve tantos desempregados. Sem esquecer que a pandemia do coronavírus também contribuiu para o empobrecimento da população.

O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 1,2% no primeiro trimestre de 2021, com queda de 0,3% no segundo trimestre, não é compatível com a distribuição de renda. Esse pífio crescimento, mesmo acima do que previam os economistas, esconde na verdade um dos nossos maiores problemas: a desigualdade social crescente. Com inflação e desemprego nas alturas, lamentavelmente, voltamos ao Mapa da Fome emitido pela ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil só esteve de fora desse vergonhoso Mapa entre os anos de 2013 e 2017.

Segundo o relatório O Vírus da Fome se Multiplica, o número de pessoas vivendo em situação de fome aumentou cinco vezes desde o início da pandemia, chegando a mais de 520 mil. E mais 20 milhões de pessoas foram empurradas em 2021 a níveis extremos de insegurança alimentar.

O governo de Jair Bolsonaro tem boa parcela de culpa nessa pobreza nos pratos dos brasileiros. Em plena pandemia, por exemplo, diminuiu o Auxílio Emergencial de 600 reais para algo em torno de no máximo 250 reais. Lembrem-se de que em 2020, as mulheres que cuidavam sozinhas de seus filhos tinham o benefício dobrado, em 1.200 reais, o que ajudava muito para garantir a alimentação em seus lares.

E essa dura realidade no Brasil é sentida na verdade nas cidades, onde efetivamente moramos. Prefeitos e prefeitas precisam também fazer a sua parte para promover melhorias aos seus habitantes. Muitas vezes, não é isso o que acontece.

O maior polo de riqueza do país, a região metropolitana de São Paulo, possui 39 municípios, dentre os quais está a nossa Região Alto Tietê. Dados atuais revelam que 700.193 pessoas estão vivendo na pobreza extrema em todas essas cidades – número 35% maior do que era em 2016.

Muitos dos problemas poderiam ser amenizados se na política dos mais de 5 mil municípios brasileiros não existissem tantos roedores, assim como Jair Bolsonaro. Vivem em volta de prefeitos e prefeitas em busca de uns trocados pra sobreviver, sem trabalhar em favor dos munícipes. Esse é o maior castigo – como escreveu Toynbee – para aqueles que não se interessam por política, de serem governados por quem se interessa. E quem se interessa, nem sempre está qualificado para exercer determinadas funções.

É preciso acabar com os roedores da política! Estamos de olho!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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