Ferroviários de São Paulo decidira na noite desta segunda-feira (23), iniciar uma greve na terça-feira (24), a partir das 0h, nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM). Não foi anunciado um tempo estimado para o fim da greve.

A greve foi decidida após uma tentativa sem sucesso de conciliação realizada em uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo.

A CPTM fez uma proposta de reajuste salarial, porém, os ferroviários não concordaram com a proposta.

O desembargador Rafael E.Pugliese Ribeiro determinou em decisão limitar feita a pedido da CPTM que, os grevistas mantenham ao menos 70% dos trens e funcionários em operação nos horários de pico em caso de greve. A exigência vale para os períodos das 5h às 9h e das 17h às 20h.

Já no resto do dia, os grevistas devem manter pelo menos 50% dos trens em operação.

Entre os itens da nova proposta da empresa estão, segundo o Tribunal:

1- Aumento de 4%, com inclusão em folha de pagamento a partir de agosto/21. As diferenças retroativas a março de 2020 serão pagas a partir da folha de fevereiro de 2022, em 10 parcelas mensais iguais e sucessivas. O aumento incidirá sobre as demais cláusulas de natureza econômica em parcela única, na folha de 9/2021, inclusive os retroativos;

2. Aumento de 6%, com inclusão em folha de pagamento a partir da folha de janeiro/22. As diferenças retroativas a março de 2021 serão pagas a partir da folha de 2/2022, em 10 parcelas mensais iguais e sucessivas. O aumento incidirá sobre as demais cláusulas de natureza econômica em parcela única, na folha de 1/2022, inclusive os retroativos;

3. Plano de Participação nos Resultados em 2022: abertura das negociações no momento apropriado, juntamente com os demais sindicatos das outras representações de ferroviários.

O sindicato apresentou uma contraproposta durante a audiência, pedindo que as diferenças de salários retroativas sejam pagas em agosto e setembro deste ano, porém, a CPTM não aceitou.

Em julho, houve outra paralisação dos ferroviários por reajuste salarial, que atingiu as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa.

Em nota, a CPTM disse que o salário médio dos ferroviários é de R$ 6.500 e que a greve prejudica toda a população.

“A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) considera inadmissível que o sindicato que representa os colaboradores das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, com toda a população adulta vacinada, com uma crise econômica avassaladora em todo o mundo, decidam fazer greve nesta terça-feira (24/08) prejudicando e punindo exclusivamente o cidadão que necessita do transporte público para ir ao trabalho, incluindo os que trabalham na linha de frente no combate à pandemia da Covid-19.

A companhia lamenta a decisão sobre a greve e espera que não haja adesão por parte dos trabalhadores em respeito aos cidadãos que necessitam do transporte. Reforça que há uma decisão da Justiça do Trabalho determinando a manutenção de 80% dos trabalhadores no horário de pico e 60% nos demais horários, sob pena de R$100 mil diários. A empresa também irá operar com um plano de contingência para atender a todos que precisam do transporte, principalmente aos que trabalham em serviços essenciais.

Enquanto milhares de trabalhadores perdem seus empregos ou tem suas rendas diminuídas – a renda média do trabalhador brasileiro é de R$ 2.500,00 – a CPTM mantém salários e benefícios rigorosamente em dia, mesmo tendo sido duramente afetada pela queda na demanda de passageiros durante 2020 e todo o ano de 2021 e com salário médio de R$ 6.500,00.

Não é compreensível que estes sindicatos estejam em uma realidade diferente do restante do país, que sofre com desemprego, perda de renda e fome.A CPTM apresentou proposta de reajuste de 6% retroativo a março de 2021 pagos a partir de janeiro de 2022. Em relação ao dissidio coletivo de 2020, foi proposto reajuste de 4% a partir de agosto de 2021, retroativo a março de 2020. Além do pagamento do PPR em duas parcelas (a primeira já paga em 10/08 e a outra metade no dia 10 de janeiro de 2022).”