Seguidores de Jair Bolsonaro programaram novas manifestações de rua para o próximo feriado de 7 de setembro, com foco principal nas cidades de Brasília e de São Paulo, inspirados em suas recentes ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas redes sociais, já tem maluco acreditando num Golpe de Estado, com a invasão da Câmara dos Deputados, do Senado e do próprio STF – atos que contrariam o Estado Democrático de Direito.

Mas democracia não é aquilo que se pode esperar do presidente Bolsonaro e de seus apoiadores mais convictos. Vivem a idolatrar o período da Ditadura militar no Brasil, os torturadores, e não se escondem para defender por exemplo a volta do Ato Institucional Nº 5 (AI-5). Incentivam, esses senhores, o poder das armas para tentar justificar suas ideias conservadoras, reacionárias, além de apostarem na indignação do povo contra políticos, sejam eles principalmente do campo da esquerda. São verdadeiros fascistas, da extrema-direita. Protegem os patrões, as grandes fortunas, para estabelecer o empobrecimento cada vez maior da população e dos trabalhadores. Alucinados, enxergam teorias conspiratórias em tudo, como se os comunistas chineses estivessem planejando a conquista do mundo, incluindo o Brasil. Piada!

O alvo mais recente dessa gente insana liderada por Jair Bolsonaro está concentrado em dois ministros do Supremo: Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Bolsonaro inclusive pediu ao Senado o impeachment de Moraes por conta das investigações desse ministro sobre as fakenews, os grupos extremistas e até a respeito do presidente. É uma resposta mal elaborada de Bolsonaro contra quem iniciou os procedimentos que culminaram na prisão de Roberto Jefferson e na apreensão de documentos do cantor Sérgio Reis, ambos protagonistas dessa história de ameaças a ministros, empunhando armas. Jefferson continua preso em Bangu 8 e o cantor sertanejo mostra-se agora “arrependido” depois de ver a Polícia Federal invadir a sua casa em busca de provas. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já rejeitou o pedido de impeachment de Alexandre Moraes, considerado improcedente. E outro que está na mira do presidente Bolsonaro é Luís Roberto Barroso, ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Contra Barroso, continua o velho e derrotado discurso de que as urnas eletrônicas foram fraudadas em eleições passadas e não haverá garantia de veracidade nas eleições em 2022. Querem a volta dos votos impressos.

E todo esse discurso de ódio e de ataque ao STF e ao Congresso Nacional só encontra voz nos admiradores mais fanáticos ligados ao presidente. Até o vice-presidente da República Hamilton Mourão e alguns dos ministros do governo têm evitado esse tipo de conversa. Mas Bolsonaro insiste, até porque está acuado e vê cada vez mais seus árduos defensores enrolados com a Justiça, como no caso de Roberto Jefferson. O presidente não admite oficialmente, mas dá claros sinais de acreditar na possibilidade de um Golpe de Estado, com apoio de parcela dos militares e das massas. Para Bolsonaro, 7 de setembro será o “Dia D” para alcançar tudo isso.

Na contramão de Jair Bolsonaro, esta semana, 23 governadores e dois vice-governadores se reuniram – parte presencial, parte virtual – para tentar conter essa onda golpista colada no presidente. Buscam estreitar o diálogo, numa tentativa de programar um encontro entre ambos. Algo complicado, considerando a personalidade do chefe da Nação.

Enquanto tenta-se em Brasília um consenso, movimentos ligados à esquerda preparam um contragolpe para o dia 12 de setembro, numa ação planejada para abafar os atos a favor de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, está previsto um possível enfrentamento entre bolsonaristas e militantes de esquerda na Avenida Paulista, no próprio dia 7 de setembro – data em que tradicionalmente os progressistas realizam o Grito dos Excluídos em várias capitais do país.

Guardados os objetivos de cada lado, não vejo com grande preocupação essa narrativa em conseguir arquitetar um novo Golpe de Estado, a exemplo do que aconteceu em 1964.

Nas cidades, nos lares, o que se vê e o que se sente é que o Brasil piorou muito no governo Bolsonaro. O preço que se paga dessa ineficácia do presidente é alto, com a economia em crise, a inflação galopante, o desemprego recorde, a alimentação e o combustível caríssimos. Não podemos esquecer ainda da péssima gestão federal diante da pandemia do coronavírus.

Infelizmente, Jair Bolsonaro continuará protegido pelos partidos do Centrão, blefando todos os dias contra instituições democráticas e contra adversários, até as eleições do próximo ano, sem a possibilidade de acontecer o seu impeachment.

Estamos de olho! Fora Bolsonaro!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos 

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