A irresponsabilidade do presidente da República, Jair Bolsonaro, não tem limites. Enquanto o país atravessa sua pior crise econômica – com inflação em alta, alimentos e combustíveis caros, desemprego recorde, queda do PIB (Produto Interno Bruto) -, o chefe da Nação continua a defender sua tese maluca de que no feriado de 7 de setembro vai reunir milhões de pessoas em Brasília e em São Paulo, dispostas a invadir prédios do STF (Supremo Tribunal Federal), do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e de outras instituições. Querem a todo custo excluir ministros que não compactuam com a agenda neofascista que está em curso.

O Golpe de Estado parece realidade somente na cabeça do presidente e de seus xiitas mais próximos: 1 – A turma da extrema direita com déficit cognitivo. Entre eles, aqueles tiozinhos de baixa testosterona travestidos com suas roupas de motociclistas que adoram cultuar o tal do “Mito” pelo país afora, nas motociatas (as semelhanças então ao gado e à boiada se justificam); 2 – E uma parcela de generais de dentro e fora do governo, de policiais nos estados, com o discurso de apoio ao golpe, à intervenção militar. Aleksander Lacerda, comandante de tropas no Interior de São Paulo, é um deles. Nas redes sociais, convocou internautas para o golpe: “Liberdade não se ganha, se conquista. Dia 7/9 eu vou”, escreveu. A “bravura” do comandante logo foi punida pelo governador João Doria, que o afastou do cargo. Em repúdio ao ato de Doria, tem muito militar aposentado insuflando os demais colegas de farda a participarem do possível golpe no dia 7.

E em conversa com apoiadores, dias atrás, Bolsonaro pediu aos brasileiros para apagar a luz de suas casas, comprar um fuzil e fazer baderna no dia 7 de setembro. Olhem a que ponto chegamos! O presidente ainda desconsiderou a falta de alimentos na mesa dos brasileiros, ao chamar de idiota quem pede para comprar feijão. “Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”. É bem provável que Jair Bolsonaro não saiba como vive boa parte da população, obrigada a comprar o feijão que subiu quase 11% nos últimos meses e o arroz, com alta de 37% no mesmo período. E ele, o infeliz, é capaz de fazer graça para o povo ao recomendar a compra do fuzil 762 que custa na faixa de 14 mil reais, quando a realidade nos lares é outra, já que tá difícil até pra garantir o arroz e feijão.

No campo das leis, Bolsonaro e os malucos que defendem com ele o Golpe de Estado interpretam erroneamente o artigo 142 da Constituição Federal, que diz: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. De acordo com decisão liminar do STF, em junho passado, “o artigo 142 não autoriza a intervenção das Forças Armadas sobre o Legislativo, o Judiciário ou o Executivo. A autoridade do presidente da República, no caso, é suprema em relação às autoridades militares, mas não o é em relação à ordem constitucional”.

É impressionante a falta de sensibilidade de Bolsonaro e de quem acompanha o seu projeto de golpe. Felizmente, não representam a maioria dos brasileiros, dos trabalhadores e até de setores mais conservadores, como os empresários do agronegócio que já se manifestaram em carta a favor da ordem, da democracia. O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, parecia disposto a assinar um documento contra o golpe, mas recuou, subiu no muro, à espera dos acontecimentos do dia 7.

E na última segunda-feira, 30 de agosto, a Justiça de São Paulo autorizou grupos de oposição ao presidente para se manifestarem no dia 7 de setembro, no Vale do Anhangabaú, centro da Capital. Tradicionalmente, a cada ano, na mesma data, acontece o Grito dos Excluídos, organizado em várias cidades do país pelo MST (Movimento dos Sem Terra) em conjunto com o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

Nas ruas, o 7 de setembro é uma incógnita. Provavelmente deve ser a última cartada de Jair Bolsonaro em seu projeto de Golpe de Estado, porque entende como quase certa a derrota nas eleições presidenciais de 2022. Em contraponto a isso, os bolsonaristas atacam sempre os setores da esquerda, especialmente o ex-presidente Lula e o PT, com a teoria conspiratória do perigo dos “comunistas” dominarem a política brasileira, como se o PT fosse adepto dessa corrente, o que nunca aconteceu na história do partido. Em todas as recentes pesquisas dos grandes institutos divulgadas pela mídia, Lula venceria Bolsonaro e os demais possíveis adversários em todos os cenários. E isso tira o sono do presidente e dos radicais ao seu lado.

Espero que no feriado de 7 de setembro não aconteça o programado Golpe de Estado, mesmo com a previsão de haver nas ruas das principais capitais e cidades, gente armada a favor de Jair Bolsonaro e contra integrantes das instituições democráticas da nossa República.

Estamos de olho!

Viva o Estado Democrático de Direito!

Fora Bolsonaro!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

.

.

.

Nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados pelo colunista não refletem necessariamente o pensamento do Cenário Notícias, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es)as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.