Os soldadinhos amarelinhos bolsonaristas acreditaram que o dia 7 de setembro de 2021 ficaria marcado na história brasileira como o Dia da Intervenção Militar no STF (Supremo Tribunal Federal), combinado com a queda dos respectivos ministros. O golpe de Estado articulado na cabeça de Jair Bolsonaro não se concretizou e ele pode ter dado um tiro no próprio pé, com a real possibilidade de lideranças partidárias promoverem o impeachment por crime de responsabilidade, após as ameaças ditas pelo presidente nos palanques de Brasília e de São Paulo.

Afinal de contas, os soldadinhos de Bolsonaro não estavam todos armados com o fuzil 762 pedido por ele dias antes do feriado. Boa parte estava apenas bem alimentada (com feijão!) e uniformizada com a surrada camisa amarelinha da seleção brasileira, que no passado foi motivo de orgulho para muitos torcedores. Hoje, muita gente recusa-se a vestir o tal manto, sob pena de ser confundido nas ruas com um idiota bolsominion. De ser chamado de gado, de burro.

O alvo do presidente da República é o Judiciário, focado especialmente no ministro do STF, Alexandre de Moraes. Na Avenida Paulista, Bolsonaro atacou: “Dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais.”

Na verdade, esse tipo de ameaça do chefe da Nação não faz sentido. De acordo com a nossa Constituição, ninguém pode descumprir decisão judicial. A tentativa do presidente de intimidar Moraes é pra tentar barrar o inquérito iniciado por ele no STF que investiga o financiamento e organização de atos contra as instituições e a democracia. O ministro não afrouxa e foi responsável por várias prisões após pronunciamentos de pessoas armadas prometendo a invasão da instituição. Há ainda outros inquéritos de Moraes que comprometem Bolsonaro ou pessoas próximas. E tanto na Justiça quanto na Polícia Federal todos os filhos do presidente estão sendo investigados. A corrupção faz parte da família, e começa pelo pai.

Pra piorar, as bravatas ditas por Jair Bolsonaro no dia 7 só provocaram mais confusão, num país que vive uma das maiores crises econômicas dos últimos anos. Já há vias bloqueadas por caminhoneiros em várias cidades, o que vai comprometer a distribuição de alimentos e de combustíveis. No mercado de ações, houve queda de investimentos e as bolsas de valores amargam índices negativos. E tudo isso somado à inflação em alta (a terceira maior entre os países da América Latina), ao desemprego recorde, e aos preços abusivos dos alimentos e dos combustíveis.

Bolsonaro blefou ao falar de uma reunião do Conselho da República, prevista por ele para o dia seguinte às manifestações, com poder de realizar uma intervenção federal com a possibilidade de estabelecer o estado de sítio ou estado de defesa. A agenda do presidente não aconteceu, mas o fato dele prometer a reunião causou mais descontentamento, inclusive de lideranças ligadas ao presidente. 

Na avaliação de especialistas, a crise econômica agravada pela crise política cria um cenário mais catastrófico. Como resposta ao caos, já há representantes de partidos antes não posicionados como oposição, casos de PSDB e PSD, que agora admitem apoiar um processo de impeachment junto a partidos do campo da esquerda, como PT, PSOL e PCdoB. Os partidos do Centrão, incluindo aí o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, podem ficar divididos nessa história, pois têm interesses e mantêm cargos no governo, mas não devem deixar de ouvir o grito das massas se aumentar a tensão em torno de Jair Bolsonaro.

Os ministros do STF se reuniram na noite do feriado do dia 7, virtualmente, para buscar um posicionamento. Avaliam saídas menos traumáticas que o impeachment. Lembram que há um processo de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão desde as eleições de 2018. Qualquer caminho do Judiciário com vistas a barrar o insano presidente da República deve ter o aval dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de lideranças do próprio Congresso.

Os próximos dias serão interessantes nesse imbróglio político que se encontra o Brasil. Agora, após o fatídico 7 de setembro, existe a real chance de botar o presidente Bolsonaro para fora do poder.

Estamos de olho! Fora Bolsonaro!

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos