O discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), terça-feira, dia 21 de setembro, foi recheado de mentiras, dados incompletos, omissões. E não poderia ser diferente, partindo de quem está há quase três anos no poder com a prática de divulgar fake news, teorias conspiratórias, enfim, informações distorcidas com viés político para obter vantagem, criar confusão na cabeça das pessoas e buscar seu objetivo principal: a reeleição em 2022. Como em apresentações anteriores, Bolsonaro parece ainda não ter saído do palanque da campanha eleitoral de 2018.

Contrário à ciência, às vacinas, o Bozo na ONU voltou a insistir na conversa do tratamento precoce com a cloroquina e a ivermectina. Atacou o passaporte sanitário e entre os líderes do G20 (19 maiores economias do mundo mais a União Europeia) era o único que – segundo ele mesmo sustenta – não havia sido vacinado contra a Covid-19. Sobre isso, em encontro com o primeiro ministro britânico Boris Johnson, o presidente brasileiro riu para o fato dele mesmo não haver tomado vacina e disse estar com “imunidade alta”, como se isso bastasse para não ser o transmissor do vírus a outras pessoas, já que o idiota também teima em não usar máscara. Johnson, por outro lado, fez elogios à vacina da AstraZeneca e informou já ter sido vacinado duas vezes. “Grande vacina”, concluiu o premiê.

E haja mentiras e distorções da realidade em seu discurso na ONU: 1 – No agronegócio, Bolsonaro falou que o Brasil é responsável por alimentar mais de 1 bilhão de pessoas. Na verdade, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a produção de alimentos, grãos e proteínas do país ajuda a alimentar 772,6 milhões em todo o planeta; 2 – Sobre o desmatamento, o chefe da Nação afirmou que possuímos um Código Florestal que serve de exemplo para o mundo. Ok. Até aqui, tudo certo. Ocorre que tanto Jair Bolsonaro quanto o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, buscaram sabotar esse código e a legislação, no sentido de facilitar invasões; 3 – O presidente teve a coragem de dizer que o Brasil melhorou após a sua chegada ao poder, de que não há corrupção (piada!). Esqueceu-se da compra superfaturada de vacinas Covaxin, cancelada pelo governo após as denúncias de irregularidades levantadas pela CPI da Pandemia; 4 – A respeito da economia, o “excelentíssimo” Bolsonaro garante que o país terá crescimento de 5% em 2021 (acredita?) e que recuperamos a credibilidade externa. De fato, os investimentos estrangeiros no Brasil são recordes, mas não devido ao trabalho do presidente, mas sim pela alta recente da taxa de juros e dos recursos disponíveis que há no exterior; 5 – Por fim, pra não esticar em mais inverdades e contradições, Jair Bolsonaro alega que terminou 2020 com mais empregos formais do que em 2019. E daí, se ainda existem em torno de 14 milhões de desempregados.

Os números pífios do governo, somados à péssima gestão do presidente da República são comparados ao tamanho das idiotices e atitudes bizarras desses aloprados que se encontram no poder em Brasília. Em Nova York, até por não ter sido vacinado contra a Covid-19, Bolsonaro e seus próximos tiveram que se alimentar em calçadas, fora do hotel, numa pizzaria e durante o churrasco de uma rede nacional no puxadinho montado para a comitiva brasileira. Toscos. Medíocres.

Em um outro episódio, no trajeto da van que transportava Bolsonaro e ministros de volta do jantar na casa do embaixador brasileiro junto à ONU, em meio a protestos de brasileiros na rua contra o presidente, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga fez gestos obscenos de dentro da van aos manifestantes. Olha o nível dessa gente! Queiroga, inclusive, foi diagnosticado horas depois com Covid-19 e deverá permanecer em quarentena no hotel. Nada mais surreal do que o próprio ministro da Saúde espalhando vírus por Nova York e desejando para alguns tomarem naquele lugar.

Uma palavra ajuda a descrever a visita de Jair Bolsonaro e de sua comitiva aos Estados Unidos: desastrosa. Desastre no discurso mentiroso na ONU, desastre nas aparições públicas, a exemplo da cena pitoresca comendo pizza na calçada por conta da falta de vacina do próprio presidente. 

Só nos resta lamentar, nesse cenário do Brasil de Bolsonaro revelado mais uma vez ao mundo. E torcer para esse governo acabar o quanto antes, nem que seja em dezembro de 2022, após sua provável derrota nas urnas. Não dá para acreditar em dias melhores enquanto assistimos a essa crise econômica e social que fomos submetidos.

Em 2018, 55 milhões de eleitores escolherem no segundo turno por alguém que não reunia condições de governar o país. Hoje, Bolsonaro não soma mais de 22 milhões de votos, conforme pesquisas recentes de institutos de renome. E desse total, a metade, ou seja, 11 milhões votariam nele novamente de olhos fechados. Sem contar que o seu governo totaliza mais de 50% na avaliação “péssimo e ruim”, de acordo com a opinião de entrevistados.

FORA BOLSONARO! Os brasileiros merecem dias melhores . . .

Augusto do Jornal, diretor nacional de Finanças da CGTB e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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