O 2º Fórum Internacional de Educação do Alto Tietê, realizado pelo CONDEMAT – Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, debate a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os direitos de aprendizagem na sua última sessão, nesta quinta-feira (30/09), a partir das 19 horas, por meio virtual.

Depois de encontros semanais durante todo o mês de setembro, em que foram discutidas várias abordagens sobre a educação nos tempos de pandemia, a sessão desta semana terá as participações especiais da professora Katia Stocco Smole, doutora em Educação pela FEUSP e diretora do Instituto Reúna, e do professor Luís Carlos de Menezes, professor do Instituto de Física e membro da coordenação da Cátedra de Educação Básica do IEA/USP, que abordarão “A base nacional comum curricular e os currículos dos anos iniciais do ensino fundamental: garantir os direitos de aprendizagem”.

O evento conta com apoio da UNESCO, UNDIME, Itaú Social e Fundação Santillana e com a organização executiva pelo Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA).

A sessão virtual pode ser acompanhada por educadores de todo Brasil e do exterior em transmissão aberta em tempo real via YouTube no canal www.youtube.com/c/forumeducacaoaltotiete

Enfrentamento das desigualdades

“A educação e o enfrentamento das desigualdades” foi tema da quarta sessão virtual do fórum, realizada no último dia 23. A professora, assistente social, mestra e doutoranda em educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Macaé Evaristo, falou sobre a desigualdade educacional existente no país e que ficou ainda mais exposta durante a pandemia. A especialista abordou também a necessidade de sintonia entre o ensino e as vivências dos alunos.

“A aprendizagem precisa viabilizar uma conexão entre saberes escolares e saberes da experiência dos alunos. É preciso criar um ambiente onde ler e escrever deixe de ser somente uma prática escolar, mas se transforme em uma prática cultural, um instrumento da sociedade”, disse a professora, ao fazer referência a citação de Paulo Freire, de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra.

“Não tem como desvincular alfabetização e letramento de cidadania e de participação, porque toda leitura da palavra vem carregada de uma determinada leitura de mundo. Por isso, precisamos entender as vivências e o contexto destes alunos que foram muito prejudicados, mas ao mesmo tempo aprenderam a lidar com inúmeros problemas durante a pandemia”, enfatizou.

O doutor em Psicologia pela Universidad de Barcelona e professor titular do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, Artur Gomes de Morais, afirmou que o fracasso da escola brasileira em alfabetizar é um atestado das grandes desigualdades sociais que existem no país.

“A pandemia escancarou o que eu chamo de apartheid educacional. Este é um termo que eu costumo usar que desagrada alguns, mas o fato é que no Brasil há dois sistemas de ensino: o que atende à classe média e burguesia, cujos filhos não fracassam na alfabetização porque os pais têm condições de suprir as dificuldades, e o sistema da rede pública, em que se naturalizou o fato de um terço das crianças chegar ao final do primeiro ano do Ensino Fundamental sem ter alcançado a alfabetização” disse.

O professor também falou dos desafios neste cenário, que começa pela percepção e reconhecimento da desigualdade existente. “Temos que reconhecer que isso existe e vem sendo tratado de forma normal. E para que a gente obtenha a redução das desigualdades através da educação, precisamos lutar pelo mínimo de igualdade e princípios iguais para todos”, destacou.

A sessão está disponível no YouTube no canal Fórum Educação Alto Tietê.

Serviço:

Portal: www.forumeducacaoaltotiete.com.br

YouTube – Fórum Educação Alto Tietê

www.youtube.com/c/forumeducacaoaltotiete