Não há o que comemorar nos mil dias de Jair Bolsonaro à frente da Presidência da República, completados na segunda-feira, 27 de setembro. Sua péssima avaliação é compartilhada no Brasil e no mundo. A Anistia Internacional, por exemplo, lançou o relatório chamado “1000 dias sem direitos: As violações do governo Bolsonaro”.

O relatório dessa prestigiosa instituição inclui 32 situações que abordam o descumprimento do governo federal na garantia e na facilidade de acesso aos direitos humanos fundamentais, entre os quais, a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a moradia.

A Anistia Internacional enumera vários fatos que comprovam o desgoverno Bolsonaro: negacionismo; mau desempenho no combate à Covid-19, incluindo aí a troca de ministros da Saúde; descontrole da Economia; flexibilização do controle de armas; e ataques verbais à Imprensa e a outras instituições democráticas. O mesmo relatório cita ainda as aproximadamente 600 mil mortes por conta do coronavírus; os mais de 14 milhões de desempregados; a fome que atinge cerca de 19 milhões de brasileiros; e a perseguição a indígenas, quilombolas e populações tradicionais que perdem suas terras para grileiros, garimpeiros e madeireiros, com aval de Jair Bolsonaro.

O jornal O Estado de S. Paulo, num de seus editoriais da semana, com o título “Mil dias a menos”, também fez duras críticas. De acordo com o periódico, o primeiro grande feito negativo de Bolsonaro foi interromper a recuperação econômica iniciada em 2017. A Economia cresceu apenas 1,4% em 2019, menos que no ano anterior, e já estava mais fraca no começo de 2020, antes da pandemia. Além disso, o Estadão lembra que nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chegou a 10%, atormentando mais famílias já acuadas pelo desemprego e pela perda de renda. E lamentavelmente, as previsões para os próximos meses não são animadoras. Em 2022, a Economia do país não deve crescer mais de 2% e há instituições de mercado que anunciaram estimativas próximas de apenas 0,5%.

E pra tentar maquiar o desempenho do presidente Pinóquio, a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República lançou uma hashtag sobre os 1000 dias, com a seguinte frase: “Mil dias de um governo sério, honesto e trabalhador”. Só pode ser piada de mau gosto. Após a publicação da Secom, a mensagem estimulou a indignação nas redes sociais. E não era pra menos. Um dos internautas, tweetou: “A realidade paralela de um desgoverno de milicianos vagabundos embusteiros e mamateiros, seguidos pelo gadinho zumbi. De sério nessa familícia só o desejo de fugir da cadeia que os aguarda”. Outra pessoa escreveu: “1000 piores dias da história da República, uma verdadeira vergonha de nível internacional e um escárnio para o povo brasileiro”.

Para o colunista do UOL, Leonardo Sakamoto, “até aqui, o legado bolsonarista é um Brasil mais pobre, mais faminto, mais desesperançoso”. Sakamoto entende que temos fome, miséria e problemas sociais por conta da insuficiência de políticas de governo e do próprio caos provocado pelo presidente, que apenas faz campanha eleitoral.

A performance de Jair Bolsonaro é verdadeiramente ruim e pode ser confirmada pelo site Aos Fatos (aosfatos.org). Semanalmente, esse pessoal checa tudo o que o presidente fala, desde a sua posse, em 1º de janeiro de 2019. Até esta semana, mais precisamente dia 28 de setembro, em 1001 dias de governo, Bolsonaro acumulou 4007 declarações falsas ou distorcidas. E entre as afirmações mentirosas mais repetidas ditas por ele, sou obrigado a reproduzir uma bem curiosa: “Estamos há dois anos e meio sem um caso de corrupção”. Como pode ser tão cara de pau? Vejam que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia investiga denúncias contra o governo relacionadas a um pedido de propina de um dólar por dose da vacina AstraZeneca, fora as irregularidades em contratos para importação de vacinas e na tentativa de compra da vacina Covaxin. Há também casos de corrupção envolvendo parte dos ministros, e alguns inclusive já deixaram seus cargos.

E tome mentira do Pinóquio Bolsonaro, ao fazer umas contas malucas sobre o Auxílio Emergencial, quando disse a seguinte frase: “Somente o ano passado, a título de Auxílio Emergencial, o Brasil gastou com vocês aproximadamente o equivalente a 13 (anos) de Bolsas Família.” Aos Fatos apurou que é falsa tal informação. De acordo com dados do Ministério da Cidadania, foram despendidos com o Bolsa Família entre 2007 e 2019 R$ 404,5 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. Já dados do Tesouro Transparente indicam que o governo Bolsonaro pagou R$ 293,1 bilhões de auxílio emergencial em 2020.

Então, caros leitores, não há como acreditar no mentiroso que se instalou em Brasília. E como mais uma prova de suas frases infelizes, em depoimento na segunda-feira, 27 de setembro, o presidente afirmou que “nada está tão ruim que não possa piorar”, sobre os altos preços dos combustíveis e do dólar. Eu não sei se é pra rir ou chorar, após ouvir essa metáfora da boca do próprio mandatário do país.

Certo é que o Brasil e os brasileiros merecem dias melhores. Em São Paulo, no sábado, dia 02 de outubro, novo Ato na Avenida Paulista vai pedir o impeachment de Jair Bolsonaro.

Augusto do Jornal, diretor da Executiva Nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil) e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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