A farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD), anunciou nesta sexta-feira (1) que seu comprimido experimental contra a Covid-19, o molnupiravir, reduziu as hospitalizações e mortes em pacientes no início da infecção com o coronavírus. O medicamento ainda está em fase de testes e ainda deve ser avaliado por outros cientistas.

– Como o remédio age?

O comprimido age interferindo com uma enzima que o coronavírus usa para copiar seu código genético e se reproduzir. O medicamento mostrou atividade semelhante contra outros vírus.

– Em qual momento da infecção o remédio deve ser usado?

Ainda não foi informado pela MSD. Porém, até então, os pacientes que receberam o molnupiravir até 5 dias após o início dos sintomas da Covid tiveram por volta de metade da taxa de hospitalização e morte reduzida em comparação aos pacientes que receberam placebo. Informações mostram que o medicamento não funciona em pacientes graves.

– É eficaz contra as variantes do coronavírus?

Segundo informações da farmacêutica, sim. A MSD informou que, “com base nos participantes com dados de sequenciamento viral disponíveis (aproximadamente 40% dos participantes), o monulpiravir demonstrou eficácia consistente nas variantes virais Gama, Delta e Mu”.

– Quais são os resultados apresentados até o momento?

O estudo, de fase 3, acompanhou 775 adultos com Covid-19 leve a moderada e que foram considerados de maior risco para desenvolver um quadro grave da doença – devido a problemas de saúde como obesidade, diabetes ou doenças cardíacas ou por terem mais de 60 anos.

Pacientes que receberam o molnupiravir em até 5 dias após o início dos sintomas da Covid tiveram cerca de metade da taxa de hospitalização e morte em relação aos pacientes que receberam um comprimido inativo (placebo).

Entre os pacientes que receberam o molnupiravir, 7,3% foram hospitalizados ou morreram até o 29º dia depois da administração do medicamento. Depois desse período, não houve mortes nesse grupo.

Entre os que não receberam o molnupiravir, 14,1% foram hospitalizados ou morreram nos primeiros 29 dias dos testes. Depois desse período, 8 pessoas morreram, de acordo com a MSD.

A empresa planejava inscrever mais de 1,5 mil pacientes nos testes, mas, por recomendação de um Comitê de Monitoramento de Dados independente e em consulta com a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, o recrutamento para o estudo foi interrompido antes do planejado devido aos resultados positivos.

O Brasil foi um dos países onde o remédio foi testado, o teste ocorreu nas cidades de São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Bento Gonçalves (RS).

No resto do mundo, os testes foram realizados em mais de 170 países, segundo a MSD, como Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Egito, França, Alemanha, Guatemala, Israel, Itália, Japão, México, Filipinas, Polônia, Rússia, Sul África, Espanha, Suécia, Taiwan, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos.

– Possui efeitos colaterais?

A empresa não especificou quais, mas disse que efeitos colaterais foram relatados por ambos os grupos no estudo. Eles foram ligeiramente mais comuns no grupo que recebeu o comprimido inativo (e não o do remédio).

– O remédio já foi liberado para uso?

Não. A MSD informou que solicitaria autorização de uso à Food and Drug Administration (FDA) nos próximos dias.

– Estará disponível nas farmácias?

Ainda não se sabe. Se liberado, o medicamento seria o primeiro em formato de comprimido para o tratamento da Covid-19.

Os medicamentos aprovados nos EUA para a Covid – o antiviral remdesivir e outros três tratamentos com anticorpos monoclonais – têm que ser administrados por via intravenosa ou injeção em hospitais ou clínicas.

Várias outras empresas, incluindo Pfizer e Roche, estão estudando medicamentos semelhantes que podem apresentar resultados nas próximas semanas e meses.

– Funciona em pacientes em estado grave?

Não. Dados de estudos anteriores mostraram que o medicamento não possui eficácia em pacientes que já estavam internados em estado grave.

– Qual a capacidade de produção da empresa?

A farmacêutica disse que pode produzir 10 milhões de doses até o final do ano e tem contratos com governos em todo o mundo.

O governo dos EUA se comprometeu a comprar 1,7 milhão de doses do medicamento caso seja autorizado pela FDA.

– Qual será o preço?

A empresa não divulgou preços, mas anunciou que fechou acordos de licenciamento voluntário não exclusivo com fabricantes de genéricos, para acelerar a disponibilidade do remédio em mais de 100 países de baixa e média renda depois que houver aprovações ou autorização de emergência por agências reguladoras locais.

– Com informações do G1