A esposa do presidente da República, Michelle Bolsonaro, virou pauta de notícia negativa em vários órgãos de Imprensa no último fim de semana. Concorrendo com a primeira-dama, o ministro da Economia Paulo Guedes também ocupou a mídia no mesmo período como alvo de uma denúncia bombástica. É como o próprio Jair Bolsonaro previu em recente discurso: “Nada está tão ruim que não possa piorar”.  Não é que piorou . . .

Vamos aos fatos. A revista Crusoé publicou em sua edição na sexta-feira (01.10), suposta atuação de Michelle junto ao presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, para favorecer amigos comerciantes na aquisição de empréstimos a juros baixos. Há inclusive cópia de e-mail assinado por assessora especial da Presidência, com o pedido do financiamento em nome da primeira-dama. O provável tráfico de influência da bela Michele pode ter ajudado muitos de seus próximos a adquirir dinheiro fácil através do Programa Nacional às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), lançado pelo governo federal durante a pandemia. A maioria dessas operações aconteceu numa agência da Caixa de Taguatinga, cidade vizinha a Brasília. Entre os clientes favorecidos pelos pedidos políticos da primeira-dama, consta o nome da doceira e amiga Maria Amélia Campos. Outro amigo, o cabeleireiro Waldemar Caetano Filho confirmou à reportagem da revista que o contato com Michelle foi fundamental para o empréstimo e usou a expressão “QI” (quem indica).

A Procuradoria da República do Distrito Federal iniciou investigações para apurar essa suposta participação da esposa de Bolsonaro nos empréstimos junto à Caixa via Pedro Guimarães.

Por outro lado, partidos do bloco de oposição ao governo (PT, PSOL, PSB, PDT, PCdoB e Rede) acionaram o Ministério Público Federal para que Michelle seja investigada sob acusação de tráfico de influência.

Já o ministro Paulo Guedes – conhecido Posto Ipiranga de Bolsonaro –  terá que se explicar sobre a denúncia de que participa da sociedade em uma offshore, a Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas, mesmo após ser nomeado ministro, no início de 2019, o que não é permitido por lei. Reportagem do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), formado por 616 jornalistas de 117 países, revela que o ministro da Economia e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, recorreram a offshores em paraísos fiscais.

A abertura de offshores não é considerada algo ilegal, na condição de que os recursos movimentados sejam declarados à Receita Federal e ao Banco Central. No caso de servidores públicos, a exemplo de Guedes e Campos Neto, é necessário atender a critérios específicos e cumprir o que determina o Código de Conduta da Alta Administração Federal: “É vedado o investimento em bens cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função, inclusive investimentos de renda variável ou em commodities, contratos futuros e moedas para fim especulativo, excetuadas aplicações em modalidades de investimento que a CEP [Comissão de Ética Pública] venha a especificar”.

E na condição de ministro da Economia, Paulo Guedes acaba tendo autonomia para propor e influenciar mudanças capazes de impactar suas aplicações financeiras no Paraíso Fiscal.

O caso envolvendo Guedes e a sua offshore será avaliado pela Câmara dos Deputados, com a devida sabatina do ministro. A Procuradoria Geral da República também anunciou que investigará a questão. E o senador Randolfe Rodrigues já acionou o Supremo Tribunal Federal com objetivo de enquadrar tanto Guedes quanto Campos Neto no suposto crime de responsabilidade. Junto a isso, outros oposicionistas do governo entendem que o ministro violou a Lei de Conflito de Interesses. Até a abertura de uma CPI das offshores é cogitada por vários parlamentares.

Michelle Bolsonaro e Paulo Guedes são igualmente responsáveis por aumentar o desgaste do governo de Jair Bolsonaro. Os dois prováveis escândalos aumentam o fardo do presidente num cenário péssimo por conta das crises econômica e política. O país acumula atualmente um número recorde de desempregados, aumento da inflação, alta nos preços dos alimentos, combustíveis, fome que atinge 19 milhões de brasileiros e a morte por Covid que está perto de 600 mil pessoas. O resultado desse desgoverno, dessa desordem, é revelado pelas pesquisas de grandes institutos, com o crescimento do conceito ruim/péssimo da gestão Bolsonaro somado à sua provável derrota que se avizinha nas eleições presidenciais de 2022.

Estamos de olho! Fora Bolsonaro!

Augusto do Jornal, diretor da Executiva Nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil) e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos

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