A cidade de Ferraz de Vasconcelos começou pequena e ligada ao município de Mogi das Cruzes, tendo como seu primeiro bairro, o Tanquinho, bairro que até Dom Pedro I passou. O bairro surgiu com a passagem de tropeiros pela cidade e após as migrações de famílias que buscavam condições favoráveis de clima e de fertilidade do solo. Segundo registros históricos, os membros da Família Leite foram os primeiros a estabelecer residência aqui, além de serem os primeiros fruticultores das terras que futuramente seriam ferrazenses.

Depois de diversos acontecimentos e de um visível avanço da futura Ferraz de Vasconcelos, foi construída a fábrica de lixas Gotthard Kaesemodel, que produz colas, lixas e papéis com a marca “Tatu”, tendo essa fábrica como uma grande determinante, surgiu a Vila Romanópolis, que começou a ser povoada e ter seus lotes vendidos, tornando-se bairro, após a construção da estação de Trem na década de 1920.

O nome da estação é uma homenagem ao engenheiro mineiro da Estrada de Ferro Central do Brasil, José Ferraz de Vasconcelos. José projetou a estação de trem da então Vila Romanópolis, assim, recebendo esta homenagem.

O nome da estação de trem era de um distrito de Poá, chamado distrito de Ferraz de Vasconcelos, após a emancipação de Mogi das Cruzes (Lei Estadual nº 233, de 24 de dezembro de 1948). Até que, em 14 de outubro de 1953, pela lei 2456, Ferraz de Vasconcelos se emancipou da cidade de Poá e foi para a categoria de município.

A cidade de Ferraz de Vasconcelos já passou por muitas transformações, porém, os problemas continuam bem presentes na cidade, inclusive, problemas já antigos. Infelizmente, muita coisa feita atualmente se preocupa quase que exclusivamente com a estética da cidade, cobrindo, de forma rasa, os diversos problemas que continuam nos mais diversos pontos do município.

Entre as recentes obras feitas na cidade, está o Piscinão de Ferraz, que deve solucionar a questão das enchentes no centro do município, além disso, também foi inaugurada a nova sede do Centro Integrado de Atenção à Saúde da Mulher, a sede do Centro de Especialidades Odontológicas e também a nova sede do programa Melhor em Casa.

Porém, esses são alguns dos poucos projetos que realmente atingem efetivamente a população, além disso, em sua maioria, esses projetos partem de alguns vereadores específicos. Enquanto isso, projetos que visam trazer uma melhor aparência para a cidade, são priorizados, dentre eles, a obra do “Pontilhão” e algumas ações de pintura pela cidade. Ao mesmo tempo que a aparência da cidade é revitalizada, os reais e principais problemas acabam ficando de lado.

Um grande e já antigo problema na cidade é o antigo prédio da Etec, que segue abandonado, e, além de estar em desuso, é um grave problema de segurança da cidade, o local é cenário de vários assaltos, deixando a população apreensiva de passar pelo local. É um espaço valioso que se tornou sinônimo de problema para os moradores locais.

Uma questão bem presente e que parece estar de lado é a saúde, postos que vivem com a falta de medicamentos e até bisturis, onde moradores são orientados a trazer os próprios para que conseguissem realizar o procedimento ou saem sem conseguir realizar algum exame. Não só isso, mas o Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos Dr. Osiris Florindo Coelho é palco de descasos e problemas para os pacientes que tentam conseguir um atendimento médico.

Enquanto os moradores das residências que fazem parte do programa Morar Bem II, localizadas no bairro da Vila São Paulo, esperam a finalização das obras no local, que visam trazer coisas básicas a quais eles não têm acesso, projetos voltados somente para a melhora da aparência da cidade são feitos a todo vapor.

Há diversos outros projetos que seguem parados na cidade, dentre eles, as obras no Centro de Convenções, que, além de estarem paradas, já usaram mais de R$ 5 mi do dinheiro público. Um prédio comprado na divisa com a cidade de Poá, que segue sem uso, a nova Câmara que não foi finalizada e que já custou cerca de R$ 3 mi para a cidade. O Castelo Vivenda Zenker, um dos patrimônios históricos da cidade, que segue sem reforma e os córregos da cidade que ainda precisam de limpeza.

Não se pode dizer que a cidade está parada, porém, é necessário dizer que não se está olhando para os pontos mais necessários na cidade, para os maiores problemas, para as questões que mais afetam a população e para questões antigas que já deviam ter sido resolvidas há muito tempo. Quem chega na cidade pode gostar do que vê nos centros onde revitalizações foram feitas, porém, a população mais carente, aqueles que vivem longe do centro, sabem o que precisa ser feito, sabem o que não foi feito e sabem que em diversas questões, estão de lado. São 68 anos de história, é necessário que as escolhas da gestão sejam mais pensadas e mais acertadas para que aqueles que já estão há tantos anos aqui, possam ver, de fato, mudanças na cidade.