Em sua recente coluna publicada na Revista Carta Capital, o cientista político e professor Aldo Fornazieri aborda a necessidade de não apenas derrotar Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022, mas também a importância em “desbolsonarizar” o Brasil. O neologismo inteligente do colunista encontra sentido ao avaliar o perfil do eleitorado e desse desgoverno que está no poder desde janeiro de 2019.

Para Fornazieri, “obolsonarismo não é um fascismo ou um nazismo estruturado, ideologicamente desenvolvido e coerente. Ao contrário, é uma mistura de ideias confusas, um fascismo tosco, ignorante, intelectualmente embrutecido, que beira a miséria cultural”.

Notem que via de regra, eleitores de Bolsonaro que ainda o defendem têm déficit cognitivo (daí os apelidos de Gado, de Burro). Muitas vezes, são cheios de teorias conspiratórias e reproduzem fake news aos montes, sem ao menos pesquisar o conteúdo da notícia, se é verdadeira ou falsa. Uma rápida navegada pelo Google pode esclarecer os fatos, diferentemente dos boatos. Há inclusive sites que prestam esse tipo de esclarecimento, entre os quais, E-Farsa, Fato ou Fake, Agência Pública – Turca e Agência Lupa. 

Os bolsonaristas semeiam o medo, são favoráveis a armar a população, negam a ciência, promovem a dor, a morte por Covid-19 devido a tratamentos nada convencionais rejeitados no mundo todo. Sinistros, conseguiram o apoio de entidades médicas brasileiras no mínimo suspeitas, como a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), ligada ao Ministério da Saúde, e o CFM (Conselho Federal de Medicina), ambas empenhadas em divulgar a falácia da cloroquina e da ivermectina como tratamento precoce contra o coronavírus. Existem aqueles mais xiitas ligados ao Bozo que até hoje recusam-se a tomar as vacinas contra a Covid. O próprio presidente faz discurso sobre essa imbecilidade. Rejeitam, inclusive, o fato de que a imunização causada pelos que tomaram vacinas, contribui para a queda do número de casos e de mortes.

De acordo com o cientista político Aldo Fornazieri, o que espanta no governo Bolsonaro são duas questões: 1 – Como a formação política grotesca desse povo consegue ainda estar no poder, há mais de dois anos e meio?; 2 – E como o presidente conseguiu agregar setores significativos da política e da sociedade? Não há ideologia que sustente tudo isso, já que Jair Bolsonaro movimenta-se mais pelo seu projeto pessoal de poder, da família e de amigos. 

O que ampara toda essa farsa presidencial tem nome: a classe empresarial, oportunista, sempre de olho e com influência nos governos para perpetuar seus ganhos fáceis. Danem-se (pra não escrever um palavrão) os trabalhadores, os mais pobres, os desempregados, os moradores de rua, os que passam fome . . . É o chamado mainstream que encontra porta-vozes em setores da grande imprensa e através de jornalistas militantes da direita. Aquilo que se observa no conteúdo editorial da Rádio Jovem Pan e da Rede TV, por exemplo, com suas produções diárias de notícias e de comentários a favor da agenda e das ideias malucas do presidente. Não à toa, recebem publicidade do governo – uma espécie de “cala boca” ou “toma lá, dá cá”.

Desde o fim do governo Dilma, com a ascensão de Michel Temer à Presidência, assistimos ao fim dos direitos dos trabalhadores, com a Reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização, na promessa vazia de gerar novos empregos – o que só garantiu apenas menos carga tributária às empresas. Bolsonaro assumiu o poder e deu continuidade à essa política da elite burra, do atraso (como diz o sociólogo e escritor Jessé Souza), ao promover a Reforma da Previdência no sentido de favorecer à mesma classe empresarial. Ou seja, deu continuidade aos programas reacionários de Temer.

O que nos resta está programado para 2022, especialmente àqueles brasileiros que acreditam num país mais justo e equilibrado, no sentido de derrotar Jair Bolsonaro nas urnas e promover a partir daí uma política de “desbolsonarizar” o Brasil, como defende Fornazieri na conclusão de sua coluna: “A sociedade precisa civilizar-se política, moral e culturalmente. Significa criar barreiras morais, políticas e legais capazes de impedir que o fascismo, a ditadura e a antidemocracia se apresentem com desenvoltura. Os fascistas, os psicopatas políticos e os desumanos precisam se sentir reprimidos de se apresentar publicamente. Precisam sentir uma repressão moral, subjetiva e legal de fazerem proselitismo do crime. O proselitismo do crime não pode ser entendido como liberdade de expressão, mas como estímulo à sua destruição”.

Estamos de olho! FORA BOLSONARO E SUA TRUPE!