Cada vez mais impopular, caindo pelas tabelas, o governo de Jair Bolsonaro vai substituir o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial pelo Auxílio Brasil. Uma troca de nomenclatura com forte dosagem de marketing em fim de governo, mas que no fundo prova o desespero do presidente para tentar ser reeleito em 2022.

A ação do governo federal nesse sentido faz nos lembrar (pelo menos os mais velhos) do personagem Odorico Paraguaçu, vivido pelo ator Paulo Gracindo, na novela O Bem Amado, exibida inicialmente na década de 70 pela Globo. Prefeito da cidade de Sucupira, Odorico comemorou o decreto municipal que garantiu mais dinheiro para a cidade. E sem se preocupar com o equilíbrio das contas públicas, quando questionado sobre um possível rombo fiscal, ele afirmou que quem cuida dessa parte é a equipe econômica. “Esses números eu deixei a cargo de sua excelência, que ficou de estudar, porque ele é formado e doutorado em manipulismos numerológicos”, disse o personagem.

Metaforicamente, Bolsonaro é Odorico Paraguaçu, Sucupira é o Brasil, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, é a excelência formada e especialista em “manipulismosnumerológicos”, podemos assim entender.

De acordo com o presidente, o Auxílio Brasil poderá ser pago no valor mensal de 400 reais para todos, sem exceção, superior à média atual de 192 reais do Bolsa Família. Política eleitoreira, casuísmo, para atender somente os interesses da reeleição, sem se importar em explodir o teto dos gastos. A partir de 2023, a sorte ficará lançada, já que não há previsão de orçamento para a continuação desse novo benefício, que deverá ser suspenso. Não sou contra o Auxílio Brasil, mas da forma como está programado, com data para terminar, vai na contramão das necessidades dos mais pobres. Defendo uma política de Estado, permanente, seja com os nomes que tiverem os auxílios de inclusão social.

É preciso ainda ficar claro que o Auxílio Brasil vai abranger menos famílias do que os programas sociais anteriores, como aponta o economista e professor da Universidade de Brasília, David Deccache: “Importante alertar que o Auxílio Brasil prometido pelo Bolsonaro não é a continuidade do Auxílio Emergencial. Enquanto o Auxílio Emergencial chegou em até 68 milhões de pessoas, o Auxílio Brasil pretende contemplar apenas 17 milhões. Aproximadamente 50 milhões de desprotegidos”. Portanto, não são “todos, sem exceção” os beneficiados, como malandramente discursou o presidente durante esta semana. 

No twitter, o senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE) avaliou os efeitos nefastos do novo auxílio programado pelo governo: “Estão usando precatórios e Auxílio Brasil para justificar o rompimento do teto. O objetivo real é acessar volumes bilionários de recursos em ano eleitoral, para fazer festa no Orçamento Secreto. Ao destruir os fundamentos econômicos, o governo Bolsonaro afunda o país na inflação”.

Para o deputado federal Marcelo Freixo (PSB/RJ), “o desgoverno Bolsonaro mais uma vez trata de forma eleitoreira o desespero dos brasileiros que estão passando fome. A suspensão do lançamento do Auxílio Brasil, faltando 30 meses para o evento, é a prova de que o presidente não tem proposta concreta para socorrer quem mais precisa”.

Pelo lado do governo, há “explicações” e “teses” em defesa do novo auxílio. O ministro Paulo Guedes pretende furar o teto de gastos para pagar R$ 400 no Auxílio Brasil até o final de 2022. Há um ano, o mesmo ministro tinha outra opinião, a de que furar o teto para ganhar eleição é irresponsabilidade.

Outro puxa-sado, o cabeça-de-ovo Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho e Previdência, acredita que o Auxílio Brasil é sinônimo de “responsabilidade fiscal e fraternidade de um governo que tem responsabilidade com o futuro do Brasil e a dignidade dos brasileiros”. Que frase mais mentirosa e irresponsável!

Então, caros amigos, caros leitores, não se iludam com essa armadilha marqueteira de Jair Bolsonaro e seus pares. Para eles, o que vale é a reeleição em 2022, doa a quem doer, custe o que custar. E tenham certeza de que vamos ouvir nas ruas, nos bares e na comunidade, muita gente elogiando o presidente com a ideia de que o “Mito” aumentou significativamente os benefícios Bolsa Família e Auxílio Emergencial para 400 reais, como se todos os inscritos nos planos anteriores fossem agora contemplados. Acordem!

Estamos de olho! FORA BOLSONARO! E no próximo ano, vamos eleger um novo presidente.

Augusto do Jornal, diretor da Executiva Nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil) e 2º suplente de vereador pelo PSB em Ferraz de Vasconcelos