A Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos aprovou em única discussão um requerimento solicitando aos órgãos e autoridades competentes providências em relação à precariedade no atendimento ao público no Hospital Regional Dr. Osíris Florindo Coelho, na Vila Corrêa. Além disso, no documento votado na sessão ordinária, na terça-feira, dia 23, a Casa também denunciou a falta constante de médicos especialistas na unidade. O pedido é assinado pelos vereadores Antônio Carlos Alves Correia (Republicanos), o Tonho, Roberto Antunes de Souza (Cidadania) e Luiz Fábio Alves da Silva (PSB), o Fabinho.

            Ainda dentro da lista de problemas existentes no Hospital Regional, os três parlamentares citam a ausência de atendimento humanizado nos setores de clínica médica, na prestação de serviços de segurança e na recepção em geral. Os vereadores destacam também a superlotação, já que muitos pacientes ficam espalhados pelos corredores jogados em macas e cadeiras de roda aguardando a boa vontade de funcionários e médicos. Eles criticam ainda a existência de filas extensas na parte exterior da unidade, deixando à própria sorte pessoas idosas e demais usuários que possuem direito constitucional de acesso à saúde pública digna.

            Outra área do Hospital Regional que também ganhou queixas dos vereadores foi a de assistência social. De acordo com eles, se tornou rotina receber reclamações diretamente de munícipes relatando que são impedidos de acompanharem os seus entes queridos internados por falta de informações básicas. “Na realidade, eles são tratados sem nenhum tipo de empatia e civilidade, o que, aliás, é uma obrigação de todo o cidadão atender bem o seu semelhante, mas, sobretudo, servidores públicos”, dizem Tonho, Roberto de Souza e Fabinho. Os parlamentares acusam ainda a demora na fila por cirurgias eletivas tendo em vista que o tempo de espera chega a seis meses ou mais.

            Em todo caso, apesar de todas essas falhas no atendimento prestado à população, um episódio recente que simboliza muito bem o descaso com os pacientes aconteceu no dia 14 deste mês, quando um morador local foi declarado como morto, porém, depois descobriu-se que fora um engano para alívio da família e amigos. No entanto, infelizmente, no último final de semana, cidadão veio à óbito. Segundo o diretor técnico do Hospital Regional, Roberto Kameo, o caso está sendo apurado e o resultado da sindicância deve sair em breve. Para ele, por mês, a unidade atende em média 18 mil usuários.

                                                           Agravamento

            Já o vereador Flávio Batista de Souza (Podemos), o Inha, apresentou um adendo ao requerimento. Nele, ele destacou a superlotação e a falência da saúde pública causada pelas autoridades estaduais, em especial, pelo governador, João Dória (PSDB) e o secretário de Estado de Saúde, Jean Gorinchteyn que restringiram o atendimento ao público no Hospital Geral de Guaianases e nos conveniados com o Santa Marcelina, no Itaim Paulista e em Itaquaquecetuba. No primeiro, ficou exclusivo para pacientes com a Covid-19 e os demais só atendem usuários levados pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) ou Corpo de Bombeiros. Com isso, sobrecarregou a demanda no Regional. 

            Além de Inha, assinam ainda o adendo Alexandro Santos Alves Silva (PSC), o Teteco, Derneval Jardim (PL), o Deí, Eliel de Souza (PL), o Eliel Fox, Ewerton Correa Cardoso (Podemos), o Diretor Everton, Flávio de Albuquerque Castilho (PSB), o Flávio do Depósito, José Juca de Araújo Neto (PSC), o Juca do São Judas e Valter da Costa Fernandes (PSD), o Valtinho do Som. Cópias do requerimento serão enviadas à presidência da Assembleia Legislativa (Alesp), à Secretaria de Estado da Saúde, à Procuradoria-Geral de Justiça, ao Palácio dos Bandeirantes, ao Sistema Único de Saúde, ao Ministério Público (MP) e à prefeita de Ferraz, Priscila Gambale (PSD).