A Secretaria de Transportes de São Paulo e a SPTrans afirmaram nesta quarta-feira (22) que a tarifa de ônibus deveria passar a custar, no mínimo, R$ 5,10 para corrigir a inflação dos últimos anos. A proposta será enviada para o prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB). Até o momento, a tarifa custa R$ 4,40.

Os custos da operação de ônibus na capital paulista são divididos entre os usuários, que pagam a passagem, e entre a Prefeitura, através de subsídio, representando 47% do custo total.

A Prefeitura de São Paulo pagou R$ 3,3 bilhões em subsídio às empresas de ônibus em 2021. Segundo o estudo apresentado pela SPTrans, a cada R$ 0,10 na tarifa básica, a receita tarifária aumenta R$ 104 milhões nos primeiros 12 meses.

Caso o valor de R$ 5,10 seja aprovado pelo prefeito, cerca de R$ 728 milhões devem ser arrecadados a mais pelo sistema de ônibus em 12 meses, diminuindo a necessidade de subsídio do Tesouro Municipal, que em 2021 deve chegar a R$ 3,3 bilhões, segundo a SPTrans.

SPTrans calcula R$ 5,08 de tarifa para corrigir inflação, mas, para facilitar o troco, valor seria arredondado para R$ 5,10 — Foto: Reprodução

A proposta de reajuste foi apresentada por Andréa Compri, Superintendente de Receita e Remuneração da SPTrans durante uma reunião com o Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT).

“Nós vamos mandar para o executivo a nossa sugestão de que é preciso ter reajuste de tarifa. Esse percentual é alto, é. Mas é por isso que o Executivo está indo atrás de outras fontes de receita”, afirmou Andréa.

A cidade de São Paulo tem até o próximo dia 25 para decidir se vai aumentar o valor das passagens. O prefeito da cidade falo que é possível que não haja aumento.

“Pode ser que sim, mas tá caminhando muito pra que a gente consiga segurar o aumento da passagem, para não ter, é o que tá caminhando, mas os estudos não estão concluídos”, afirmou Ricardo Nunes.

Segundo a SPTrans, o custo total do sistema de transporte é de R$ 8,71 por passageiro, sendo R$ 7,96 para a operação da frota de veículos (combustível, investimentos, mão de obra e outros) e R$ 0,74 para a infraestrutura do sistema de transporte (comercialização, gestão e terminais).

O coordenador do Programa de Mobilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calabria, diz que o aumento da tarifa para o passageiro não é justificável, levando em conta que o valor do subsídio pago pela Prefeitura aumentou.

“Se a Prefeitura dá subsídio e aumenta a tarifa, fica impossível justificar para o passageiro. Não tem argumento para aumentar subsídio, ele já foi aumentado na pandemia e agora ainda vai aumentar a tarifa do passageiro? Fica difícil defender”, afirmou.

Mauro Calliari, membro do conselho, também é contra o aumento da tarifa.

“Qual é a prioridade da Prefeitura? O orçamento aumentou 17%. Talvez não devêssemos aumentar porque estamos em pandemia e há aumento no orçamento”, disse Calliari.