O aplicativo de delivery Uber Eats não fará mais entregas de restaurantes a partir do dia 8 de março. O anúncio feito nesta quinta-feira (8) diz que a companhia segue funcionando, porém, somente para itens de supermercados e lojas.

“A partir de agora, a empresa vai trabalhar em duas frentes: com a Cornershop by Uber, para serviços de intermediação de entrega de compras de supermercados, atacadistas e lojas especializadas; e de entrega de pacotes pelo Uber Flash”, disse a companhia.

Também foi dito que ainda pretendem expandir no Uber Direct, uma opção corporativa que permite que lojas façam entregas no mesmo dia para seus clientes, e em meios de transporte como motos e táxis, para oferecer seus produtos.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) disse que o fim do aplicativo Uber Eats no Brasil deixa o setor com muita apreensão.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, disse que a descontinuação do serviço representa uma significativa perda de competitividade no mercado delivery.

Vai ser péssimo para o setor e para o consumidor. O preço da comida pode aumentar, porque a oferta de prestadores [do serviço de delivery] diminui, e vamos ter que nos submeter ao preço que quiserem cobrar. No fim das contas, isso vai para o cardápio”, afirmou Solmucci.

O mercado de delivery brasileiro por aplicativos é dominado pelo iFood, com mais de 70% de participação, para Solmucci, isso representa um problema de concorrência no segmento.

“Temos uma preocupação muito grande com essa concentração de mercado. Hoje, pagamos uma taxa de 30% do faturamento [para as empresas de delivery]. É preciso aumentar a concorrência entre as plataformas”, disse Solmucci.

Em março do ano passado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) proibiu o iFood de realizar novos contratos de exclusividade com restaurantes após uma reclamação conjunta dos aplicativos Uber Eats e Rappi.