Um pesquisador do Datafolha foi agredido enquanto fazia entrevistas na tarde desta terça-feira (20), em Ariranha (SP). Ele sofreu lesões na boca e apresentou dores no corpo, após o ocorrido, ele foi encaminhado ao pronto-socorro da cidade, onde foi atendido e liberado.

Segundo o entrevistador, dois homens, que são pai e filho, se aproximaram dele e o ofenderam enquanto ele realizava uma entrevista. Quando virou de costas, eles o agrediram com chutes e socos.

“Era minha última entrevista do dia. Um senhor se aproximou e começou a me hostilizar, dizendo que queria responder a qualquer custo, dizendo que o pessoal estava pegando de um candidato específico, no caso citou o Lula. Pedi respeito e educação. Ele me provocou, começou a me chamar de vagabundo e disse que ia me esperar”, relatou o pesquisador.

“Fui conversar com o senhor, dizendo que as abordagens eram aleatórias, que é uma prática nossa, que tem método para fazer a pesquisa, que quem se oferece não pode. Virei as costas para ir embora. Ele começou uma série de agressões, com chutes e socos. Virei para revidar, e o filho dele também veio para cima. Os vizinhos separaram. Eles vieram para cima de novo. Ele foi para dentro de casa e voltou com uma faca grande. Um vizinho me mandou ir embora. Um outro vizinho me levou de carro para ir ao pronto-socorro e fazer o boletim de ocorrência.”

Delegacia de Ariranha, em São Paulo — Foto: Reprodução

O caso foi registrado como lesão corporal e será investigado pela Polícia Civil.

“O pesquisador estava desempenhando seu trabalho e foi covardemente agredido fisicamente. Nada justifica qualquer tipo de agressão. Estamos acompanhando um aumento da hostilidade em relação aos pesquisadores e isso é muito preocupante”, disse Luciana Chong, diretora do Datafolha.

“Os pesquisadores fazem um treinamento padronizado e as pessoas que se oferecem não podem ser entrevistadas. A abordagem tem que ser aleatória. Quando o pesquisador vai para campo, ele já sabe quantos homens e mulheres ele tem que entrevistar. Ele fica nos pontos de fluxo, que não necessariamente são de grande fluxo. E ele vai entrevistando aleatoriamente. Se começa a aceitar que as pessoas se ofereçam isso pode causar um viés. Pode permitir que um terceiro influencie. E tem que ter uma padronização. É um campo grande, em todo o país. Todo mundo tem que fazer da mesma forma. E isso é feito assim desde o início do Datafolha.”

Os pesquisadores do Datafolha são orientados a não aceitar pedidos de entrevista, a não darem permissão para serem filmados e a não usarem crachá durante o deslocamento, somente quando estiverem realizando as entrevistas.