Trump afirma que supervisão americana pode durar anos, enquanto governo interino venezuelano sinaliza abertura para parcerias energéticas
A política dos Estados Unidos para a Venezuela entrou em uma nova fase após a captura de Nicolás Maduro. Declarações recentes do presidente Donald Trump indicam que a presença e a supervisão americana no país podem se estender por anos, com o petróleo no centro da estratégia de reconstrução econômica.
Trump projeta supervisão prolongada sobre a Venezuela
O presidente dos EUA afirmou que “só o tempo dirá” por quanto tempo Washington manterá a supervisão sobre a Venezuela, mas deixou claro que o período tende a ser longo. Questionado sobre prazos, Trump respondeu que imagina uma permanência “muito maior” do que alguns meses ou um ano.
Segundo ele, a proposta envolve reconstruir a Venezuela de forma lucrativa, usando o petróleo como principal ativo econômico. Trump declarou que os EUA pretendem importar petróleo venezuelano, reduzir os preços internacionais e, ao mesmo tempo, gerar recursos para o país sul-americano, que enfrenta uma crise profunda.
O presidente também destacou que os EUA estão “se dando muito bem” com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez, indicando um alinhamento político entre Washington e Caracas neste momento.
Plano prevê refino e venda de até 50 milhões de barris
Trump revelou um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, que estavam retidos em razão do bloqueio econômico imposto pelos EUA nos últimos anos. A medida é vista como um sinal concreto de coordenação entre os dois governos.
De acordo com o presidente americano, o governo interino da Venezuela tem colaborado com os Estados Unidos e fornecido “tudo o que consideramos necessário” para viabilizar a operação energética.
Venezuela diz estar aberta a parcerias energéticas internacionais
A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela está aberta a parcerias energéticas com outros países, destacando que o país possui uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo.
Durante reunião com membros da Assembleia Nacional, ela defendeu acordos comerciais baseados em benefícios mútuos, contratos bem definidos e respeito ao direito internacional. Segundo Rodríguez, os recursos energéticos venezuelanos devem servir ao desenvolvimento nacional e também ao crescimento econômico de outros países.
Mudanças no governo após a captura de Maduro
Delcy Rodríguez assumiu o comando do país após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação conduzida pelos Estados Unidos. Desde então, o governo interino iniciou a nomeação de autoridades para cargos estratégicos, com foco especial nos setores de segurança e economia.
As primeiras medidas indicam uma tentativa de reorganização rápida do Estado venezuelano, em meio à pressão internacional e à necessidade de recuperar a confiança de parceiros externos.
Impactos geopolíticos na América Latina
O novo cenário coloca a Venezuela como um ponto estratégico para os EUA na América Latina, especialmente no contexto da disputa global por energia. A possibilidade de uma supervisão americana prolongada, aliada à abertura para parcerias internacionais, pode redefinir o papel do país no mercado energético mundial.
Especialistas avaliam que os desdobramentos dessa política devem ter impactos duradouros na geopolítica regional, com reflexos diretos sobre a economia e a estabilidade política da Venezuela nos próximos anos.



