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TSE agenda julgamento que pode levar à cassação do mandato do senador Jorge Seif

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral analisam recurso por abuso de poder econômico na campanha de 2022 e decisão pode resultar em perda do mandato ou novas eleições


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma na próxima quinta-feira (5) o julgamento do processo que pode resultar na cassação do mandato do senador Jorge Seif (PL), eleito por Santa Catarina nas eleições de 2022. A ação apura a suposta prática de abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral.

O caso volta à pauta após pedido de vista e envolve um recurso apresentado pela coligação Bora Trabalhar, formada por PSD, Patriota e União Brasil, contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), que havia rejeitado a cassação do parlamentar.


Recurso questiona decisão do TRE de Santa Catarina

Os ministros do TSE analisam se a decisão do TRE-SC deve ser mantida ou reformada. Caso o tribunal superior entenda que houve irregularidades graves, o julgamento pode resultar em consequências diretas para o mandato de Jorge Seif.

O processo trata de abuso de poder econômico, infração que, se comprovada, pode levar não apenas à perda do mandato, mas também à inelegibilidade e à eventual realização de novas eleições para o preenchimento da vaga no Senado.

Se o recurso for rejeitado, a ação será arquivada, e Seif permanecerá no cargo.


Acusações envolvem uso de recursos não declarados

De acordo com a acusação apresentada pela coligação adversária, a campanha de Jorge Seif teria sido beneficiada por empresários e por uma entidade sindical, com a utilização de recursos não declarados à Justiça Eleitoral, o que teria influenciado o resultado da eleição.

Entre os principais pontos citados no processo estão a doação irregular de um helicóptero, de propriedade do empresário Osni Cipriani, utilizado para deslocamentos de campanha, e o uso da estrutura empresarial de Luciano Hang, dono da rede varejista Havan.


Uso de empresas e apoio empresarial estão no centro do processo

Segundo os autores da ação, o suposto abuso de poder econômico teria ocorrido por meio de diferentes práticas, entre elas:

  • Uso de aeronave privada para deslocamentos eleitorais sem a devida declaração;
  • Aproveitamento da estrutura das lojas da Havan, incluindo transporte aéreo, estúdios de gravação, produção de vídeos e realização de transmissões ao vivo;
  • Divulgação da campanha em canais oficiais da empresa, além do envolvimento de funcionários na promoção da candidatura;
  • Suposto financiamento de propaganda eleitoral por entidade sindical, também sem registro formal.

Os advogados de Jorge Seif afirmam que todas as ações foram regulares e que não houve qualquer benefício ilícito ou desequilíbrio na disputa eleitoral.


TSE pode tomar três caminhos diferentes

Ao final do julgamento, o Tribunal Superior Eleitoral poderá adotar diferentes desfechos para o caso. Entre as possibilidades estão a manutenção do mandato de Jorge Seif, com o consequente arquivamento do processo; a cassação do mandato do senador, com a posse de um dos suplentes; ou ainda a cassação de toda a chapa, o que levaria à convocação de novas eleições para o Senado em Santa Catarina.

A definição dependerá da avaliação dos ministros sobre a gravidade das condutas apontadas e o impacto delas no resultado do pleito de 2022.


Outros investigados também são alvos da ação

Além do senador Jorge Seif, o processo também envolve os suplentes da chapa, Hermes Artur Klann e Adrian Rogers Censi, além de empresários citados na denúncia, como Almir Manoel Atanazio dos Santos e Luciano Hang, proprietário da Havan.

Seif, que antes de assumir o mandato foi secretário de Aquicultura e Pesca no governo Jair Bolsonaro, sempre negou irregularidades e sustenta que sua eleição ocorreu dentro das regras da legislação eleitoral.


Julgamento pode ter impacto político em Santa Catarina

A retomada do julgamento no TSE é acompanhada de perto por lideranças políticas e partidos, já que uma eventual cassação pode alterar a composição do Senado e provocar nova disputa eleitoral no estado.

O caso também reforça o debate sobre financiamento de campanhas, limites do apoio empresarial e fiscalização da Justiça Eleitoral, temas centrais nas eleições recentes e que seguem em evidência no cenário político nacional.