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PIB avança 2,3% em 2025 e agro lidera crescimento, aponta Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Com avanço de R$ 12,7 trilhões no PIB, país registra quinto ano seguido de expansão, impulsionado principalmente pela agropecuária


O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, a economia brasileira alcançou R$ 12,7 trilhões no período.

O resultado confirma o quinto ano consecutivo de crescimento, mas representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o avanço foi de 3,4%. Trata-se também do menor desempenho anual dos últimos cinco anos, refletindo os impactos de juros elevados e de um ambiente de crédito mais restritivo ao longo do ano.


Desempenho do PIB por setores

O crescimento de 2025 foi sustentado por todos os grandes setores da economia, com destaque expressivo para a agropecuária. O setor avançou 11,7%, enquanto os serviços cresceram 1,8% e a indústria registrou alta de 1,4%.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, o consumo do governo avançou 2,1% e os investimentos aumentaram 2,9%. No setor externo, as exportações tiveram expansão de 6,2%, enquanto as importações cresceram 4,5%.

Segundo o IBGE, quatro atividades — agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços — responderam por 72% do total do volume do valor adicionado em 2025, sendo menos impactadas pela política monetária contracionista.


Agropecuária lidera crescimento com safra histórica

A agropecuária foi o principal motor do PIB em 2025. O crescimento de 11,7% foi impulsionado por safras recordes, ganhos de produtividade e condições climáticas mais favoráveis em comparação a 2024.

A produção de milho cresceu 23,6%, enquanto a soja avançou 14,6%, ambas atingindo volumes históricos. No total, o Brasil colheu 350,2 milhões de toneladas de grãos, a maior safra já registrada.

O desempenho também foi impulsionado pelas exportações. A soja atingiu 108,2 milhões de toneladas embarcadas, alta de 9,5% frente ao ano anterior. A pecuária igualmente apresentou resultados históricos, com 3,50 milhões de toneladas de carne bovina exportadas, crescimento de 20,9%, além de 42,3 milhões de cabeças de gado abatidas.

Em 2025, o Brasil se consolidou como maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos pela primeira vez.

Apesar do forte crescimento, a agropecuária responde por 7,1% do PIB total, enquanto os serviços concentram 69,5% e a indústria representa 23,4% da economia.


Indústria cresce com apoio das extrativas

A indústria registrou expansão de 1,4% em 2025. O principal impulso veio das indústrias extrativas, que avançaram 8,6%, refletindo o aumento na extração de petróleo e gás.

A construção civil contribuiu com alta de 0,5%. Em contrapartida, os segmentos de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 0,4%, enquanto as indústrias de transformação apresentaram queda de 0,2%, sinalizando dificuldades persistentes diante do custo elevado do crédito.


Serviços avançam mesmo com juros elevados

O setor de serviços, responsável pela maior parcela do PIB, cresceu 1,8% em 2025, com todas as atividades apresentando resultado positivo.

Os principais destaques foram informação e comunicação, com alta de 6,5%, atividades financeiras e de seguros, com avanço de 2,9%, e transporte, armazenagem e correio, que cresceram 2,1%.

O desempenho é considerado relevante em um contexto de política monetária restritiva, que tende a impactar diretamente o consumo e os investimentos.


PIB per capita e perspectivas para 2026

O PIB per capita atingiu R$ 59.687,49, com crescimento real de 1,9% frente ao ano anterior.

Apesar da expansão consistente, o ritmo mais moderado acende alertas para 2026. Após um ano de recordes no campo, a expectativa é de desaceleração da agropecuária, com crescimento mais contido na produção de soja e possível retração na produção de milho.

Sem o forte impulso do agro, a continuidade do crescimento dependerá de uma recuperação mais robusta da indústria, do consumo das famílias e de condições financeiras mais favoráveis.