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Polícia francesa investiga o X e convoca Elon Musk por suspeitas de pornografia infantil e deepfakes

Autoridades apuram suposta cumplicidade da plataforma na disseminação de conteúdos ilegais e no uso do chatbot Grok para gerar imagens sexuais não consensuais; Reino Unido e União Europeia também abriram investigações


Buscas em escritórios do X na França

Os escritórios da rede social X na França foram alvo de buscas do Ministério Público de Paris e da polícia francesa na manhã desta terça-feira (3). A operação faz parte de uma investigação preliminar que apura suspeitas de disseminação de pornografia infantil, deepfakes sexualmente explícitos e outras infrações associadas à plataforma.

Segundo as autoridades, a investigação está em andamento desde janeiro de 2025 e envolve a unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris, com apoio da Unidade Nacional de Cibersegurança e da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial. Funcionários do X que atuam na França também foram intimados a prestar depoimento como testemunhas.


Elon Musk e ex-CEO do X são convocados

O Ministério Público de Paris informou que enviou intimações para que Elon Musk, dono da rede social X, e Linda Yaccarino, ex-CEO da plataforma, prestem esclarecimentos voluntários em Paris, no dia 20 de abril de 2026. De acordo com os promotores, ambos são considerados gestores de fato e de direito da empresa à época dos fatos investigados.

Em nota, o órgão afirmou que a condução da investigação busca uma abordagem construtiva, com o objetivo de garantir que a plataforma X cumpra a legislação francesa enquanto opera no território nacional. A Procuradoria também anunciou que deixará de utilizar o X para comunicações institucionais, orientando o público a acompanhar o órgão por outras redes sociais.


Acusações incluem pornografia infantil e deepfakes

O inquérito apura possível cumplicidade da plataforma na manutenção e disseminação de imagens pornográficas envolvendo menores, além da circulação de deepfakes sexualmente explícitos. Também são investigados crimes como negação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistemas automatizados de dados no contexto de um grupo organizado.

Segundo o comunicado oficial, a apuração teve início após denúncias de um parlamentar francês, que alegou que algoritmos enviesados do X poderiam ter distorcido o funcionamento de sistemas automatizados de processamento de dados. Com o avanço das investigações, novas denúncias levaram à ampliação do escopo do inquérito.

Entre os pontos centrais está a atuação do chatbot Grok, ferramenta de inteligência artificial associada ao X, que teria sido utilizada para gerar conteúdos sexualmente explícitos falsos, além de material que nega o Holocausto, segundo os promotores.


Reino Unido abre investigação contra o Grok

Paralelamente à apuração francesa, o Reino Unido anunciou a abertura de uma investigação formal contra o Grok. A autoridade britânica de proteção de dados informou que a apuração tem como alvo a xAI, empresa responsável pela ferramenta, e a X Internet Unlimited Company, controladora dos dados da plataforma na União Europeia.

De acordo com o Information Commissioner’s Office (ICO), há relatos de que o chatbot vem sendo utilizado para criar imagens e vídeos sexuais não consensuais, inclusive envolvendo crianças. O órgão afirmou que a circulação desse tipo de conteúdo representa risco significativo de danos ao público e levanta sérias preocupações à luz da legislação britânica de proteção de dados.

O Ofcom, regulador britânico de mídia, informou que seguirá com sua própria investigação sobre o X, enquanto governos e autoridades reguladoras ao redor do mundo intensificam a fiscalização sobre conteúdos gerados por inteligência artificial.


Impacto político e resposta de Musk

A convocação de Elon Musk e as buscas realizadas na França podem ampliar as tensões entre Europa e Estados Unidos, especialmente nos debates sobre regulação de grandes empresas de tecnologia, responsabilidade das plataformas digitais e limites da liberdade de expressão.

Em julho, Musk negou as acusações relacionadas à investigação francesa e afirmou que os promotores estariam conduzindo uma apuração criminal com motivação política. O X foi questionado sobre o caso, mas não havia se manifestado até a última atualização.