Presidente afirma que campanha foi a menos organizada de que participou desde 1989 e questiona o segundo lugar no primeiro turno da eleição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a organização de sua campanha à reeleição durante uma reunião com parlamentares aliados eleitos, nesta quarta-feira, 7 de outubro, em Brasília. Segundo ele, a campanha foi a menos organizada de que participou desde sua primeira disputa presidencial, em 1989.
Lula afirmou ter comunicado a avaliação ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e declarou que a campanha poderia ter feito mais. A cobrança foi apresentada publicamente, em tom bem-humorado, durante o encontro com as novas bancadas de esquerda da Câmara dos Deputados e do Senado.
O presidente também disse ter estranhado o resultado do primeiro turno, no qual ficou em segundo lugar, atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), e defendeu maior união entre os partidos do campo progressista.
Lula diz que campanha poderia ter feito mais
Ao falar com os aliados, Lula afirmou que a campanha ficou abaixo do que considerava possível realizar na disputa pela reeleição.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, declarou.
A crítica foi dirigida à organização da campanha eleitoral, responsável pela disputa que levou o presidente ao segundo turno. Na fala, Lula utilizou sua primeira candidatura à Presidência como referência para comparar a estrutura da campanha atual com as anteriores.
Embora tenha apresentado a cobrança em tom humorado, o presidente afirmou que esperava uma atuação maior da campanha.
Transmissão do PT ficou fora do ar por 13 minutos
A reunião estava sendo transmitida pelo canal do PT no YouTube. Minutos depois da crítica de Lula aos organizadores da campanha, a transmissão foi interrompida pelos moderadores.
O vídeo voltou ao ar após 13 minutos. Não foi informado o motivo da interrupção.
O encontro ocorreu no Hotel Meliá, em Brasília, com a participação de parlamentares aliados eleitos para a Câmara e o Senado.
Presidente questiona resultado do primeiro turno
Lula também afirmou que esperava vencer a eleição no primeiro turno ou, ao menos, terminar a votação à frente de Flávio Bolsonaro.
Segundo o presidente, essa expectativa estava relacionada às entregas realizadas por seu governo. Ele disse que, durante a campanha, não conseguia enxergar como essas ações não seriam suficientes para garantir a vitória.
“Nesta eleição, eu não conseguia enxergar como não ganharíamos pelas entregas que fizemos”, afirmou.
Na sequência, Lula reconheceu que parte da sociedade não compreendeu o que o governo realizou, segundo sua avaliação.
“Isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade entendesse o que fizemos”, declarou.
O presidente encerrou o primeiro turno na segunda colocação e disputará a próxima etapa da eleição contra o senador do PL.
Lula defende união dos partidos de esquerda
Durante a reunião, Lula cobrou maior unidade entre os partidos do campo progressista e afirmou acreditar que as legendas de esquerda poderão se reunir em uma única sigla no futuro.
“Haverá um dia em que a esquerda vai estar em um partido só. É uma questão de maturidade e de tempo”, disse.
O presidente também afirmou que a separação entre essas legendas nem sempre ocorre por diferenças em seus programas políticos. Segundo ele, a permanência de dirigentes em cargos partidários pode dificultar a aproximação.
“Muitas vezes, a gente não tem divergência programática, tem sustentabilidade de cargo de quem está e não quer sair”, declarou.
Lula apresentou a união em um único partido como uma possibilidade futura, sem anunciar uma proposta concreta de fusão durante a fala.
Reunião reúne parlamentares eleitos em Brasília
O encontro no Hotel Meliá reuniu Lula e integrantes das novas bancadas de esquerda do Senado e da Câmara dos Deputados após a votação do primeiro turno.
Na reunião, o presidente tratou da organização da campanha à reeleição, do resultado obtido nas urnas e da relação entre os partidos aliados.
As declarações foram feitas durante a preparação para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro, depois de Lula terminar a primeira etapa da disputa na segunda posição.