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Incêndio na UFPE destrói laboratórios e causa prejuízo estimado em R$ 100 milhões

Terceiro incêndio registrado na universidade em uma semana atingiu prédio com pesquisas e amostras acumuladas ao longo de 20 anos; Polícia Federal vai investigar as causas.


Um incêndio destruiu laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na noite de quarta-feira (7), na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. Segundo o reitor Alfredo Gomes, o prejuízo estimado em equipamentos é de R$ 100 milhões, além da perda de amostras científicas acumuladas ao longo de duas décadas.

O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.

Não houve feridos, de acordo com a universidade e o Corpo de Bombeiros. Cinco viaturas foram enviadas ao local, e o trabalho de combate às chamas foi encerrado às 5h desta quinta-feira (8).

Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em uma semana. A causa do episódio mais recente ainda não foi identificada, e a Polícia Federal foi acionada para investigar.


Reitor relata perda de equipamentos e de acervo científico

O reitor Alfredo Gomes informou que o prédio reunia equipamentos utilizados em aproximadamente 100 tipos diferentes de pesquisas. Segundo ele, os materiais instalados no primeiro andar foram destruídos pelas chamas.

Além dos equipamentos, o incêndio atingiu amostras acumuladas ao longo de 20 anos de atividades científicas. O acervo era utilizado em trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado, além de pesquisas conduzidas por professores da instituição.

Para o reitor, a destruição representa uma perda irreparável para a universidade e para os estudos desenvolvidos no local. A estimativa de R$ 100 milhões se refere aos equipamentos e não traduz, por si só, a dimensão da perda do material científico armazenado.


Bombeiros preservaram parte dos laboratórios no térreo

Segundo o major Melquezedek Calado, do Corpo de Bombeiros, as chamas tomaram todo o pavimento superior e uma sala do pavimento inferior.

As equipes conseguiram conter o avanço do fogo e preservar alguns laboratórios que funcionavam na parte inferior do edifício. O incêndio ficou restrito à estrutura atingida, e os imóveis vizinhos não sofreram danos, conforme o relato do oficial.

Em nota, a UFPE informou que os tipos de produtos armazenados no prédio contribuíram para que o fogo se espalhasse rapidamente. A universidade, entretanto, ainda não havia identificado o que provocou o início das chamas.


Polícia Federal fará perícia e abrirá inquérito

A Polícia Federal informou que manteve contato com o reitor da UFPE e com o comando do Corpo de Bombeiros após o incêndio.

Uma equipe de peritos federais se deslocou até a universidade para realizar o exame do local. A corporação também anunciou a instauração de um inquérito policial para apurar as circunstâncias e as possíveis causas do fogo.

Até as informações divulgadas na manhã desta quinta-feira, não havia uma conclusão sobre a origem do incêndio. Também não foi apresentada uma relação entre esse episódio e os outros dois registrados recentemente na instituição.


Fumaça chegou à Casa do Estudante e assustou moradores

O prédio atingido fica próximo à Casa do Estudante da UFPE. Alunos relataram que a fumaça entrou nas residências e provocou preocupação entre os moradores.

A estudante de nutrição Letícia Porfísio, que não estava no campus no momento do incêndio, contou ter recebido relatos de testemunhas sobre a intensidade das chamas, o cheiro forte e as mensagens pedindo que as pessoas se afastassem do local.

Segundo o relato compartilhado por ela, seguranças da universidade verificaram se havia pessoas dentro do prédio. A estudante também mencionou informações de testemunhas sobre a perda de amostras relacionadas a estudos de Covid-19, autismo, câncer e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

A relação detalhada das pesquisas e dos materiais atingidos, porém, não foi apresentada nas informações divulgadas pela reitoria.


Universidade busca apoio de ministérios após a destruição

A UFPE informou que entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC) e com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para buscar apoio diante dos danos provocados pelo incêndio.

Em publicação no X, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, lamentou o episódio e destacou que não houve feridos. Ele afirmou que a pasta está em contato com a reitoria e acompanha a investigação sobre as causas.

O ministro também colocou o MEC à disposição para prestar apoio à instituição e manifestou solidariedade à comunidade universitária.


UFPE registrou outros dois incêndios nos últimos dias

O incêndio de quarta-feira foi precedido por outras duas ocorrências em laboratórios da universidade, ambas sem registro de feridos.

Em 30 de setembro, um incêndio atingiu um laboratório do Departamento de Física. Segundo a UFPE, a suspeita era de que o fogo tivesse começado em uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias.

No domingo (4), houve outro incêndio no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, localizado no Centro de Biociências. Esse episódio também não deixou vítimas.

As causas do incêndio que destruiu o antigo prédio da Dine serão apuradas pela Polícia Federal.