Investigação sigilosa busca analisar procedimentos adotados pelo BC e levou ao afastamento de servidores de cargos estratégicos
A Corregedoria-Geral do Banco Central (BC) instaurou uma sindicância interna para investigar o processo de fiscalização e liquidação do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. A apuração atende a uma determinação do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e ocorre em meio a mudanças na cúpula técnica responsável pela supervisão bancária.
O procedimento foi aberto no final de 2025, poucos dias após a liquidação do banco, e tramita em sigilo. A existência da sindicância foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada posteriormente.
Comissão foi criada para analisar fiscalização e liquidação do Master
Após a determinação de Gabriel Galípolo, a Corregedoria-Geral do BC instituiu uma comissão formada por servidores da própria autarquia, com a missão de apurar, de forma detalhada, como se deu o processo de fiscalização e posterior liquidação do Banco Master.
Fontes internas afirmam que a Corregedoria possui autonomia para conduzir a investigação, que não tem prazo definido para conclusão. O foco inicial é levantar informações técnicas, administrativas e procedimentais adotadas ao longo do acompanhamento da instituição financeira.
A sindicância não tem caráter punitivo neste momento, mas busca mapear eventuais falhas, lacunas ou pontos de melhoria nos processos internos do Banco Central.
Afastamentos ocorreram após abertura da sindicância
Depois do início da apuração, Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuou como diretor de Fiscalização do BC entre 2019 e 2023, foi afastado do cargo por determinação da presidência da autarquia. Cerca de dez dias após o afastamento, Souza solicitou descomissionamento da função que ocupava.
Em janeiro deste ano, Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, também foi afastado do cargo. Belline exercia função estratégica dentro da estrutura responsável pela fiscalização de instituições financeiras e pediu descomissionamento nesta quarta-feira (28).
Souza, por sua vez, atuava como chefe adjunto do mesmo departamento.
Banco Central afirma que não há acusações formais
O Banco Central informou que não há acusações formais contra os servidores envolvidos até o momento. Segundo a instituição, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana continuam exercendo suas atividades no BC, porém fora dos cargos de confiança que ocupavam anteriormente.
A autarquia reforçou que as mudanças fazem parte do andamento administrativo da sindicância e não representam, neste estágio, qualquer juízo de culpa.
Objetivo é aprimorar regras e controles internos
Pessoas que acompanham de perto a investigação afirmam que o principal objetivo da sindicância é obter um panorama completo e detalhado sobre todo o processo que levou à liquidação do Banco Master. A partir desse diagnóstico, o BC pretende avaliar eventuais ajustes em normas, fluxos e mecanismos de controle interno.
Uma comparação feita por fontes próximas à apuração é a de que o procedimento se assemelha a investigações sobre quedas de aeronaves, nas quais o foco inicial não é apontar culpados, mas entender o que aconteceu para evitar que situações semelhantes se repitam.
Caso ocorre em meio a debate sobre supervisão bancária
A abertura da sindicância ocorre em um momento de atenção redobrada do mercado financeiro sobre a atuação dos órgãos reguladores. A liquidação do Banco Master levantou questionamentos sobre monitoramento de riscos, governança e velocidade de resposta da supervisão bancária.
Internamente, a avaliação é de que a apuração pode servir como instrumento de fortalecimento institucional, contribuindo para o aprimoramento das práticas de fiscalização e para o aumento da transparência dos processos decisórios do Banco Central.




