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Governo inicia vacinação nacional contra dengue com imunizante inédito do Butantan

Campanha começa pelos profissionais do SUS e marca a entrada da primeira vacina do mundo em dose única contra os quatro sorotipos da dengue


O governo federal iniciou, nesta segunda-feira (9), a vacinação nacional contra a dengue, com foco inicial nos profissionais da atenção primária do SUS. A campanha marca a introdução da Butantan-DV, a primeira vacina do mundo em dose única capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.

O anúncio foi feito durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Instituto Butantan, em São Paulo, em um evento que também celebrou os 125 anos da instituição e formalizou novos investimentos na produção de vacinas e soros no país.


Profissionais de saúde são os primeiros a receber a vacina

Nesta primeira etapa, a imunização é direcionada a profissionais de saúde da Atenção Primária, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários e agentes de endemias.

O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses da Butantan-DV. Até o momento, 1,3 milhão de doses já foram entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), que coordena a distribuição em todo o território nacional.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os profissionais cadastrados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) passam a receber o imunizante a partir desta segunda.


São Paulo inicia vacinação em todos os municípios

Paralelamente à estratégia nacional, o Governo de São Paulo deu início à vacinação contra a dengue em todos os 645 municípios do estado.

Nesta fase inicial, cerca de 216 mil profissionais da saúde devem ser imunizados, incluindo trabalhadores da rede municipal de atenção básica. A ação ocorre em meio a um cenário de alerta epidemiológico: somente no último ano, o estado registrou 882.884 casos confirmados e 1.124 mortes por dengue.


Vacina é 100% nacional e considerada estratégica para o SUS

A Butantan-DV é um imunizante 100% nacional, desenvolvido ao longo de 15 anos de pesquisas, com aprovação da Anvisa em novembro de 2025. A vacina é indicada para pessoas de 12 a 59 anos.

Por ser aplicada em dose única, o imunizante é considerado estratégico para o SUS, pois facilita a logística, amplia a cobertura e acelera a proteção da população.

Os estudos clínicos de fase 3 apontaram:

  • 74,7% de eficácia geral
  • 91,6% de eficácia contra casos graves
  • 100% de proteção contra hospitalizações

O ensaio envolveu mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros, com resultados publicados em revistas científicas internacionais.


Produção será ampliada com investimento bilionário

Durante o evento no Instituto Butantan, o governo federal anunciou um pacote de investimentos de R$ 1,8 bilhão para ampliar e modernizar a produção de vacinas e soros no país.

Do total:

  • R$ 1 bilhão vem do Novo PAC
  • Cerca de R$ 400 milhões são aportes da Fundação Butantan

Os recursos serão destinados a quatro frentes principais:

  • Fábrica da vacina contra HPV, com capacidade para 20 milhões de doses por ano
  • Tecnologia mRNA, para vacinas contra Covid-19 e raiva
  • Produção da vacina DTPa (difteria, tétano e coqueluche), com 6 milhões de doses anuais
  • Ampliação da produção de soros, dobrando a capacidade para 1,2 milhão de frascos por ano

Evento marca avanço histórico na saúde pública

A cerimônia contou com a presença dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Rui Costa (Casa Civil), além do vice-presidente Geraldo Alckmin. Pesquisadores, agentes comunitários e o personagem Zé Gotinha participaram do ato simbólico que marcou o início da campanha.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, a expectativa é produzir até 25 milhões de doses da vacina ainda este ano, consolidando o Brasil como referência internacional em imunização.