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Operação da PF expõe investimentos de alto risco da Previdência do Amapá no Banco Master

Investigação aponta aplicação de R$ 400 milhões em letras financeiras e apura crimes de gestão temerária e fraudulenta


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação que coloca sob suspeita a gestão dos recursos da Previdência do Estado do Amapá (Amprev). A ação investiga investimentos milionários realizados no Banco Master, atualmente em processo de liquidação extrajudicial, e levanta questionamentos sobre a segurança do dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.

Batizada de Operação Zona Cinzenta, a ofensiva cumpre quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara da Justiça Federal, e mira diretamente dirigentes e membros do comitê de investimentos da autarquia previdenciária.


PF investiga aplicação de recursos previdenciários no Banco Master

De acordo com as investigações, a Amprev investiu cerca de R$ 400 milhões em ativos do Banco Master, valor considerado elevado diante do perfil conservador que deveria nortear aplicações de regimes próprios de previdência social.

A Polícia Federal apura se houve irregularidades na aprovação dessas aplicações, especialmente em letras financeiras (LFs), instrumento de investimento considerado de maior risco quando comparado a títulos públicos.

Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, os investimentos foram aprovados em três reuniões realizadas em julho de 2024, período em que o Banco Master já apresentava sinais de fragilidade financeira.


Dirigentes da Amprev estão entre os alvos da operação

Entre os investigados estão:

  • Jocildo Silva Lemos, diretor-presidente da Amprev
  • Dois membros do comitê de investimentos da autarquia

Conforme a apuração, os três foram responsáveis por votos favoráveis às aplicações no Banco Master, decisões que agora são analisadas sob a ótica da legalidade e da responsabilidade administrativa.

A PF investiga os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta, que podem ser configurados quando gestores assumem riscos incompatíveis com o dever de proteger recursos públicos, especialmente aqueles destinados à previdência.


Amprev é o segundo maior investidor estatal no Banco Master

O caso do Amapá não é isolado. A Amprev figura como o segundo maior fundo público investidor no Banco Master, ficando atrás apenas do Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro, que aplicou cerca de R$ 970 milhões e também foi alvo de operação da Polícia Federal neste mês.

O volume aplicado pelo fundo amapaense chama atenção de investigadores e órgãos de controle, uma vez que regimes próprios de previdência são orientados a priorizar segurança e liquidez, minimizando riscos ao patrimônio dos segurados.


Lista de estados e municípios que investiram no Banco Master

Levantamento mostra que diversos entes federativos aplicaram recursos no banco. Veja os valores conhecidos até o momento:

  • Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
  • Amapá (AP): R$ 400 milhões
  • Amazonas (AM): R$ 50 milhões
  • Maceió (AL): R$ 97 milhões
  • Cajamar (SP): R$ 87 milhões
  • São Roque (SP): R$ 93,15 milhões
  • Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
  • Araras (SP): R$ 29 milhões
  • Congonhas (MG): R$ 14 milhões
  • Outros municípios somam valores menores, entre R$ 1 milhão e R$ 7 milhões

A concentração de investimentos públicos no Banco Master é apontada por especialistas como um fator de alerta para falhas sistêmicas de governança e fiscalização.


Caso reacende debate sobre controle e fiscalização dos fundos previdenciários

A operação da PF ocorre em meio a uma série de investigações envolvendo aplicações financeiras de fundos públicos em instituições privadas, reacendendo o debate sobre:

  • Transparência nas decisões dos comitês de investimento
  • Responsabilização de gestores públicos
  • Atuação dos órgãos de controle e tribunais de contas

Especialistas alertam que eventuais prejuízos podem recair sobre os cofres públicos, obrigando estados e municípios a cobrir rombos com recursos do Tesouro.


Próximos passos da investigação

Com a apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos, a Polícia Federal deve aprofundar a análise sobre:

  • Critérios utilizados para aprovação dos investimentos
  • Existência de pareceres técnicos contrários ignorados pela gestão
  • Possíveis conflitos de interesse ou vantagens indevidas

A Amprev e os investigados ainda não se manifestaram oficialmente sobre a operação.