Projeto-piloto autorizado pela ANTT será realizado em rodovias de oito estados durante 180 dias; sistema medirá o tempo gasto entre pontos de controle, mas não aplicará multas nesta fase.
Radar medirá velocidade média em trechos de rodovias
Um novo modelo de fiscalização de velocidade começará a ser testado em rodovias de oito estados brasileiros. Diferentemente dos radares tradicionais, que registram a velocidade do veículo em um ponto específico, o sistema acompanhará o tempo gasto para percorrer determinado trecho.
O equipamento registrará a passagem do mesmo veículo em dois ou mais pontos. A partir da distância entre os locais e do tempo de deslocamento, será calculada a velocidade média desenvolvida durante o trajeto.
Os testes foram autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e terão duração inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.
Nesta fase, o projeto terá finalidade exclusivamente técnica, educativa e experimental. Os registros de velocidade média não resultarão em infrações ou multas.
Como funciona o radar de velocidade média
O sistema utiliza pontos de controle instalados ao longo da rodovia. Quando o veículo passa pelo primeiro equipamento, o horário é registrado. O mesmo procedimento ocorre no ponto seguinte.
Com essas informações, o sistema divide a distância percorrida pelo tempo gasto no deslocamento.
Se dois equipamentos estiverem separados por dez quilômetros e um veículo fizer o trajeto em seis minutos, por exemplo, a velocidade média será de 100 km/h. Caso o limite da via seja de 80 km/h, o sistema identificará que o motorista manteve uma média superior ao permitido.
O objetivo é observar o comportamento ao longo de toda a extensão monitorada, e não apenas no local exato em que o radar está instalado.
Diferença entre radar fixo e velocidade média
Os radares fixos atualmente utilizados no país medem a velocidade instantânea. Isso significa que o equipamento registra apenas a velocidade do veículo no momento em que ele passa pelo ponto fiscalizado.
Nesse modelo, um motorista pode reduzir a velocidade ao se aproximar do radar e acelerar novamente logo depois.
O radar de velocidade média busca identificar se o limite foi respeitado durante o percurso entre os equipamentos. Mesmo que o motorista passe pelos dois pontos dentro da velocidade permitida, o sistema poderá constatar um deslocamento rápido demais com base no tempo total da viagem.
A proposta é incentivar uma condução mais constante e segura, reduzindo as acelerações logo depois dos pontos tradicionais de fiscalização.
Testes não poderão gerar multas
A ANTT reforçou que o projeto-piloto não possui caráter punitivo. A velocidade média registrada durante o período de testes não poderá, sozinha, provocar autuação ou qualquer outra penalidade de trânsito.
Os locais incluídos no experimento deverão informar aos motoristas que o sistema está sendo utilizado.
Durante os 180 dias, os técnicos observarão o funcionamento dos equipamentos, a precisão dos registros e as mudanças no comportamento dos condutores.
Os resultados poderão orientar uma futura regulamentação para o uso da tecnologia em rodovias federais concedidas. Para que o sistema passe a gerar multas posteriormente, serão necessárias regras específicas e validações técnicas.
Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul terão testes
No Espírito Santo, o sistema será testado em trechos da BR-101. Em Goiás, os equipamentos serão instalados em pontos da BR-414.
Mato Grosso do Sul terá o projeto em trechos da BR-163, uma das principais rodovias utilizadas para o transporte de cargas no estado.
Os pontos exatos de início e término dos trechos monitorados deverão ser informados aos usuários das rodovias durante o período experimental.
Minas Gerais terá quatro rodovias monitoradas
Minas Gerais será um dos estados com maior quantidade de rodovias incluídas nos testes.
O sistema será avaliado em trechos das rodovias BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116.
A BR-050 já possui uma experiência semelhante em Uberaba. A concessionária EcoRodovias testa a tecnologia em um trecho de aproximadamente 11 quilômetros considerado de alto risco para acidentes com mortes.
Segundo a concessionária, o número de registros de excesso de velocidade caiu 22,5% na comparação entre os 15 dias anteriores e os 15 dias posteriores à realização de uma campanha educativa em parceria com a Polícia Rodoviária Federal.
Os motoristas abordados recebiam orientações sobre segurança no trânsito e informações sobre o funcionamento da fiscalização por velocidade média.
Paraná terá maior número de rodovias no projeto
No Paraná, o projeto abrangerá trechos de seis rodovias. Os testes estão autorizados nas estaduais PR-444, PR-862 e PR-151, além das federais BR-376, BR-163 e BR-277.
A quantidade de vias incluídas permitirá avaliar o comportamento do sistema em diferentes tipos de trecho e condições de circulação.
Apesar do monitoramento, nenhum motorista poderá ser multado exclusivamente com base na velocidade média registrada durante o projeto-piloto.
Ponte Rio-Niterói está entre os trechos autorizados
No Rio de Janeiro, os testes poderão ocorrer em trechos da BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e da BR-116.
O Rio Grande do Sul terá equipamentos em pontos da BR-386. Em Santa Catarina, o sistema será testado na BR-101.
Assim como nos demais estados, os trechos deverão possuir sinalização ou outras formas de comunicação para informar aos usuários sobre a experiência.
Tecnologia já foi avaliada em São Paulo
O radar de velocidade média não é completamente novo no Brasil. A tecnologia já passou por experiências educativas em São Paulo.
Durante seis meses, equipamentos instalados em quatro pontos emitiram mais de 852 mil notificações, sem aplicação de multas.
Os testes foram realizados na Avenida Jacu-Pêssego, Avenida dos Bandeirantes, Marginal Tietê e Avenida 23 de Maio.
O ponto da Jacu-Pêssego registrou o maior número de notificações. A via possui 26 quilômetros de extensão e limite de 50 km/h, mas somente três quilômetros foram incluídos no monitoramento.
As notificações tinham caráter educativo e buscavam alertar os condutores sobre o excesso de velocidade identificado no percurso.
Projeto avaliará impacto sobre comportamento dos motoristas
Durante o período experimental, a ANTT pretende avaliar se a presença dos equipamentos influencia a maneira como os motoristas dirigem.
A agência analisará se os condutores mantêm velocidades mais constantes, respeitam os limites por uma extensão maior e reduzem comportamentos como frear apenas diante de um radar fixo.
Também serão observados o desempenho técnico do sistema, a confiabilidade da identificação dos veículos e a capacidade de calcular corretamente o tempo de deslocamento.
O teste não representa a implantação imediata de uma nova modalidade de multa. A experiência servirá para reunir dados e avaliar se a fiscalização por velocidade média poderá ser utilizada futuramente nas rodovias brasileiras.
Por enquanto, os motoristas que passarem pelos trechos monitorados poderão ter a velocidade média registrada, mas não receberão multas com base exclusivamente nesse cálculo.
