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Correios colocam imóveis à venda para enfrentar crise financeira e projetam arrecadar R$ 2 bilhões

Plano de reestruturação inclui leilões ainda em fevereiro, cortes de custos, demissões voluntárias e novos investimentos até 2030


Os Correios iniciaram a venda de parte de seu patrimônio imobiliário como estratégia para cobrir o rombo financeiro e reforçar o caixa da estatal. A medida integra um amplo plano de reestruturação que busca recuperar a sustentabilidade econômica da empresa diante do elevado nível de endividamento e da pressão sobre os custos operacionais.

De acordo com informações da CNN Brasil, a lista completa de imóveis ainda está em elaboração, mas ao menos 50 propriedades sem uso operacional já foram alienadas. A expectativa da estatal é gerar cerca de R$ 2 bilhões em receitas extraordinárias com a venda desses ativos.


Leilões de imóveis estão previstos para fevereiro

Os Correios já planejam novos leilões para os dias 12 e 26 de fevereiro, ampliando a estratégia de desmobilização de ativos considerados ociosos ou pouco estratégicos. A empresa avalia que a alienação de imóveis é uma alternativa mais rápida para aliviar a crise de caixa, sem comprometer diretamente a prestação dos serviços postais.

Fontes ligadas à estatal afirmam que a prioridade é vender imóveis que não tenham função operacional, como prédios administrativos desativados, terrenos e antigas agências fora de uso, reduzindo custos de manutenção e impostos.


Crise de caixa levou estatal a captar R$ 12 bilhões em crédito

No fim de 2025, os Correios anunciaram a captação de R$ 12 bilhões em crédito, movimento considerado essencial para evitar o agravamento da crise financeira. O volume expressivo chamou a atenção do mercado e dos órgãos de controle, já que o empréstimo representa a maior parte das dívidas garantidas entre as estatais federais.

Segundo a empresa, os recursos serão aplicados na recuperação da sustentabilidade financeira, na modernização das operações e no reposicionamento competitivo dos Correios frente ao avanço de empresas privadas no setor logístico e de encomendas.


Plano inclui demissões voluntárias e redução de despesas

Além da venda de imóveis, o plano de reestruturação prevê a reabertura do Programa de Demissão Voluntária (PDV), com potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A estatal estima uma economia anual de R$ 2,1 bilhões, com impacto financeiro pleno a partir de 2028.

A iniciativa busca reduzir a rigidez da estrutura de custos, considerada um dos principais entraves à competitividade da empresa. Paralelamente, os Correios promoveram o reequilíbrio do plano de saúde dos funcionários e avançam na renegociação de passivos judiciais, ações que, somadas, devem gerar uma redução de despesas de aproximadamente R$ 5 bilhões até 2028.


Investimentos bilionários estão previstos para os próximos anos

Apesar do cenário de ajuste fiscal, os Correios mantêm uma estratégia de crescimento de médio e longo prazo. A estatal prevê investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).

Os recursos devem ser destinados à automação de centros de tratamento, à renovação e descarbonização da frota, à modernização da infraestrutura de tecnologia da informação e ao redesenho da malha logística, com foco em eficiência e sustentabilidade.

A direção da empresa avalia que esses investimentos são essenciais para recuperar espaço no mercado de encomendas, especialmente diante do crescimento do comércio eletrônico.


Pressão de órgãos de controle e debate sobre o futuro da estatal

O plano de reestruturação dos Correios ocorre sob forte escrutínio de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que fiscaliza, entre outros pontos, a dívida de R$ 7,6 bilhões com o fundo de pensão Postalis.

Ao mesmo tempo, o futuro da estatal segue no centro do debate político. Enquanto setores defendem maior abertura ao mercado ou até privatização, o governo federal sustenta que a venda dos Correios vai na contramão de tendências internacionais, que mantêm serviços postais estratégicos sob controle estatal.


Venda de imóveis é vista como medida emergencial

Especialistas avaliam que a alienação de imóveis é uma medida emergencial, capaz de gerar caixa no curto prazo, mas insuficiente para resolver sozinha os problemas estruturais da empresa. O sucesso do plano dependerá, segundo analistas, da execução efetiva dos cortes de custos, da modernização logística e da capacidade dos Correios de se reposicionarem em um mercado cada vez mais competitivo.

Enquanto isso, os leilões previstos para fevereiro devem servir como um termômetro do interesse do mercado e da velocidade com que a estatal conseguirá avançar em sua reestruturação financeira.