Marcelo Magalhães de Almeida estava desaparecido desde 16 de julho. Segundo a Polícia Civil, ele foi atraído para uma emboscada por um amigo e teve R$ 8 mil retirados de suas contas antes de ser morto.
O corpo do empresário Marcelo Magalhães de Almeida, de 31 anos, foi encontrado nesta quinta-feira (23) no Rio Cotia, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A informação foi confirmada pela família da vítima.
Marcelo estava desaparecido desde 16 de julho. O corpo foi localizado no sétimo dia de buscas, iniciadas na sexta-feira (17) por equipes que atuavam na região indicada durante a investigação.
Segundo a Polícia Civil, o empresário foi vítima de um sequestro seguido de morte. Três suspeitos estão presos e um quarto envolvido continua sendo procurado.
A principal linha de investigação aponta que Marcelo foi atraído para uma emboscada por uma pessoa próxima. Antes de matá-lo, os criminosos teriam transferido R$ 8 mil das contas bancárias da vítima.
Corpo foi localizado no sétimo dia de buscas
As equipes concentraram as buscas no Rio Cotia depois que os investigadores receberam informações de que o corpo havia sido abandonado na região.
A operação enfrentou dificuldades provocadas pela correnteza, pela vegetação e pelos obstáculos encontrados ao longo do rio. Bombeiros e agentes utilizaram equipamentos e embarcações para percorrer os pontos indicados pelos suspeitos.
O corpo foi localizado nesta quinta-feira, encerrando sete dias de buscas. Os procedimentos de identificação e perícia deverão auxiliar a polícia a esclarecer como e quando ocorreu a morte.
A investigação também busca determinar o local exato do assassinato e reconstruir o trajeto feito pelos criminosos até o ponto onde o corpo foi deixado.
Empresário teria sido atraído por amigo
De acordo com a Polícia Civil, Marcelo foi atraído para o local do sequestro por Lucas Soares de Lima, conhecido pelo apelido de “Quadrado”.
Lucas era amigo da vítima e é apontado pelos investigadores como o possível mentor do crime. A suspeita é de que ele tenha utilizado a relação de confiança com Marcelo para marcar um encontro e conduzi-lo até a emboscada.
Imagens do circuito interno do prédio onde o empresário morava mostram Marcelo saindo sozinho de casa na noite de quinta-feira (16). Ele aparece entrando no elevador e, posteriormente, seguindo até a garagem.
Marcelo deixou o condomínio em seu carro blindado. Segundo a investigação, ele teria seguido para um bar, onde encontrou o amigo. Depois desse encontro, não foi mais visto pela família.
O veículo da vítima foi encontrado posteriormente. Imagens mostram um homem abandonando o automóvel e deixando o local correndo.
Polícia aponta participação de três homens
Além de Lucas Soares de Lima, a polícia investiga a participação de Paulo Sérgio Soares de Almeida, irmão de Lucas, e de Júlio César Moura Batista, amigo dos dois.
Os três foram presos durante a investigação e são suspeitos de participação no sequestro e na morte do empresário.
Segundo a polícia, Lucas teria atraído Marcelo para o local onde ele foi mantido em cativeiro, contando com o auxílio do irmão e do amigo.
Os três deverão responder por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, conforme o avanço do inquérito e a avaliação do Ministério Público.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça. A prisão durante a investigação não representa condenação definitiva.
Um quarto suspeito permanece foragido. A polícia realiza buscas para localizá-lo e esclarecer qual teria sido sua participação.
Criminosos transferiram R$ 8 mil das contas da vítima
Durante o período em que Marcelo esteve sob o controle do grupo, os criminosos teriam transferido R$ 8 mil das contas bancárias do empresário, segundo a Polícia Civil.
Os investigadores analisam as movimentações financeiras para identificar as contas que receberam o dinheiro e verificar se outras transferências foram realizadas.
A quebra do sigilo bancário e a análise dos aparelhos celulares apreendidos também poderão indicar como o crime foi planejado e como os suspeitos se comunicaram antes e depois do sequestro.
A retirada do dinheiro reforça a linha de investigação de que Marcelo foi vítima de um crime com motivação financeira. A polícia também apura informações relacionadas a uma possível extorsão anterior.
A movimentação de R$ 8 mil havia sido identificada antes da localização do corpo e foi confirmada pela investigação divulgada durante as buscas. As transferências e os vídeos feitos no cativeiro foram relatados pela Polícia Civil.
Marcelo foi filmado dentro do cativeiro
A Polícia Civil teve acesso a imagens de Marcelo dentro do cativeiro antes de sua morte. Os registros mostram o empresário amordaçado em um quarto.
Parte das gravações teria sido feita pelos próprios suspeitos. O material passou a integrar o inquérito e ajudou os investigadores a confirmar que Marcelo havia sido sequestrado.
A polícia analisa os vídeos para identificar o local utilizado pelo grupo, estabelecer o horário das gravações e verificar quais pessoas aparecem nas imagens.
Os registros também poderão ajudar a determinar quanto tempo Marcelo permaneceu no cativeiro e quais agressões sofreu antes de ser morto.
Polícia investiga possível extorsão anterior
Segundo os investigadores, Lucas vinha pressionando Marcelo por dinheiro e presentes de alto valor. Entre as exigências estariam objetos caros e até mesmo um apartamento.
A polícia afirma que o suspeito utilizava informações sobre relacionamentos pessoais do empresário para tentar constrangê-lo e obter vantagens financeiras.
Essa possível extorsão anterior ao sequestro deverá ser analisada separadamente. Os investigadores procuram mensagens, áudios, transferências bancárias e outros registros que possam comprovar as ameaças.
A hipótese é de que o encontro marcado no dia 16 tenha sido utilizado para colocar em prática a emboscada. Em razão da amizade entre os dois, Marcelo não teria percebido inicialmente o risco.
A versão de que Lucas, conhecido como Quadrado, teria atraído a vítima também foi apresentada durante as buscas pelo empresário. Testemunhas ouvidas pela polícia apontaram o amigo como possível mentor do crime.
Mãe de suspeitos procurou a polícia
A investigação avançou depois que Zemira Santos Soares, mãe de Lucas e Paulo Sérgio, procurou a polícia e relatou o comportamento dos filhos.
Segundo o depoimento, Paulo Sérgio esteve na casa da mãe no dia 17 de julho para visitar a filha, que estava sob os cuidados da avó. Durante o encontro, ele começou a chorar e afirmou que o irmão havia criado um problema grave e pretendia envolver outras pessoas.
A mãe decidiu denunciar os próprios filhos. As informações fornecidas por ela ajudaram os investigadores a direcionar as apurações e localizar pessoas suspeitas de participação no crime.
Os relatos também contribuíram para que as buscas deixassem de tratar o caso apenas como desaparecimento e passassem a considerar as hipóteses de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver.
Empresário era conhecido no setor de construção
Marcelo era dono de uma loja de materiais de construção em Carapicuíba e possuía participação de 25% em uma empresa de demolição e aluguel de equipamentos para a construção civil.
Conhecido como Marcelo Demolidor, ele mantinha atividades comerciais na cidade e era conhecido por moradores e empresários da região.
O desaparecimento mobilizou familiares, amigos e equipes de segurança. Durante sete dias, buscas foram realizadas em diferentes áreas de Carapicuíba até a localização do corpo no Rio Cotia.
Marcelo criou projeto após perder a filha para o câncer
Além da atuação empresarial, Marcelo fundou o projeto Guiados por uma Estrela, voltado ao apoio de crianças com câncer.
A iniciativa foi criada depois que ele perdeu a filha, Lara Manuela, de apenas 1 ano, para a doença em 2021.
O câncer foi descoberto depois que a avó identificou um caroço no corpo da menina durante um banho, quando ela tinha nove meses. Exames apontaram um tumor maligno que posteriormente evoluiu para metástase.
Depois da morte da criança, a mãe de Lara, a pedagoga Evellyn Dias, criou o Instituto Lara Manuela, responsável por projetos sociais destinados a crianças em tratamento contra o câncer.
A história da filha levou Marcelo a participar de ações solidárias e apoiar famílias que enfrentavam situações semelhantes.
Investigação continua após localização do corpo
Com a localização do corpo, a investigação entra em uma nova etapa. Os exames periciais deverão ajudar a estabelecer a causa da morte e verificar se Marcelo sofreu agressões antes de ser morto.
A polícia também continuará procurando o quarto suspeito e analisando os celulares, vídeos, movimentações bancárias e depoimentos reunidos durante o inquérito.
Os investigadores querem esclarecer quem participou diretamente do sequestro, quem permaneceu no cativeiro, quem realizou as transferências bancárias e quem levou o corpo até o Rio Cotia.
A descoberta encerra a busca iniciada há sete dias, mas não conclui o caso. A Polícia Civil ainda precisa definir a responsabilidade individual dos envolvidos e reunir as provas que serão encaminhadas ao Ministério Público e à Justiça.
