Criminosos retiraram quatro pinturas do Museu Renoir, em Cagnes-sur-Mer, mas abandonaram duas durante a fuga; “Madame Colonna Romano” e “Jovem no Poço” permanecem desaparecidas
Dois criminosos invadiram o Museu Renoir, no sul da França, durante a madrugada desta terça-feira (8), e retiraram quatro pinturas de Pierre-Auguste Renoir do local. Duas obras foram abandonadas no jardim durante a fuga, enquanto outras duas permanecem desaparecidas.
As informações mais recentes indicam que os ladrões conseguiram fugir com “Retrato de Madame Colonna Romano” e “Jovem no Poço”. As duas pinturas pertencem ao Museu de Orsay, em Paris, e estavam emprestadas ao Museu Renoir, localizado em Cagnes-sur-Mer, na Riviera Francesa.
As outras telas retiradas, “Retrato de Madame Pichon” e “Coco Lendo”, foram deixadas pelos criminosos durante a perseguição policial e recuperadas ainda na área externa do museu. O valor estimado do conjunto das quatro obras chega a € 9 milhões, aproximadamente R$ 53 milhões na conversão divulgada.
O roubo aconteceu pouco antes das 6h, no horário local. Os dois suspeitos abriram uma passagem na cerca do jardim, invadiram o prédio e retiraram as pinturas de seus suportes. O sistema de segurança foi acionado e mobilizou as polícias municipal e nacional.
Quatro pinturas foram retiradas do Museu Renoir
As quatro obras escolhidas pelos criminosos são retratos produzidos por Renoir entre 1886 e 1910. Elas foram identificadas como “Retrato de Madame Pichon”, “Retrato de Madame Colonna Romano”, “Coco Lendo” e “Jovem no Poço”.
Informações iniciais apontavam que somente uma das pinturas havia sido abandonada. A atualização divulgada posteriormente pela Reuters e por autoridades locais confirmou, entretanto, que duas obras foram deixadas no jardim e duas foram efetivamente levadas.
Os suspeitos escaparam com “Retrato de Madame Colonna Romano” e “Jovem no Poço”. As pinturas abandonadas durante a fuga foram recuperadas e deverão passar por uma avaliação para verificar se sofreram algum dano.
A prefeitura de Cagnes-sur-Mer não informou o valor individual de cada tela. O montante de € 9 milhões corresponde à avaliação conjunta das obras envolvidas no roubo.
“Retrato de Madame Colonna Romano” permanece desaparecido
Produzido em 1910, o “Retrato de Madame Colonna Romano” está entre as duas pinturas levadas pelos criminosos.
A obra foi criada durante os últimos anos da carreira de Renoir, quando o artista já enfrentava limitações físicas provocadas pela artrite reumatoide. Apesar das dificuldades de mobilidade, ele continuou pintando com o auxílio de familiares e assistentes.
A tela apresenta elementos característicos da produção tardia do pintor, com atenção especial à figura retratada, às tonalidades da pele e à suavidade das formas.
O quadro pertence ao Museu de Orsay, uma das instituições de arte mais importantes de Paris, e estava em Cagnes-sur-Mer por meio de um empréstimo.
Por se tratar de uma obra conhecida, documentada e pertencente a um museu público, sua comercialização no mercado regular de arte é considerada praticamente impossível. A polícia investiga qual seria a finalidade do roubo e se os criminosos agiram a pedido de terceiros.
“Jovem no Poço” também foi levada pelos ladrões
A segunda obra desaparecida é “Jeune fille au puits”, título em francês que pode ser traduzido como “Jovem no Poço” ou “Jovem junto ao poço”.
A pintura foi produzida em 1886 e pertence a um período importante da trajetória artística de Renoir. A obra retrata uma jovem em uma composição marcada pelo uso de cores suaves e pela valorização da figura humana.
Assim como “Madame Colonna Romano”, a tela integra o acervo do Museu de Orsay e estava temporariamente exposta no Museu Renoir.
As duas pinturas permanecem desaparecidas. Autoridades francesas analisam imagens de câmeras de segurança e vestígios encontrados no local para tentar identificar os autores e localizar as obras.
“Retrato de Madame Pichon” foi recuperado no jardim
Pintado em 1895, o “Retrato de Madame Pichon” também foi retirado de seu local de exposição durante a invasão.
A pintura representa Madame Stephen Pichon e integra o conjunto de retratos produzidos por Renoir no final do século XIX. O artista ficou conhecido pela maneira como utilizava a luz, as cores e as pinceladas para conferir leveza às figuras retratadas.
A obra chegou a ser levada para fora do edifício, mas foi abandonada enquanto os criminosos tentavam escapar da polícia.
As autoridades deverão examinar a tela e sua estrutura para verificar se houve rasgos, impactos ou outros danos durante a retirada e a fuga.
“Coco Lendo” retrata o filho mais novo de Renoir
A outra pintura recuperada é “Coco Lisant”, ou “Coco Lendo”, produzida em 1905.
A obra retrata Claude Renoir, conhecido na família como Coco, o filho mais novo do pintor, durante a leitura. Renoir representou seus familiares em diferentes trabalhos, transformando cenas domésticas em parte relevante de sua produção artística.
A pintura também foi removida pelos invasores, mas acabou deixada no jardim durante a perseguição.
Apesar da recuperação das duas telas, ainda não foram divulgadas informações detalhadas sobre o estado de conservação. Especialistas deverão avaliar se as condições da fuga afetaram a superfície, a moldura ou a estrutura das obras.
Invasão aconteceu antes das 6h
O alarme do Museu Renoir foi acionado às 5h48 no horário local, equivalente a 0h48 em Brasília. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, os ladrões cortaram a cerca que protege o jardim para acessar a propriedade.
Após entrar na área externa, a dupla teria forçado uma abertura no edifício e utilizado ferramentas para retirar as pinturas de seus suportes.
Os criminosos foram identificados pelas câmeras de segurança da cidade. A polícia chegou ao museu poucos minutos depois do acionamento do alarme e iniciou uma perseguição.
Durante a fuga, os suspeitos deixaram cair duas das quatro pinturas. Eles conseguiram escapar levando as outras duas.
A ação teria durado menos de cinco minutos. Duas bolsas que podem ter sido utilizadas pelos invasores foram encontradas no jardim, e impressões digitais recolhidas no local passam por análise.
Polícia francesa procura dois suspeitos
As imagens registradas pelo sistema de videomonitoramento mostram duas pessoas envolvidas diretamente no roubo. De acordo com informações divulgadas pelo prefeito Bryan Masson, os invasores estavam equipados e pareciam conhecer a estrutura do museu.
A investigação está sob responsabilidade de uma divisão especializada no combate ao crime organizado. A polícia procura esclarecer se outras pessoas participaram do planejamento, do transporte ou da tentativa de ocultação das obras.
Os investigadores também deverão verificar se o grupo possuía informações internas sobre a disposição das pinturas, os horários de funcionamento do sistema de segurança e a localização das peças mais valiosas.
Por causa da ampla documentação existente sobre as telas, qualquer tentativa de vendê-las publicamente deverá despertar a atenção de autoridades, casas de leilão, museus e especialistas.
Museu funciona na última residência de Renoir
O Museu Renoir foi inaugurado em 1960 na antiga propriedade do pintor em Cagnes-sur-Mer, cidade localizada entre Nice e Cannes.
Renoir adquiriu o imóvel conhecido como Domaine des Collettes no início do século XX e viveu no local durante os últimos anos de sua vida. O artista morreu na residência em 1919.
O museu preserva objetos pessoais, móveis, fotografias, esculturas e instrumentos utilizados pelo pintor, incluindo seu cavalete e sua cadeira de rodas.
Antes do roubo, a instituição mantinha em exposição cerca de 13 pinturas de Renoir e aproximadamente 40 esculturas, além de peças relacionadas à vida e ao processo criativo do artista.
A propriedade também possui jardins e oliveiras que fizeram parte da paisagem observada por Renoir durante sua permanência no sul da França.
Quem foi Pierre-Auguste Renoir
Nascido em 1841, Pierre-Auguste Renoir foi um dos principais representantes do impressionismo francês.
O movimento artístico surgiu no século XIX e rompeu com parte das convenções acadêmicas da época. Os impressionistas buscavam representar os efeitos da luz, as variações de cor e cenas da vida cotidiana por meio de pinceladas mais livres.
Renoir tornou-se conhecido principalmente por retratos, paisagens, nus e cenas de convivência social. Suas pinturas mais valorizadas podem alcançar dezenas de milhões de dólares em leilões internacionais.
Durante os últimos anos de vida, o artista sofreu com o avanço da artrite, mas continuou produzindo pinturas e esculturas. Foi justamente em Cagnes-sur-Mer que ele desenvolveu parte significativa dessa fase final.
Roubo aumenta preocupação com segurança de museus
O crime acontece em um momento de preocupação crescente com a segurança de museus e coleções de arte na Europa.
Segundo a Europol, grupos altamente especializados vêm dividindo espaço com criminosos oportunistas recrutados por meio de redes sociais. Algumas ações recentes também apresentaram maior grau de violência e utilização de ferramentas elétricas para romper vitrines, grades e estruturas de proteção.
Em outubro de 2025, criminosos invadiram o Museu do Louvre, em Paris, e levaram joias avaliadas em € 88 milhões. Outros museus franceses também foram alvo de roubos nos meses seguintes.
Em julho de 2026, o Ministério da Cultura da França apresentou um plano de 33 medidas para reforçar a segurança das instituições. Entre as recomendações estava a retirada temporária de objetos considerados vulneráveis até que as condições de proteção fossem aprimoradas.
O roubo ao Museu Renoir deverá ampliar o debate sobre o monitoramento de instituições instaladas em imóveis históricos, onde mudanças estruturais e instalação de equipamentos de segurança podem enfrentar limitações.
Enquanto os suspeitos continuam sendo procurados, as autoridades concentram os esforços na recuperação de “Retrato de Madame Colonna Romano” e “Jovem no Poço”, as duas obras que permanecem desaparecidas.