Investimento será viabilizado por flexibilização fiscal e integra pacote estratégico que envolve Exército, FAB e Marinha
O Exército Brasileiro planeja contratar, a partir de 2026, um sistema inédito de defesa antiaérea capaz de interceptar drones, aeronaves e mísseis de cruzeiro, com custo estimado em até R$ 3,4 bilhões. O projeto faz parte de um amplo processo de modernização das Forças Armadas, que também prevê a aquisição de drones armados, sistemas antidrone e novas plataformas de combate, além de investimentos estruturantes na Força Aérea e na Marinha.
Nova lei abre espaço fiscal para investimentos em defesa
O avanço desses projetos será viabilizado por uma lei complementar que autoriza a exclusão de até R$ 30 bilhões do arcabouço fiscal para gastos em defesa. A medida cria espaço orçamentário para acelerar programas estratégicos diante do novo cenário global de ameaças.
Com essa mudança, o orçamento anual do Exército, que vinha girando entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, deverá alcançar cerca de R$ 3 bilhões por ano entre 2026 e 2031.
De onde vem o dinheiro para o sistema antiaéreo e drones
Dentro do novo espaço fiscal, o Exército pretende ampliar os recursos destinados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), concentrando ali os projetos considerados estratégicos. Entre eles estão o sistema integrado de defesa antiaérea, a aquisição de drones armados — incluindo modelos do tipo “kamikaze” —, o desenvolvimento de tecnologias antidrone e a modernização de sistemas de comando, controle e blindados.
O período entre 2026 e 2031 é tratado internamente como uma janela decisiva para reduzir atrasos acumulados ao longo de décadas.
Sistema antiaéreo inédito na América Latina
A contratação prevista para 2026 deve introduzir uma tecnologia ainda inédita na América Latina, capaz de criar múltiplas camadas de proteção contra ameaças modernas. A arquitetura do sistema deverá reunir radares e sensores de longo alcance, sistemas integrados de comando e controle e interceptadores de curto e médio alcance, com capacidade específica para neutralizar drones de ataque e mísseis de cruzeiro.
A defesa aérea passa a ser estruturada de forma integrada, conectando meios terrestres, aéreos e navais.
Drones ganham papel central na estratégia do Exército
Paralelamente à defesa antiaérea, o Exército avança nos estudos para a aquisição de drones armados e plataformas não tripuladas. Estão no radar drones do tipo munição vagante, equipamentos capazes de lançar munições, sistemas de reconhecimento e vigilância e soluções antidrone voltadas à proteção de bases militares, infraestruturas críticas e tropas em operação.
O uso intensivo de drones se consolidou como uma das principais características das guerras modernas, especialmente em conflitos recentes no exterior, o que levou forças armadas de todo o mundo a acelerar investimentos nesse tipo de tecnologia.
Blindados e reorganização de programas estratégicos
A modernização da capacidade terrestre também inclui a incorporação de 96 blindados Centauro II-BR até 2033, em um contrato estimado em cerca de R$ 5 bilhões, que deve ser assinado ao longo de 2026 e prevê compensações tecnológicas e logística integrada.
Ao mesmo tempo, o Exército promove uma reorganização interna de seus programas, priorizando projetos ligados à defesa aérea, drones, cibernética e inteligência artificial, enquanto outras iniciativas passam a depender do orçamento discricionário regular.
FAB amplia capacidades com caças F-39 Gripen e o KC-390
A Força Aérea Brasileira (FAB) é um dos pilares centrais do atual ciclo de modernização das Forças Armadas. Além da incorporação dos caças F-39 Gripen, que ampliam significativamente a capacidade de defesa do espaço aéreo nacional com sensores avançados, elevada consciência situacional e operação em rede, a FAB também aposta no avião multimissão KC-390 Millennium como vetor estratégico.
O KC-390 fortalece a capacidade de transporte tático, reabastecimento em voo, lançamento de cargas e tropas, evacuação aeromédica e apoio logístico em operações militares e humanitárias. A aeronave é considerada essencial para garantir mobilidade estratégica em um país de dimensões continentais e atua de forma integrada com os caças Gripen, sistemas de defesa antiaérea e meios das demais forças.
Com a combinação entre superioridade aérea proporcionada pelo F-39 e mobilidade e projeção de força asseguradas pelo KC-390, a FAB amplia sua capacidade de resposta rápida, interoperabilidade e dissuasão, consolidando-se como elemento-chave da arquitetura integrada de defesa brasileira.

Marinha investe em submarinos e fragatas modernas
A Marinha do Brasil segue avançando em projetos estratégicos voltados à proteção do litoral e das áreas marítimas de interesse nacional. Entre os principais programas estão os submarinos da classe Riachuelo, fundamentais para a dissuasão naval, e as fragatas da classe Tamandaré, equipadas com sistemas modernos de combate e defesa antiaérea naval.
Esses meios reforçam a capacidade de proteção da chamada Amazônia Azul e ampliam a presença brasileira em operações navais.

Integração entre forças marca nova fase da defesa nacional
Com investimentos simultâneos em defesa antiaérea, drones, caças de última geração, submarinos e navios de superfície, o Brasil entra em um novo ciclo de modernização militar baseado na integração entre Exército, FAB e Marinha.
A estratégia reflete a adaptação às ameaças contemporâneas, como drones armados, mísseis de precisão e conflitos de alta tecnologia, e reposiciona as Forças Armadas brasileiras em um novo patamar operacional.



