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Desaparecimento de família no RS entra em fase crítica após prisão de PM

Soldado da Brigada Militar é apontado como suspeito no sumiço da ex-companheira e dos sogros, desaparecidos desde janeiro na Região Metropolitana de Porto Alegre


A investigação sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ganhou um novo e grave desdobramento nesta terça-feira (10). A Polícia Civil prendeu temporariamente um policial militar, suspeito de envolvimento direto no caso que mobiliza autoridades e gera forte comoção na comunidade local.

Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão desaparecidos desde o fim de janeiro. Até o momento, nenhum dos três foi localizado.


PM preso é ex-companheiro de uma das desaparecidas

O homem preso é Cristiano Domingues Francisco, soldado da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e ex-companheiro de Silvana. A identidade não foi oficialmente divulgada pela polícia, mas confirmada por apuração jornalística.

Segundo a Brigada Militar, Cristiano será afastado de suas funções, e o caso passa a ser acompanhado também pela Corregedoria-Geral da corporação. A defesa do policial ainda não se manifestou.

O PM é pai do filho de Silvana, um menino de 9 anos, que atualmente está sob os cuidados da avó paterna.


Investigação aponta para crime grave

De acordo com o delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, a prisão temporária foi solicitada com base em elementos reunidos durante a investigação, que ainda precisam ser aprofundados.

“Obtivemos informações que, neste primeiro momento, justificam a prisão para averiguação. Sabemos da ansiedade por respostas, mas precisamos agir com cautela”, afirmou.

A principal linha de investigação é a de homicídio, embora a polícia não descarte completamente outras hipóteses. O delegado Ernesto Prestes reforçou que detalhes não podem ser divulgados para não comprometer o andamento das apurações.


Reunião entre autoridades reforça suspeitas

Na segunda-feira (9), uma reunião estratégica reuniu delegados, agentes da Polícia Civil e a subchefe da instituição no estado, Patrícia Tolotti, para análise conjunta das provas.

Durante o encontro, a polícia confirmou que o cartucho encontrado na casa do casal de idosos era de festim, o que elimina, por ora, a hipótese de disparo real no local, mas não afasta a suspeita de crime.

As autoridades aguardam laudos periciais de imóveis, veículos e imagens de câmeras de segurança, além da oitiva de novas testemunhas ao longo da semana.


Celular encontrado passa por perícia

Um telefone celular localizado nas proximidades da casa dos idosos também foi apreendido e está sendo periciado. A Polícia Civil não informou a quem pertence o aparelho nem o conteúdo encontrado, mantendo sigilo para preservar a investigação.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o paradeiro da família, e os investigadores tratam o caso como um possível crime consumado.


Entenda o desaparecimento da família Aguiar

Silvana Germann de Aguiar foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em suas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente de trânsito em Gramado, mas que estava bem.

A polícia confirmou posteriormente que o acidente nunca aconteceu, e que a postagem teve o objetivo de despistar o desaparecimento. Desde então, o celular de Silvana permanece desligado.

Alertados por vizinhos, os pais saíram em busca da filha no dia seguinte. Eles chegaram a ir até uma delegacia para registrar o desaparecimento, mas a unidade estava fechada. Depois disso, nunca mais foram vistos.


Movimentações suspeitas reforçam tese de crime

Imagens de câmeras de segurança mostram movimentação incomum na casa de Silvana na noite do desaparecimento:

  • Às 20h34, um carro vermelho entrou na residência e saiu oito minutos depois
  • Às 21h28, o veículo de Silvana entrou na garagem
  • Às 23h30, outro carro permaneceu no local por cerca de 12 minutos

A polícia investiga se os veículos são relacionados entre si e quem estava dirigindo em cada situação.

O carro de Silvana foi encontrado na garagem da própria casa, com a chave deixada dentro do imóvel, o que reforça a tese de que ela não viajou voluntariamente.


Família era conhecida e querida na região

Silvana morava próximo aos pais e trabalhava com eles em um pequeno mercado familiar, instalado junto à residência do casal. Isail e Dalmira são descritos por vizinhos como pessoas tranquilas, acolhedoras e muito queridas na comunidade.

Ela era filha única, atuava como vendedora de cosméticos e mantinha contato frequente com os pais, o que torna o desaparecimento ainda mais intrigante.


Caso segue sob sigilo e mobiliza comunidade

A Polícia Civil descarta, até o momento, a hipótese de sequestro, já que não houve pedido de resgate. As investigações seguem concentradas nas possibilidades de homicídio ou cárcere privado.

Enquanto isso, familiares, amigos e moradores de Cachoeirinha vivem dias de angústia à espera de respostas. O caso segue em sigilo e com forte mobilização das forças de segurança.