Search
Close this search box.

Ministro do STJ pede licença de 90 dias em meio a denúncias de importunação sexual

Pedido de afastamento médico é apresentado no mesmo dia em que o tribunal avalia medida cautelar contra Marco Buzzi


O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apresentou nesta terça-feira (10) um novo pedido de licença médica, desta vez pelo período de 90 dias. A solicitação ocorre em um momento decisivo, já que o tribunal discute, no mesmo dia, a possibilidade de afastamento cautelar do magistrado, que é alvo de duas denúncias de importunação sexual.

A documentação foi protocolada poucas horas antes da sessão que pode definir o futuro imediato do ministro na Corte, ampliando a repercussão institucional do caso.


Pedido ocorre em meio a sindicância no STJ

Na semana passada, Marco Buzzi já havia apresentado um pedido de licença médica por 10 dias, encaminhado exatamente no dia em que o STJ decidiu abrir uma sindicância interna para apurar as denúncias apresentadas contra ele.

Com o novo requerimento, o afastamento solicitado passa a ser significativamente maior, o que levanta discussões internas sobre a necessidade de afastamento cautelar independente da licença médica, como forma de preservar a apuração dos fatos e a imagem da instituição.


STJ afasta ministro

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou o afastamento cautelar do ministro Marco Buzzi, alvo de denúncia de importunação sexual. A decisão foi tomada durante sessão extraordinária realizada na manhã desta terça-feira (10).

Buzzi responde a uma sindicância interna aberta na última semana de maneira unânime pelos seus colegas. Horas depois, apresentou atestado e pediu licença médicade suas funções.

O afastamento foi determinado em caráter cautelar e por tempo limitado, período em que o ministro fica impedido de acessar o gabinete, usar carro oficial e exercer as prerrogativas do cargo. Uma nova sessão do plenário STJ foi convocada para 10 de março de 2026, quando os ministros vão analisar as conclusões da sindicância interna.


Carta aos colegas: ministro diz estar internado e nega acusações

Em carta enviada aos colegas do STJ, Marco Buzzi afirma estar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, e diz estar profundamente abalado com a repercussão das denúncias.

“Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”, escreveu o ministro.

Segundo ele, as acusações têm causado sofrimento à família e desgaste pessoal, mas serão esclarecidas nos procedimentos já instaurados.


Defesa baseada em trajetória pessoal e profissional

Na mensagem, Buzzi destaca ter quase 70 anos de idade, uma carreira que classifica como ilibada, além de um casamento de 45 anos, com três filhas. Ele afirma que esse histórico não deve ser visto como prova de inocência, mas como um elemento que exige “cautela redobrada” na análise das acusações.

O ministro relata ainda sentir dor, angústia e forte impacto emocional diante da divulgação antecipada das denúncias.


Trechos da carta reforçam pedido de cautela

Ao longo do texto, Marco Buzzi afirma não compreender as razões das acusações e agradece aos colegas que, segundo ele, lhe concederam o benefício da dúvida.

“De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos”, escreveu.


Caso gera repercussão e pressão institucional

O episódio amplia a pressão sobre o STJ em relação à transparência, responsabilização e proteção das vítimas, temas que têm sido alvo de atenção crescente no Judiciário brasileiro.

A decisão sobre o afastamento cautelar, somada às apurações no CNJ, deve definir os próximos passos do caso, que segue acompanhado de perto por entidades jurídicas e pela opinião pública.