Convenções partidárias movimentaram o fim de semana, confirmaram Flávio Bolsonaro, Fernando Haddad e Ronaldo Caiado nas urnas e anteciparam embates contra Lula / Alckmin e Tarcísio de Freitas
O último fim de semana de julho redesenhou parte importante do tabuleiro político para as eleições de 2026. Convenções partidárias realizadas em São Paulo e Campinas oficializaram candidaturas, expuseram alianças nacionais e estaduais e anteciparam os principais discursos que devem marcar a campanha eleitoral.
O PL confirmou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, em um evento que contou com manifestações de apoio do presidente da Argentina, Javier Milei, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A convenção também exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
No campo governista, o PT oficializou Fernando Haddad como candidato ao Governo de São Paulo, tendo Márcio França como vice e o apoio de uma coligação formada por sete partidos. O ex-ministro deverá enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, que buscará a reeleição.
Já o PSD confirmou Ronaldo Caiado na disputa presidencial, com Gilberto Kassab como vice. O ex-governador de Goiás tenta ocupar o espaço de terceira via e apresentou sua candidatura como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Com isso, as convenções transformaram o fim de semana em uma prévia do cenário eleitoral: Flávio contra Lula no plano nacional, Haddad contra Tarcísio em São Paulo e Caiado tentando avançar por fora da disputa entre os dois principais campos políticos.
Milei e Netanyahu manifestam apoio a Flávio Bolsonaro
A convenção nacional do PL, realizada no sábado (25), em São Paulo, oficializou a primeira candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O evento reuniu familiares, dirigentes partidários, aliados e representantes da direita brasileira e internacional.
Dois apoios estrangeiros ganharam destaque. Presente na convenção, Javier Milei discursou em defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto Benjamin Netanyahu apareceu em uma mensagem gravada exibida aos participantes.
O primeiro-ministro israelense desejou sucesso ao senador na disputa presidencial. A manifestação reforça a proximidade política construída pela família Bolsonaro com o governo de Israel e amplia o componente internacional da candidatura lançada pelo PL.
Milei, por sua vez, fez um discurso mais extenso e contundente. O presidente argentino apresentou Flávio como um aliado ideológico, criticou o socialismo e defendeu políticas de liberdade econômica, disciplina fiscal, redução das despesas públicas e diminuição da participação do Estado na economia.
Segundo Milei, a eleição brasileira representa uma escolha entre modelos políticos e econômicos opostos. O argentino afirmou que Flávio seria o candidato capaz de impedir a continuidade de Lula no poder e inserir o Brasil em uma suposta transformação conservadora e liberal na América Latina.
“Confio plenamente em meu amigo Flávio”, declarou Milei durante o evento. Em outro momento, apontou o senador como a pessoa que poderia “parar Lula” e conduzir uma mudança política no país.
A presença de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção partidária brasileira acrescentou peso político ao lançamento, mas também abriu espaço para questionamentos sobre interferência externa no processo eleitoral. No domingo (26), Ronaldo Caiado criticou a participação do argentino e classificou sua passagem pelo evento como uma “bravata”.
Flávio promete continuar projeto político do pai
Em seu primeiro discurso após a oficialização da candidatura, Flávio Bolsonaro apresentou-se como o sucessor político de Jair Bolsonaro. O senador prometeu preservar o legado do pai, atacou o governo Lula e direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.
Flávio afirmou que o Brasil teria sido “sequestrado” e prometeu “libertar o país desse cativeiro”. Também disse esperar que Jair Bolsonaro entregue a ele a faixa presidencial em janeiro de 2027.
A candidatura representa a tentativa do PL de transferir para o filho mais velho do ex-presidente a base eleitoral consolidada pelo bolsonarismo desde 2018. Flávio foi escolhido pelo próprio pai como representante do grupo político e da família na eleição.
O senador tem 45 anos, é advogado e empresário, foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos e chegou ao Senado em 2019. Em 2016, concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a disputa na quarta colocação.
Nas pesquisas citadas durante o período de pré-campanha, Flávio aparece como o principal adversário de Lula. O levantamento Datafolha divulgado na sexta-feira (24) mostrou Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 32%. Ronaldo Caiado apareceu com 4%.
O cenário ainda poderá sofrer alterações com o avanço das convenções, o início da propaganda eleitoral e a definição completa das chapas, mas a distância entre os dois primeiros colocados reforça a tendência de uma campanha nacional marcada pelo confronto entre lulismo e bolsonarismo.
Vídeo de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial chama atenção
Impedido de participar pessoalmente, Jair Bolsonaro apareceu na convenção por meio de um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente.
Na peça, a imagem artificial de Bolsonaro afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, declara que nenhuma prisão seria capaz de interromper o movimento político formado em torno de seu nome e pede aos apoiadores que recebam Flávio como candidato à Presidência.
O conteúdo reforçou a mensagem central da convenção: Flávio não pretende romper com a identidade política do pai, mas apresentar-se como seu representante direto na eleição.
A utilização de inteligência artificial em uma convenção nacional também chama atenção para um dos desafios da campanha de 2026. O uso de imagens e vozes sintéticas deverá provocar discussões sobre transparência, identificação de conteúdo artificial e os limites para a reprodução digital de personalidades políticas.
No caso apresentado pelo PL, a natureza artificial do vídeo foi informada durante o evento. Ainda assim, sua exibição mostra como esse tipo de tecnologia poderá ganhar espaço na comunicação eleitoral.
Michelle encerra divergência e declara apoio à candidatura
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também participou da convenção por meio de uma mensagem gravada. A manifestação marcou o primeiro apoio público à candidatura de Flávio depois de um período de desentendimento entre os dois.
A reconciliação ocorreu após o senador divulgar um pedido de desculpas e convidá-la a participar da campanha. Michelle aceitou o pedido e, no vídeo exibido pelo PL, desejou proteção e sucesso ao enteado.
“Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura”, afirmou.
Michelle também defendeu uma participação maior das mulheres na política e destacou a importância das lideranças locais para conquistar eleitores ainda indecisos. Embora tenha mencionado o candidato apenas uma vez, sua participação foi politicamente importante devido à influência que exerce entre mulheres e eleitores evangélicos.
A esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, também ganhou espaço. A cirurgiã-dentista discursou sobre combate ao feminicídio, carga tributária e empreendedorismo e afirmou que acompanhará o marido durante a campanha.
O movimento indica uma estratégia de ampliar a presença de Fernanda nos atos públicos e, simultaneamente, manter Michelle integrada à campanha para evitar divisões no núcleo político da família Bolsonaro.
Milei critica socialismo e ataca Alexandre de Moraes
Além de apoiar Flávio, Javier Milei utilizou sua participação para fazer críticas contundentes à esquerda latino-americana. Segundo o presidente argentino, governos socialistas ampliam gastos públicos para conquistar votos, provocam desequilíbrios fiscais e deixam para seus sucessores Estados endividados e economias fragilizadas.
Milei citou países como Bolívia, Chile, Colômbia e Equador ao defender a existência de uma mudança política na América do Sul. Para ele, o Brasil poderia integrar esse movimento com a eleição de um presidente de direita.
O argentino também defendeu uma política mais rígida de segurança pública, classificando Flávio como preparado para enfrentar o crime organizado e o narcotráfico.
A parte mais agressiva do pronunciamento ocorreu quando Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes por ter negado sua visita a Jair Bolsonaro. A defesa do ex-presidente havia solicitado autorização para o encontro, mas o pedido não foi aceito.
Durante o discurso, Milei chamou Moraes de “lixo careca” e afirmou que a decisão demonstraria o caráter vingativo das restrições impostas ao ex-presidente.
O argentino comparou o episódio às visitas recebidas por Lula enquanto esteve preso, entre elas a do então presidente da Argentina, Alberto Fernández. Milei enviou um abraço a Bolsonaro e disse esperar que os dois possam reencontrar-se pessoalmente.
Antes da convenção, o presidente argentino recebeu de Tarcísio de Freitas a Ordem do Ipiranga, maior honraria concedida pelo Governo de São Paulo. A cerimônia ocorreu no Palácio dos Bandeirantes.

Candidato a vice ainda não foi definido pelo PL
Apesar da oficialização de Flávio Bolsonaro, o PL encerrou a convenção sem anunciar quem ocupará a vaga de vice-presidente.
O senador já declarou preferência por uma mulher, mas a escolha depende das negociações com outras legendas. A composição poderá ajudar o PL a ampliar sua aliança, conquistar novos grupos do eleitorado e aumentar o tempo disponível na propaganda eleitoral.
Entre os nomes mencionados está o da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atual coordenadora do núcleo econômico da candidatura. Filiada ao Republicanos, sua eventual indicação dependeria de um acordo entre as siglas.
Também aparece nas articulações a deputada federal Simone Marquetto, do PP. A senadora Tereza Cristina, por outro lado, já descartou a possibilidade de integrar a chapa.
Caso não consiga construir uma coligação, o PL poderá optar por uma chapa formada apenas por integrantes do próprio partido. A definição precisa ocorrer até 15 de agosto, prazo final mencionado para a conclusão das composições.
Flávio apresenta propostas para segurança e redução de impostos
Durante a convenção, o candidato defendeu a redução dos impostos e o fortalecimento de uma maioria de centro-direita no Congresso Nacional. Na área da segurança pública, apresentou propostas para endurecer a legislação penal.
Entre as medidas defendidas estão penas mais severas para criminosos, responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves, aumento das punições para agressores de mulheres e castração química de condenados por estupro de crianças.
A pré-campanha já havia apresentado o programa “Brasil sem Medo”, com propostas como redução da maioridade penal e classificação das facções criminosas como organizações terroristas.
Outra iniciativa, chamada “Brasil por Elas”, reúne propostas dirigidas ao eleitorado feminino, como ampliação do acesso à internet e criação de uma linha de microcrédito para mulheres empreendedoras.
Flávio também afirma que, se eleito, trabalhará pela anistia de Jair Bolsonaro e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A promessa deverá permanecer como um dos pontos centrais de sua campanha e de sua tentativa de mobilizar a base mais fiel ao ex-presidente.
Lula e Alckmin serão os principais adversários do bolsonarismo
A oficialização de Flávio antecipa um confronto direto com o presidente Lula, que deverá concorrer à reeleição novamente ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A convenção petista para confirmar a chapa Lula e Alckmin está prevista para 2 de agosto, em São Paulo. Até lá, o campo governista busca consolidar suas alianças, defender os resultados da atual administração e reagir às críticas relacionadas à economia, à segurança pública e à relação do Brasil com os Estados Unidos.
O PL tenta transformar a eleição em uma escolha entre continuidade e ruptura. Flávio apresenta Lula como representante de um modelo de concentração de poder, aumento de impostos e tolerância com a criminalidade. O PT, por outro lado, deverá explorar as investigações, controvérsias e propostas radicais associadas ao bolsonarismo.
A escolha de Flávio também mantém a família Bolsonaro no centro da disputa, mesmo com Jair Bolsonaro fora das urnas. Para o PL, o sobrenome ajuda a preservar o eleitorado conquistado pelo ex-presidente. Para os adversários, porém, a candidatura permite recolocar na campanha temas como os ataques às urnas eletrônicas, a atuação nas manifestações de 8 de janeiro e as investigações envolvendo integrantes da família.

Caiado se apresenta como alternativa a Lula e Flávio
No domingo (26), o PSD oficializou Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, na vaga de vice.
A convenção ocorreu na sede do partido, no centro de São Paulo, e marcou a tentativa do PSD de construir uma candidatura fora da polarização. Caiado criticou simultaneamente Lula e Flávio, acusando os dois de apostar em agressões e conflitos para desviar a atenção dos problemas nacionais.
Segundo o candidato, Lula provoca o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto Flávio e seus aliados atacam autoridades brasileiras.
Caiado recusou-se a informar quem apoiaria em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, afirmando que ele próprio estará na etapa final da eleição.
O ex-governador procurou apresentar sua experiência administrativa em Goiás como principal credencial. A segurança pública ocupou boa parte de seu discurso, com promessas de combate mais rígido às facções criminosas, ao narcotráfico e aos crimes contra as mulheres.
Ele também atacou os programas econômicos do Governo Federal, criticou o endividamento da população e acusou Lula de evitar o primeiro debate presidencial, previsto para 16 de agosto.
Terceira via enfrenta dificuldades para crescer nas pesquisas
Apesar do discurso de confiança, Caiado inicia a disputa distante dos dois primeiros colocados. No Datafolha, o candidato aparece com 4%, tecnicamente empatado com Romeu Zema e Renan Santos, ambos com 3%.
Para avançar, o candidato do PSD precisará convencer eleitores que rejeitam Lula e Flávio, mas que ainda não enxergam uma candidatura alternativa com força suficiente para chegar ao segundo turno.
Caiado afirmou que o Brasil não deveria escolher “os mais rejeitados da política nacional” e acusou Lula e Flávio de se beneficiarem mutuamente da polarização.
O ex-governador também declarou que Flávio seria o adversário preferido de Lula para o segundo turno. Segundo ele, a presença de uma candidatura competitiva do PSD impediria que a disputa permanecesse limitada aos dois grupos políticos dominantes.
Em um dos momentos mais duros, Caiado fez referência indireta às investigações envolvendo Flávio e aos escândalos associados a governos petistas. Declarou que o país precisa de um candidato que não tenha envolvimento com “rachadinha”, “mensalão”, “petrolão” ou com o escândalo do Banco Master.
Convenção do PSD expõe divisões internas
A cerimônia contou com a participação dos governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná. Ambos chegaram a ser considerados possíveis candidatos presidenciais pelo PSD, mas manifestaram apoio a Caiado.
Algumas ausências, entretanto, mostraram que o partido ainda enfrenta divisões regionais. O governador Tarcísio de Freitas não compareceu e enviou como representante o secretário estadual de Governo, Roberto Carneiro.
Aliados de Tarcísio avaliaram que sua presença seria inadequada diante do apoio declarado do governador paulista a Flávio Bolsonaro.
Também ficaram fora do evento lideranças como Eduardo Paes, que apoia a reeleição de Lula; Raquel Lyra, que mantém proximidade com o Governo Federal; e Mateus Simões, aliado de Romeu Zema.
A ausência dessas lideranças evidencia uma característica do PSD: embora tenha capilaridade nacional e controle governos estaduais relevantes, a legenda reúne grupos com posições diferentes na disputa presidencial.
A candidatura de Caiado também poderá ser utilizada para ampliar a presença do partido nos estados e fortalecer o poder de negociação de Kassab em um possível segundo turno.
Haddad é oficializado candidato ao Governo de São Paulo
Enquanto o cenário nacional ganhou as candidaturas de Flávio e Caiado, o PT movimentou a disputa pelo maior colégio eleitoral do país.
O diretório paulista da legenda oficializou Fernando Haddad como candidato ao Governo de São Paulo. A convenção foi realizada na Arena Concórdia, em Campinas, e representou a primeira vez que o encontro estadual do partido ocorreu fora da região metropolitana da capital.
A escolha de Campinas teve significado eleitoral. O PT pretende ampliar sua presença no interior, região em que encontra mais dificuldades e na qual Tarcísio de Freitas construiu parte importante de sua vantagem na eleição anterior.
Ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital paulista, Haddad retorna a uma disputa majoritária estadual com o apoio direto do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A chapa terá Márcio França como candidato a vice-governador. Ex-governador de São Paulo, França agrega experiência administrativa, trânsito entre partidos de centro e presença política na Baixada Santista.
Aliança de Haddad reúne sete partidos
A candidatura petista será sustentada por uma coligação formada por PT, PSB, Rede, PDT, PSOL, PV e PCdoB.
O grupo também confirmou apoio às candidaturas das ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet ao Senado Federal. A composição busca transformar a chapa paulista em uma frente ampla, reunindo partidos e lideranças que estiveram juntos na sustentação do Governo Federal.
A entrada do PDT foi consolidada após a convenção estadual da legenda, realizada na sexta-feira (24). O partido confirmou apoio a Haddad e indicou nomes para as suplências das candidaturas ao Senado.
A presença de Márcio França como vice e o apoio a Marina e Tebet procuram ampliar o alcance da candidatura para além do eleitorado tradicional do PT. A estratégia é conquistar setores de centro, ambientalistas, eleitores do interior e parte do empresariado que mantém diálogo com a administração federal.
Haddad e Tarcísio devem protagonizar disputa em São Paulo
A candidatura de Haddad estabelece um confronto direto com Tarcísio de Freitas, que deverá buscar a reeleição com apoio do Republicanos, do PL e de partidos de centro-direita.
A eleição paulista terá reflexos nacionais. Tarcísio é um dos principais aliados de Jair Bolsonaro e apoia Flávio na disputa presidencial. Haddad, por sua vez, será o principal representante estadual da chapa Lula-Alckmin.
Dessa forma, a corrida ao Palácio dos Bandeirantes deverá reproduzir parte da polarização nacional. Tarcísio tentará associar sua campanha ao legado de Bolsonaro e aos resultados de sua administração estadual, enquanto Haddad deverá defender a gestão Lula e apresentar um projeto de oposição ao atual governo paulista.
O apoio de Geraldo Alckmin poderá ser especialmente importante. Antes de se tornar vice de Lula, Alckmin governou São Paulo por quatro mandatos e ainda mantém relações com lideranças municipais, especialmente no interior.
Para Haddad, o desafio será reduzir a vantagem da direita fora da região metropolitana e impedir que a eleição estadual seja definida exclusivamente por temas nacionais. Para Tarcísio, a missão será defender o próprio governo sem perder a conexão com a candidatura de Flávio.
Convenções antecipam campanha marcada por polarização e alianças internacionais
As movimentações do fim de semana mostram que a eleição de 2026 deverá combinar disputas nacionais, conflitos institucionais e estratégias estaduais.
Flávio Bolsonaro inicia oficialmente sua primeira campanha presidencial com o apoio do pai, da família e de aliados estrangeiros como Milei e Netanyahu. O PL aposta na continuidade do bolsonarismo, no discurso de segurança pública, na defesa da liberdade econômica e na oposição frontal a Lula e ao STF.
Lula e Alckmin, por sua vez, deverão apresentar a estabilidade da atual chapa e os resultados do Governo Federal como argumentos para a reeleição. O PT também tenta fortalecer sua presença em São Paulo com Haddad, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet.
Caiado procura ocupar um terceiro espaço, criticando os dois principais candidatos e prometendo romper com a polarização. Seu principal obstáculo será transformar experiência administrativa e discurso de segurança em crescimento nas pesquisas.
No plano estadual, Haddad e Tarcísio devem protagonizar uma das eleições mais acompanhadas do país. O resultado em São Paulo terá influência direta na correlação de forças nacionais e no futuro das principais lideranças políticas brasileiras.
Ao final de um fim de semana repleto de convenções, apoios e discursos, o desenho inicial está estabelecido: Flávio enfrenta Lula e Alckmin pela Presidência, Caiado tenta abrir uma terceira via e Haddad desafia Tarcísio pelo comando de São Paulo.
